Diversão nas montanhas mais altas do Brasil
Aventuras em família fortalecem vínculos, criam memórias e aproximam pais e filhos da natureza
Quando você é o primeiro capixaba “de coração” a alcançar o topo do Everest, não é tão surpreendente querer que a família compartilhe dessa paixão pelo montanhismo.
Dez anos atrás, o empresário Gustavo Juarez Soares, de 55 anos, criou o projeto Meninos e Montanhas: um plano para subir, com os filhos, as 10 montanhas mais altas do Brasil. Mais do que a conquista, porém, a intenção era criar conexão e memórias.
“Na correria do dia a dia, às vezes a gente, como pai, fica se sentindo um pouco ausente ou com aquela vontade de aproveitar um pouco mais com os filhos. Eu ficava pensando: 'Que recordação eles terão de mim?'”.
A resposta foi levar os filhos Davi, hoje com 26, e João, 22, para conhecer o “Juarez das montanhas”, como ele brinca.
No caminho, primos se juntaram ao projeto, como Maria Beatriz, Arthur e Vitor Soares.
“Eu pensava que o 'Juarez das montanhas' era uma pessoa mais legal do que o da planície, sempre com a cabeça ocupada, preocupado e ansioso. Aquele que conseguia viver o presente com mais leveza. Ouvir, escutar e enxergar com mais cuidado”.
A primeira aventura do projeto foi no Monte Roraima. Juarez acredita que esse foi o maior desafio. Não pelo condicionamento físico, mas pela idade dos meninos e duração da expedição.
“Ficamos cerca de sete dias acampando na montanha. Apesar de muito boa, a rotina era muito diferente do que eles estavam acostumados”. Mesmo que Davi, com 3 anos, já tivesse chegado ao topo do Pico da Bandeira.
Dez anos depois de iniciado, o desafio continua. Até agora, já conquistaram oito das 10 montanhas: Pico da Bandeira e do Cristal, na região de Caparaó; Morro do Conto, Pedra do Sino e Agulhas Negras, em Itatiaia, Rio de Janeiro.
A última aventura, em 2024, foi na Serra Fina, com a subida do Pico dos Três Estados e da Pedra da Mina. Para completar a lista, faltam dois picos no Amazonas.
“Hoje é mais difícil conciliar o tempo. Mas não tenho pressa de cumprir, porque lá atrás, quando o criei, foi uma forma de nos manter conectados e plantar boas memórias na cabeça dos meus filhos. Isso já foi cumprido”.
O empresário também compartilha um conselho: criar conexão com aventuras em família só funciona se houver autenticidade. “Tem que ser algo que a família tenha alguma identificação. Não dá para forçar. Para os pais que estão começando, o exemplo importa muito. Comece devagar para não assustar ”.
Passeio no Mato Grosso do Sul
Em abril do ano passado, no município de Bonito, Mato Grosso do Sul, Mauro Guerra e sua família foram viver o que consideram sua primeira viagem de aventura. Foi uma viagem onde, junto com sua esposa, Raquel Spinasse, 40, e sua filha, Laís Guerra, 10, teve a oportunidade de fazer mergulho e tirolesa.
“O que nos interessou primeiro foi a beleza de Bonito. Só depois que compramos os passeios percebemos que tinham caráter aventureiro. Foi uma experiência muito gostosa. Interessantíssimo. Fomos alinhando as aventuras com a idade da Laís. Até porque ela não podia fazer todos”, contou.
“Não é bicho de 7 cabeças”
A maternidade não significa o fim das aventuras, ressalta a trilheira Edivania Janke, de 41 anos. Já o supervisor na área de gestão de pessoas Daniel Sossai acrescenta: “Ter filho e se aventurar não é um bicho de sete cabeças”.
De famílias diferentes, ambos têm em comum a vontade de viajar e a certeza de que ter três filhos não é um impeditivo.
Na foto ao lado, Edivania carrega Atlan Janke, de três meses, na trilha do Parque Estadual Forno Grande. Hoje ele já tem 1 ano e 9 meses. Além dele, ela é mãe de Yohan, 8, e Yohana, 16.
Moradora de Santa Maria de Jetibá, Edivania conta que sempre intercala levar as crianças, já que nem toda aventura é ideal para todos. Por exemplo, para a mega tirolesa em Pancas, levou só a adolescente. “Ela achou radical. Adolescente topa tudo”.
Vendedora on-line e guia de turismo, Edivania conta que sempre incentiva mães a se aventurarem com os filhos. “Hoje sou incentivadora de mamães. A mãe não precisa deixar de fazer o que gosta devido aos filhos”, conta.
Já em Alterosas, na Serra, Daniel Sossai, 38, também é pai de três crianças: Oliver, 2, Rebeca, 4, e Agata, 7. Ele e a esposa, Nayhara Sossai, 33, adoram viajar pelo Estado de carro. Já fizeram trilhas no interior e acamparam em Aracruz.
“Viajar com três crianças não é fácil porque eles são muito ativos. Na hora de comer é difícil. Mas quando eles estiverem mais velhos, são essas memórias que terão”.
Descida no Rio Jucu
“Esperei a infância inteira dele por esse momento”, conta, animado, o engenheiro de software Flavio Souza, 50, sobre descer o Rio Jucu com o filho, Enzo, de rafting no último dia 17. Ele explica que já tinha vivido essa experiência três vezes e queria compartilhar, mas, antes, as crianças não tinham força para segurar.
“É um esporte de força e resistência. A partir dos 11 anos, já achei que eles aguentavam”. Além do filho, Flavio também levou os sobrinhos Barbara, 16, e Luiz, 12. “Aprender resiliência, superação e força são alguns dos benefícios”, conta.
“Em um passeio, em Matilde, disse ao meu filho que a gente ia descalço para sentir a floresta, árvores, folhas, pedras... A vida debaixo dos nossos pés. É isso que representa esses esportes: esse contato com a natureza e vida pós-tela”.
No próximo dia 31, ele e o filho vão fazer mergulho de tanque em Guarapari. “É mais um sonho que vou realizar com meu filho”, destacou Flavio.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários