“Carro não parou e jogou meu filho para cima”, diz mãe de vítima de acidente
A responsável pelo adolescente conta como foi acidente envolvendo automóvel, bicicleta elétrica e autopropelido em Jardim Camburi
Em meio ao aumento dos acidentes envolvendo bicicletas e os chamados autopropelidos – motos elétricas de menor tamanho e potência –, uma técnica de segurança do trabalho, de 40 anos, relembra o susto vivido após o filho de 14 anos ter sofrido um acidente em uma rua de Jardim Camburi, em Vitória, em abril.
Segundo ela, o adolescente trafegava corretamente quando foi surpreendido por um veículo que fazia uma conversão sem olhar. “O carro não parou e jogou meu filho para cima”, diz.
A técnica falou também sobre os julgamentos por ter entregue um autopropelido para o filho, mas destaca que nem sempre os demais veículos respeitam. “A educação no trânsito precisa ser para todos”.
A Tribuna Como aconteceu o acidente com o seu filho?
Técnica de Segurança do Trabalho Meu filho estava indo para o inglês, por volta das 14 horas, em um trajeto que faz praticamente todos os dias. Ele seguia pelo lado direito da via, usando capacete e dentro das regras que eu sempre ensinei.
Infelizmente, o carro de uma empresa de telefonia fez uma conversão, sem dar seta e sem parar no cruzamento para olhar.
Ele atravessou sem observar quem vinha e acabou atingindo meu filho. Eu tenho a filmagem e, pelo que vimos, ele foi surpreendido. O carro não parou e jogou meu filho para cima. Outro adolescente que vinha atrás dele, em uma bicicleta elétrica também foi arremessado.
Como ficou sabendo do acidente?
Ligaram para o meu marido, que foi até o local na hora. Eu estava no trabalho e ele me ligou já falando que meu filho estava bem. Foi um susto muito grande, mas consegui falar com ele ali na hora do socorro por telefone, então corri para o hospital encontrá-los.
Seu filho sofreu ferimentos?
Ele foi levado para o Hospital Infantil de Vitória. Ele passou por exames, fez tomografia e raio-X, mas graças a Deus não quebrou nenhum osso. Ficou com dores, o que era esperado após o impacto. Já o outro adolescente envolvido teve ferimentos mais sérios, com fraturas, e continua em recuperação.
Por que você decidiu comprar um autopropelido para seu filho?
Todo mundo julga e pergunta isso. Mas quem sabe o que é melhor para os nossos filhos somos nós, pais. Meu filho tem uma rotina agitada, entre aula, inglês, treino de futebol.
Ele saía de casa a pé e andava 25 minutos às 6h10 para chegar na escola. Já passou por situação em que só não foi assaltado porque corre muito.
A moto elétrica (autopropelido) foi a melhor opção que encontramos para que ele pudesse se deslocar na rotina, mas não foi uma decisão impensada.
Não é algo proibido. Quando decidimos comprar, pesquisamos as regras, sobre as melhores opções.
Orientaram?
Com certeza. Sentamos com ele para falar sobre os trajetos, como e onde andar. A moto dele nunca foi desbloqueada, só atinge no máximo 32 km/h. Tanto é que na hora do acidente eu vi que ele estava certinho, do lado direito da via, pois não tem ciclovia na região. Ele não estava acima da velocidade.
Vejo muita gente colocando a culpa nas bicicletas e autopropelidos. Realmente tem muita gente andando com esses veículos de forma errada, entrando na frente de outros veículos, andando acima da velocidade em calçadas. É preciso também falar sobre isso.
Eu realmente acredito que é necessário ter educação para o trânsito, e desde o ensino fundamental, dentro da sala de aula. Mas é preciso educação para todos, incluindo os demais veículos da via. Nem sempre a culpa é de quem está nas bikes.
Ele vai continuar andando com a moto?
Sim. Infelizmente, como trabalhadores que somos, não temos condições de pagar um veículo de aplicativo para levá-lo todos os dias para a escola.
Mudamos a orientação sobre o trajeto que ele faz, para que não precise atravessar uma via principal do bairro, a não ser em um local que consideramos mais seguro. Como mãe, entendo que essa é hoje a forma mais segura para ele, até mesmo a de voltar a ir a pé.
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