Acidentes com bike elétrica aumentam mais de 400% no ES
Somente neste ano já foram registrados 279, sendo 32 classificados como graves. Principal causa é imprudência, segundo especialistas
O avanço das bicicletas elétricas nas ruas do Espírito Santo tem sido acompanhado por um aumento expressivo dos acidentes. Somente neste ano, já foram registrados 279 acidentes envolvendo esses veículos, sendo 32 classificados como graves.
Em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 50 acidentes entre janeiro e maio, o aumento chega a representar 458%. Os dados do Observatório da Segurança Pública ainda apontam que 75% dos acidentes ocorrem com bicicletas trafegando em vias públicas, e apenas 7% nas ciclovias.
Para especialistas, a combinação entre alta velocidade, pouca experiência dos condutores e desrespeito às normas de circulação tem contribuído para o aumento das ocorrências.
Especialista em segurança e membro do Movimento Capixaba para Salvar Vidas no Trânsito (Movitran), André Cerqueira afirmou que um conjunto de fatores tem sido a causa da grande escalada exponencial dos acidentes, em parte gravíssimos.
“Um deles é que a maior parte dos condutores desconhecem regras de trânsito e de direção defensiva. Além disso, apresentam um comportamento totalmente imprudente na condução da bike elétrica. O excesso de velocidade tem sido o fator mais crítico, pois exige muito da atenção, dos reflexos e, em caso de colisão, certamente vão gerar lesões.”
Somados a isso, ele destaca que a maioria dirige sem os equipamentos de segurança, como o capacete.
O especialista em segurança viária Anthony Moraes Costa pontuou, ainda, a necessidade de adequações, tanto da malha cicloviária, que hoje é subdimensionada, como das regras de circulação.
“Precisa de revisão urgente na legislação para resgatar a segurança viária que está sendo perdida. Registro dos veículos, regras mais claras e adequadas à realidade urbana, idade mínima e exigência de educação para o trânsito para não habilitados são algumas das ações necessárias.”
Médicos alertam para os perigos das lesões
Com o aumento do número de bicicletas elétricas nas ruas, médicos têm observado também uma alta nos atendimentos de vítimas de acidentes envolvendo os veículos. Segundo especialistas, além de mais frequentes, os traumas costumam ser mais graves do que aqueles registrados em quedas com bicicletas convencionais, incluindo fraturas de bacia, quadril e coluna.
O ortopedista e traumatologista, membro da Sociedade Brasileira de Coluna, Jefferson Coelho de Leo, afirmou que as lesões mais comuns nesse tipo de acidente têm envolvido fraturas de membros inferiores — principalmente tíbia.
“O que chama atenção na elétrica, em comparação com a bicicleta comum, é o aumento das fraturas de bacia, de quadril e de coluna, sobretudo a partir dos 50 anos. Já a bicicleta convencional tende a machucar mais o membro superior, punho e clavícula.”
Ele frisou que a bicicleta elétrica já é uma realidade e tem méritos claros — é uma opção de mobilidade acessível, prática e sustentável.
“Mas o crescimento rápido traz um desafio por ter uma barreira de entrada menor que a de um veículo motorizado e por não exigir habilitação, ela coloca no trânsito muita gente sem preparo.”
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