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Cidades

Golpe do falso investimento deixa prejuízo de 50 milhões de reais

Nos últimos 12 meses, as vítimas na Grande Vitória perderam esse montante em dinheiro, casas e carros, com promessa de ganho fácil



Imagem ilustrativa da imagem Golpe do falso investimento deixa prejuízo de 50 milhões de reais
1 denúncia é registrada por semana na Grande Vitória |  Foto: Canva

Prometendo retornos com ganhos acima de valores do mercado, se comparado com outros tipos de aplicações, criminosos têm feito dezenas de vítimas com o golpe do falso investimento.

Nos últimos 12 meses, as vítimas perderam cerca de R$ 50 milhões em dinheiro, casas e carros na Grande Vitória.

Quem revela detalhes é o delegado Alan Moreno de Andrade, titular da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações e respondendo pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos.

Bem articulados e conhecedores do mercado financeiro, os autores desse golpe sempre agem da mesma forma. “Ostentação nas redes sociais, mansões e carros importados. Eles postam fotos diárias de ganhos expressivos, tudo para convencer que o negócio é vantajoso”.

Os investimentos iniciais variam de 10 mil a 30 mil reais, geralmente com promessa de ganho entre 7,5% a 10% mensal. “Ontem (quarta-feira) atendi um médico que perdeu um R$ 1,5 milhão. Além dele, há aposentados, pensionistas, esportistas e outros”, disse o delegado.

Um dos casos denunciados à polícia é de um grupo de 30 pessoas, entre empresários, advogados, investidores, comerciantes, pastores – todos de Vila Velha –, que se juntou para investir e perdeu um total de R$ 5 milhões, em seis meses.

“Os investimentos variavam de R$ 150 mil a R$ 600 mil. Um deles chegou a vender uma casa para investir. Havia a promessa de retorno mensal de 5% a 8%”, disse Eduardo Pinheiro, especialista em segurança digital e colunista de A Tribuna.

Como destaca o especialista, no início do golpe as pessoas chegam a ganhar dinheiro, mas, geralmente, na hora de resgatar o dinheiro ou parte dele descobrem o golpe e aí bate o desespero.

Diante disso, Eduardo Pinheiro alerta: “Se alguém lhe prometer retornos altos com pouco ou nenhum risco em um curto período de tempo, seja extremamente cauteloso. Promessas de ganhos rápidos e fáceis são uma bandeira vermelha de potencial fraude”.

O presidente da Comissão Especial de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional capixaba (OAB-ES), Leonardo Costa da Silva, destaca que é possível mover uma ação judicial na tentativa de reaver o prejuízo.

Para isso, ele disse que é importante constituir um advogado especialista em Direito Digital. “Esses golpistas, prevendo a condenação, começam a dilapidar o seu patrimônio e os entrega a parentes, amigos, empresas de fachada ou os remete para contas no exterior”.

Alan Moreno de Andrade delegado

“Média é de uma denúncia por semana”

A Tribuna- O golpe do falso investimento está entre os mais denunciados?

Alan Moreno de Andrade- Está. São as famosas pirâmides financeiras. Enquanto há novas vítimas para sustentar o negócio, ele perdura. Quando se torna inviável, o autor desaparece, geralmente com fuga do país.

Há vários investigados que estão escondidos em Portugal. Também temos um caso de um investigado de nacionalidade japonesa.

São quantas denúncias registradas?

É difícil precisar, pois a Defa (Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações) não é a única delegacia que investiga esse tipo de crime.

Mas posso dizer que a média é uma denúncia registrada por semana na Grande Vitória.


Imagem ilustrativa da imagem Golpe do falso investimento deixa prejuízo de 50 milhões de reais
Moreno: “Escondidos fora do País” |  Foto: Divulgação

É possível traçar o perfil das vítimas? Por sexo, idade, por exemplo.

Não tem perfil definido, mas geralmente são pessoas bem esclarecidas, com boas condições financeiras, nível superior de ensino e que já têm certo patrimônio.

As investigações apontam que são quadrilhas especializadas que agem aqui?

Os autores são pessoas instruídas e conhecidamente de mercado financeiro. Geralmente, não é um crime de distância. O autor se cerca de pessoas, ganha a confiança delas com lucros exorbitantes e depois que o negócio já ganhou certo corpo, ele desaparece.

Qual a orientação para não ser vítima?

A orientação é ter cautela e fazer uma pesquisa da empresa/pessoa que irá investir. Conferir se tem cadastro junto a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), bem como evitar transferências de valores para pessoas físicas.

Onde deve denunciar?

As denúncias podem ser feitas de forma on-line, pela Delegacia Online, ou em qualquer delegacia da Polícia Civil capixaba.

Normalmente a vítima investe sozinha ou em grupo?

Geralmente começa com uma pessoa com pequeno valor. O golpista devolve o primeiro investimento com lucro e a vítima se anima a investir um valor maior.

Aí, começa a convidar amigos e familiares e todos caem no golpe. Geralmente isso causa problemas familiares e inimizades eternas.

O problema é que as pessoas não se atentam ao seguinte fato: corretor de investimentos vai te orientar onde investir. A carteira é do cliente. Você não transfere o dinheiro para a conta de um terceiro.

Já tem criminosos presos?

O problema é esse. Quando a vítima percebe que caiu no golpe, o autor já saiu do Estado e até mesmo do Brasil.


O esquema

Falsos grupos criam sites de empresas de fachada e perfis em redes sociais para atrair as vítimas e convencê-las a fazerem investimentos altamente lucrativos e rápidos.

Usam vários artifícios para enganar os interessados, eles fornecem informações falsas da suposta empresa, usam linguagem técnica normalmente falada por corretores, mostram depoimentos inexistentes de pessoas que foram bem-sucedidas com o investimento.

A partir daí, fazem com que o cliente entre em grupos de aplicativos de mensagens, onde estão outros supostos integrantes.

Afirmam que o pagamento pode ocorrer em alguns meses, tanto em resgate do valor investido quanto no valor da rentabilidade, só que não é isso que acontece.

Dicas para não cair

Sempre desconfie de promessas de rendimentos ou retornos muito acima daqueles praticados no mercado, alerta Adriano Volpini, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Pesquise e verifique se a instituição é autorizada a operar no mercado e procure informações sobre sua atuação.

Desconfie se houver insistência para fechar rapidamente algum negócio com a alegação de que irá perder uma oportunidade.

Tome cuidado com abordagens em redes sociais e também com sites patrocinados em sites de busca.

No caso de o cliente ter sido vítima de algum crime, ele deve notificar imediatamente seu banco para que medidas adicionais de segurança sejam adotadas.

Quanto mais rápido fizer a comunicação, maior será a possibilidade de recuperação do valor junto a outros bancos.

Também deve fazer um boletim de ocorrência, o que é fundamental para dar visibilidade ao crime, ajudar nas investigações policiais, permitindo, posteriormente, a identificação e as prisões de quadrilhas de criminosos.

Fonte: Febraban e especialistas entrevistados.

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