Geração Z é a que mais fuma no País, diz pesquisa
Entre os jovens de 16 a 24 anos, 19% se declaram fumantes ativos de cigarros comuns ou eletrônicos, acima de todas as outras faixas etárias
A geração que cresceu vendo campanhas antitabagismo é hoje a que mais fuma no Brasil. Entre os jovens de 16 a 24 anos, que pertencem à Geração Z, 19% se declaram fumantes ativos, de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional (17%) e de todas as demais faixas etárias.
Os dados são da pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C. Camargo Cancer Center com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, que ouviu mais de duas mil pessoas nas 27 unidades da Federação.
Apesar de avanços no combate ao vício, o tabagismo não é um problema vencido no Brasil, destaca Helano Freitas, médico oncologista e líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo.
“Além disso, a população jovem, abaixo de 24 anos, é a mais suscetível ao tabagismo. É comum os jovens se arriscarem mais, o problema é que hoje eles se expõem tanto ao cigarro convencional quanto ao eletrônico, e numa idade média de 16 anos”, ressaltou.
A chegada do vape também pode ter intensificado o tabagismo entre os jovens, alerta o médico. “Esses dispositivos têm várias essências e sabores que são palatáveis para a criança e o adolescente, assim como a pasta de dente infantil tem sabores de fruta e chiclete, é o mesmo paralelo. Dados dos Estados Unidos e Europa mostram que a exposição ao vape entre crianças tem ocorrido cada vez mais cedo, entre 10 e 12 anos de idade.”
A forma como o cigarro eletrônico é vendido pode acabar seduzindo os mais novos, afirma a médica pneumologista Jessica Polese.
“As propagandas são muito coloridas, envolventes, e dizem que o vape é livre de nicotina, quando, na verdade, possui substâncias análogas à nicotina, que são tão ruins quanto a original”, afirmou.
Parte da rotina
Começou aos poucos, socialmente, e frequentemente associado ao uso de álcool. Foi assim que o tabagismo entrou na rotina de um programador de 24 anos, que preferiu não se identificar.
“Cheguei a fumar um maço por dia, de todo tipo de cigarro. Vape eu só fumava quando algum amigo tinha. O hábito foi evoluindo sem nenhum motivo especial e tornou-se parte da minha rotina. Parei vai fazer um mês. Não preciso disso para ter felicidade”, contou.
Tabagismo entre jovens
A pesquisa “A saúde do brasileiro, hábitos de vida e o uso de tecnologia em diagnósticos médicos”, do A.C. Camargo Cancer Center com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, ouviu mais de duas mil pessoas nas 27 unidades da Federação.
A amostra indicou que entre os jovens de 16 a 24 anos, 19% se declaram fumantes ativos de cigarros comuns ou eletrônicos, acima da média nacional (17%) e de todas as outras faixas etárias.
O levantamento mostra ainda que o risco não se limita a quem fuma: um em cada três brasileiros (33%) convive frequentemente com pessoas que fumam por perto, em casa ou no trabalho.
Na região Sul, a exposição é maior, chegando a 41%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice é de 37%.
Especialistas apontam que a influência de amigos ou família pode expor crianças e adolescentes ao tabagismo de forma social e com exposição prolongada.
Comportamentos de risco
O estudo também aponta que o tabagismo tende a estar associado a um conjunto mais amplo de comportamentos de risco.
Entre os fumantes, 84% acumulam até quatro outros hábitos considerados nocivos na rotina, como sedentarismo e consumo de alimentos ultraprocessados e frituras em excesso.
Outro achado do estudo chama muita atenção. Entre os que se declaram fumantes, 63% avaliam a própria saúde como “ótima/boa”.
Cigarro eletrônico
A chegada do vape, nome popular do cigarro eletrônico, também é apontada pelos especialistas como uma das possíveis causas para o aumento do tabagismo entre adolescentes.
O dispositivo possui aromas e sabores de frutas e outros alimentos, o que atrai os mais jovens.
Além disso, a propaganda do produto informa que o vape é livre de nicotina. Porém, o dispositivo possui substâncias análogas à nicotina, que oferecem tanto risco à saúde quanto a própria nicotina.
Riscos do tabagismo
- Câncer: o cigarro causa câncer de pulmão, boca, garganta, esôfago, pâncreas e bexiga.
- Coração: fumar endurece os vasos sanguíneos e eleva o risco de infarto e derrame cerebral (AVC).
- Dependência: a nicotina causa vício de forma rápida no cérebro.
- Pulmão: o tabaco provoca bronquite crônica, enfisema e falta de ar.
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