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Celular é recuperado em montanha de lixo

Após jogar o aparelho no lixo por engano, Alda Maria, 67, pediu ajuda a garis. Luiz Felipe Leitão, 23, achou no meio de toneladas de entulho

Jaciele Simoura, do jornal A Tribuna | 12/02/2022 14:32 h

Alda Rodrigues jogou o celular no lixo sem querer e teve a ajuda de Luiz Felipe Leitão, que achou o aparelho no meio de toneladas de resíduos
Alda Rodrigues jogou o celular no lixo sem querer e teve a ajuda de Luiz Felipe Leitão, que achou o aparelho no meio de toneladas de resíduos |  Foto: Antonio Moreira / AT
 

A solidariedade e a honestidade de um gari trouxeram esperança para a aposentada Alda Maria da Silva Rodrigues, de 67 anos. Sem querer, ela jogou o celular na lixeira do condomínio e ele foi levado para uma montanha de toneladas de lixo em Vila Nova de Colares, na Serra.

O aparelho acabou sendo recuperado pelo gari Luiz Felipe de Souza Leitão, de 23 anos. 

Alda Maria conta que estava com duas bolsas, que jogaria fora, e outras sacolas com roupas para doação. 

Na pressa do dia a dia, ela fez confusão com os objetos e jogou o celular com as bolsas  na lixeira do condomínio onde mora, em Valparaíso, também na Serra. Tudo aconteceu por volta das19h30 do último dia 2.

“Quando voltei ao apartamento, ouvi o telefone do meu marido tocar. Na hora, eu me toquei que joguei o celular fora e corri para pegar no lixo. Já era tarde, pois já tinham recolhido e colocado na caçamba. Fiquei desesperada”, contou.

O condomínio dela era um dos últimos do bairro a ter o lixo coletado. Ao perceber o erro, Alda foi rapidamente atrás dos coletores da Corpus, empresa que faz o serviço na Serra, e pediu para que procurassem pelo aparelho quando pudessem.

“Pedi para procurarem e o  Luiz Felipe explicou que, naquela hora, não poderiam, mas somente após chegarem à base onde jogam todo o lixo recolhido”, relatou.

Sentido pelo desespero da mulher, Luiz Felipe prometeu que tentaria encontrar o objeto, mas não deu muitas esperanças. A capacidade do caminhão onde foram parar os resíduos da casa dela e de todo o bairro é de sete toneladas de lixo, ou seja, seria uma busca difícil.

Para surpresa de Alda, ela acordou no dia seguinte com a boa notícia dada pelo seu marido: o jovem havia encontrado seu aparelho celular, que foi presente de Natal do companheiro. 

A aposentada disse que chegou a ter dúvidas quando o gari disse que procuraria o celular, mas que ficou feliz com o final da história. 

“Ele encontrou o telefone ainda na madrugada. Conseguiu desbloquear e ligar para o  meu filho, que não conseguiu acreditar no início, mas, depois, foi buscar na casa de Luiz. Foi uma grata surpresa. Fiquei encantada com a honestidade dele”, disse Alda Maria. 


ENTREVISTA | Luiz Felipe De Souza Leitão, gari

“Foi uma grande felicidade por ela”


Trabalhando como gari há dois anos, o jovem Luiz Felipe de Souza Leitão, de 23 anos, já chegou a encontrar pertences de outras pessoas em meio a toneladas de lixo, mas nunca teve a oportunidade de devolver, pois os donos não procuraram. 

No último dia 2, ele se preparava para continuar os trabalhos de coleta, após recolher o lixo em um condomínio do bairro Valparaíso, na Serra, quando foi abordado por uma mulher que estava desesperada à procura de seu celular. 

A aposentada Alda Maria da Silva Rodrigues, de 67 anos, havia jogado o celular na lixeira, por engano. Com a ajuda de Luiz Felipe e   três colegas de trabalho dele, ela conseguiu recuperar o aparelho.

A Tribuna – O que aconteceu no dia?

Luiz Felipe de Souza Leitão  – Ela veio desesperada, dizendo que havia jogado o celular fora e procurou no lixo da caçamba do caminhão, mas já não era possível encontrar. 

Ela ficou chorando e fiquei comovido. Disse que assim que chegasse à base, em Vila Nova de Colares, eu iria procurar. Fiquei pensando nela, procurando desesperada pelo aparelho, e senti que precisava ajudar. 

Já cheguei a encontrar muitos objetos no meu trabalho e as pessoas não vinham procurar, mesmo a gente deixando guardado. Com ela, eu sabia exatamente para quem devolver. 

Como foi a busca?

Chegamos já de madrugada, umas 2 horas, e na hora em que o caminhão jogou o lixo recolhido, já começamos a busca. Eu, David e Ralf, que somos garis, e o motorista do caminhão. Foi mais ou menos meia hora de busca, reviramos o lixo, até encontrarmos a bolsa, como  ela tinha descrito, em que estava o celular. 

Na hora em que achamos, foi uma grande  felicidade por ela. Quando encontrei, lembrei da cena dela, desesperada, querendo revirar o lixo atrás do celular.  

E depois de encontrar?

Consegui desbloquear o celular dela, procurei nos contatos dela e  consegui chegar ao seu filho. Imediatamente, liguei. No início, ele  achou que era trote. Depois, ele foi à minha casa, de madrugada mesmo, e entreguei o aparelho. Ele estava intacto,  mesmo depois de revirado no lixo. 

Deus abençoou ela,  para que fosse encontrado, porque estava debaixo de muito lixo. Ela ficou muito grata. Se não tivesse achado o filho ou outra pessoa, eu iria entregar quando voltasse ao condomínio dela.

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