Famílias aventureiras contam seus desafios nas estradas
Mau tempo, trilhas íngremes e estradas difíceis não impedem quem curte aventura, seja no céu, na terra ou na água
Diz o ditado que o importante não é a linha de chegada, mas o trajeto. Para algumas famílias capixabas, esse caminho passa pelo céu, por estradas difíceis e por trilhas íngremes. Entre o medo de um acidente, o risco de se perder e a imprevisibilidade do clima, elas contam os desafios de se aventurar juntas — e garantem que vale a pena.
“Voar junto, cada um no seu parapente, é um desafio, porque um não consegue tirar o olho do outro”, conta Micheli Sossai, 40. Ela e o marido, Lucas Porto, 45, praticam Hike and Fly, uma modalidade de voo livre que une caminhada em montanha e parapente.
Se voar já fazia parte da vida de Lucas há 21 anos, para Micheli tudo começou há cinco, quando os dois se conheceram. “Aprendi a voar para voarmos juntos”, brinca. Mas a relação dela com o esporte vem de antes: em 2016, depois de receber o diagnóstico de uma lesão pré-cancerígena no colo do útero, precisou mudar a rotina.
“Eu era bem sedentária. Comecei a correr e fazer dieta para recuperar minha saúde. Com seis meses de corrida, conheci a corrida de montanha e aí me apaixonei”. Foi nessa atividade em Alfredo Chaves, onde moram hoje, que se conheceram.
Nem toda família, entretanto, escolhe aventuras tão radicais. Daniel Sossai, por exemplo, viaja de carro pelo Estado com os filhos. Ele conta que já passou por 40 municípios, entre pousadas, trilhas e acampamentos.
Um dos desafios que enfrentou foi o clima. Durante uma viagem de carro de Itaúnas para Prado, na Bahia, se deparou com campos alagados e crateras na estrada. “Foi uma enchente terrível, uma aventura”.
Já para a dona de casa Daiana Louvatto, de 39 anos, a aventura é pegar sua Kombi rosa, o marido, Gladison Louvatto, de 38 anos, e o filho, Dayson Louvatto, de 12, e viajar. O maior medo, segundo ela, são os acidentes, mas ela garante que, apesar dos desafios, cada aventura vale a pena.
Entre eles, ela cita o dia em que a Kombi ficou atolada por 7 horas, mesmo sem que houvesse caído uma gota de chuva.
Ela e o filho ficaram no local, enquanto o marido, que é eletricista, saiu para buscar ajuda. A sorte, conta, foi o sinal do celular funcionar apenas onde a Kombi tinha parado. “Sempre fomos de acampar”, completa, acrescentando que, apesar do susto, continuam viajando.
“Viagens em família fortalecem laços”
Viajar em família é uma forma de aumentar a conexão e criar laços. É isso que conta Thalita Amparo, CEO da empresa Trilhos e Trilhas ES, que organiza viagens de aventura pelo Estado. “A credito que viagens em família fortalecem laços”, destaca.
Ela conta que já sentiu isso na pele em suas aventuras com a família do namorado, Warley Alves. Eles adoram viajar de moto e carro pelo Estado. A primeira, quando conheceu a família Alves, foi no Carnaval do ano retrasado.
“A viagem para a região do Caparaó foi a que conectou mais a gente como família. Caiu uma chuva forte e nossas barracas alagaram. E aí a gente foi para a Igrejinha, que é a primeira igreja de Pedra Roxa, e ficou todo mundo junto, conversando e contando história”.
Warley tem dois irmãos: Anderson, 28, e Wallas, 30. Thalita conta que os três fazem tudo juntos e criaram o gosto pela aventura desde crianças.
“A gente sempre acampou, desde novinho”, completa Warley. “Uma vez, quando eu tinha 14 anos, fomos fazer isso no Carnaval, em Viana, e quando voltamos descobrimos que estava sem polícia. Foi na época da greve, em 2017”.
Além deles, também participam das aventuras suas esposas e filhas: Juliane, 27, e Luisa, 4. Além de Thais, 27, e Maria Eduarda, 12.
“Preocupação”
Rapel no Morro do Moreno, em Vila Velha, e trilha no Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó. Funcionários públicos, os irmãos gêmeos Thiago e Jayme Oliveira, de 42 anos, já viveram muitas aventuras. Mas Thiago crava que o maior desafio é a preocupação um com o outro. “Estar na natureza é muito bacana”, complementa.
“Foi maravilhoso”
A família Gonçalves mora em Laranja da Terra, pratica rapel, já fez as trilhas de 5 Pontões e 3 Pontões e adora viver aventuras. A maior delas, segundo eles, foi fazer trilha no Chile e ver neve.
“Foi maravilhoso”, contam Cleusa, de 43 anos, e Creibiano, de 36, que são pais do pequeno Pietro, de 9.
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