Pai de adolescente desabafa: "Mudou da água para o vinho em casa”
“Ela perdeu parte da infância por causa do celular”, diz pai
“Se eu estivesse formando uma família hoje, seria totalmente diferente. Eu teria esperado mais. Minha filha perdeu parte da infância por causa do celular”.
O desabafo é de um pai de 43 anos, que prefere não se identificar. Ele conta que a filha ganhou o primeiro celular aos 12 anos – decisão que, segundo ele, mudou a dinâmica da casa e trouxe conflitos intensos.
Hoje, prestes a completar 16 anos, a adolescente faz acompanhamento psicológico e, segundo o pai, a família conseguiu atravessar “a tempestade”. Mas ele deixa um conselho direto: “Tarde em dar um celular ao seu filho o máximo que puder”.
A Tribuna — Como era sua filha antes do celular?
Pai — Ela sempre foi uma menina alegre, que brincava, sorria, andava de bicicleta, de patins. Muito próxima da gente. Depois que ganhou o celular e passou a usar redes sociais e WhatsApp, mudou da água para o vinho dentro de casa. Não se afastou dos amigos da escola, mas se afastou da família.
Ficava mais trancada no quarto, mais irritada. O temperamento ficou mais agressivo, principalmente quando a gente tentava impor limites. Hoje eu penso que naquela época eu poderia ter esperado mais. A idade que ela ganhou o celular, principalmente por ter TDAH, não foi a ideal.
Havia regras para o uso?
Mesmo a gente tendo errando ao dar o celular para ela tão nova, fizemos um combinado que dura até hoje: o celular fica com a gente à noite. Mas, mesmo assim, era motivo de conflito.
E como decidiram buscar ajuda?
Ela faz acompanhamento psicológico há quase três anos, com orientação também da psiquiatra. A terapia ajudou muito. Muitas vezes, em assuntos que não conseguimos abordar, a psicóloga nos ajuda. Ela não precisou de medicação, usa apenas para o TDAH. Hoje, com a terapia, com diálogo, vemos um avanço. Nunca tiramos o celular, mas ela amadureceu.
Que conselho o senhor daria a outros pais?
Eu também errei. Eu lembro da minha filha brincando, antes do telefone, depois minha recordação é dela deitada na cama com celular na mão, perdeu a infância. Você não vai fazer seu filho infeliz por não dar um celular cedo. Muito pelo contrário. Tarda ao máximo esse tempo.
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