O que fazer após ser queimado por água-viva
Retirar o animal com um palito e lavar o local com água do mar são algumas dicas da major Gabriela Andrade, do Corpo de Bombeiros
Uma grande quantidade de águas-vivas está aparecendo e causando transtornos no litoral capixaba, principalmente em praias de Vila Velha, Guarapari e Vitória.
Somente no município canela-verde, desde o último final de semana, todos os dias em torno de 50 banhistas estão tendo contato com o animal marinho, segundo informações do Corpo de Bombeiros.
A convite de A Tribuna, a major do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) Gabriela Andrade, foi às ruas tirar dúvidas de banhistas e explicou o que fazer em caso de contato com água-viva.
“Se você estiver no mar e perceber uma água-viva grudada na pele, retire o animal com um palito de picolé ou graveto, não com a mão, e lave o local abundantemente com água do mar, porque a água doce causa ainda mais ardor na pele”, alertou ela, lembrando que esta é uma das dúvidas mais frequentes entre os banhistas.
“Há acidentes todos os dias, e a maior concentração é na Praia da Sereia, em Vila Velha. Setiba, em Guarapari, e a praia da Curva da Jurema, em Vitória, também têm recorde de casos, mas não tanto quanto em Vila Velha”, disse.
A grande quantidade de águas-vivas nas praias do Espírito Santo é explicada por fatores climáticos e comportamentais, explica o biólogo e vice-presidente do Conselho Regional de Biologia do Estado (CR-Bio10), Daniel Motta.
“A maioria das espécies de águas-vivas gosta de águas mais quentes, e no verão há o aumento da temperatura das águas costeiras. Outro fator é o período reprodutivo de muitas espécies, que podem ser encontradas em todo o litoral capixaba”, destacou.
O biólogo alerta, também, que crianças, pessoas idosas e com comorbidades cardíacas e respiratórias são mais suscetíveis à ação da toxina das águas-vivas.
Acidentes com o animal marinho geram sintomas de queimadura na pele, que podem piorar com a exposição solar, destaca a dermatologista Hannah Cade.
“A toxina pode causar dor, ardência, inchaço e vermelhidão, podendo formar bolhas, como uma queimadura. A exposição solar pode intensificar a inflamação e a lesão na pele”, explicou.
Tire suas dúvidas
Se eu estiver no mar e uma água-viva grudar na pele, como tirar?
Letícia souza, 32 anos, cuidadora social, moradora de Afonso Cláudio.
A primeira atitude é sair da água imediatamente. Depois, com uma mão protegida por luva, ou com a ajuda de uma pinça, palito de picolé ou graveto, retire o bicho da pele. Assim que conseguir, banhe o local afetado abundantemente com água do mar, não com água doce, que reage com as toxinas e aumenta a ardência na pele.
Venho curtir a praia com meu filho de 7 anos. Ele corre mais risco?
Sidney miranda, 47 anos, motorista de caminhão, morador de Nova Bethânia, Viana.
A extensão da lesão que uma água-viva pode ocasionar em uma criança é maior do que em um adulto, pelo fato de que o corpo infantil é menor. A toxina é a mesma, mas a água-viva consegue injetar mais dela em uma porcentagem maior do corpo da criança em comparação a acidentes registrados em adultos.
O que passar na pele depois que a água-viva encostar em mim?
Caio ramos, 26 anos, ajudante de carga de caminhão, morador de Resistência, Vitória.
Água do mar imediatamente e abundantemente. Vinagre também é indicado, porque neutraliza as toxinas. Pasta de dente, café, sabonete ou sabão, gelo e até urina, nada disso ajuda, é tudo mito. E em hipótese nenhuma você deve passar urina, que pode causar uma infecção na ferida provocada pela toxina da água-viva.
O que fazer se encontrar uma água-viva na areia da praia?
Emilly Ribeiro, 21 anos, gestora de compras e moradora de Vila Graúna, Cariacica.
Esse é um ponto muito importante porque muitas águas-vivas, mesmo depois de mortas, continuam liberando toxinas. Então, nunca se aproxime ou toque, por mais que você ache o animal bonito. Mesmo que a água-viva esteja em área seca ou pareça estar morta, o envenenamento pode acontecer se você encostar.
Saiba mais
Tipos de água-viva
Chrysaora lactea: Comum no verão, causa forte irritação, dor e inchaço na pele.
Olindias sambaquiensis: Pequena e transparente, também causa dor, inchaço e vermelhidão.
Chiropsalmus quadrumanus: Mais rara, mas perigosa, com veneno potente que pode levar a dores, necrose e, em casos sensíveis, falência cardíaca, sendo um risco maior para crianças.
Tamoya haplonema (Cubomedusa): Encontrada no Sudeste e Sul da costa brasileira, pode causar dor intensa, náuseas e vermelhidão, exigindo cuidado.
Grupo de risco
Crianças, idosos e pessoas com comorbidades cardíacas e respiratórias são mais suscetíveis à ação da toxina das águas-vivas e caravelas portuguesas, que é um animal marinho que também injeta toxinas através de tentáculos.
Fonte: Daniel Motta, biólogo e vice-presidente do Conselho Regional de Biologia do Espírito santo (CR-Bio10).
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