Afogamento já deixou 20 mortos este ano no Espírito Santo
Dados oficiais alertam para o risco de afogamentos, sobretudo entre crianças
Somente neste ano, 20 pessoas morreram afogadas no Estado. Desse total, 20%, que corresponde a cerca de quatro vítimas, tinham de zero a 14 anos. Os dados são do painel de afogamentos do Observatório de Segurança Pública.
Gabriela Andrade, major do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, diz que o afogamento é uma das principais causas de morte em crianças pequenas.
“É importante manter a atenção, porque tudo acontece muito rápido. Em menos de 10 segundos uma criança pode se afogar, inclusive em poucos centímetros de água”, alerta.
No caso de afogamentos em piscinas, o risco é maior para as que possuem toboágua e as que imitam ondas ou o movimento das correntezas do rio.
“Isso ocorre por conta das correntes, das ondas e também da sucção dos ralos e tubulações, que puxam a água com muita força”.
Para aproveitar o verão em segurança, a major reforça que a principal dica é manter a supervisão a todo momento. “A criança deve ser mantida a distância de um braço do responsável. Uma regra importante também é: água no umbigo, sinal de perigo”.
Em caso de afogamentos, a primeira atitude deve ser chamar um guarda-vidas e oferecer objetos flutuantes para a vítima. “É importante não se aproximar porque a pessoa entra em pânico e pode agarrar quem tenta ajudar”.
Menina morre afogada em piscina de parque aquático
Uma menina de três anos morreu após se afogar em uma piscina de em um parque aquático no balneário de Guriri, em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, na tarde da última segunda-feira.
Segundo a Polícia Militar, a menina estava no local com familiares, que vieram de Aripuanã, no Mato Grosso. A viagem de volta para a casa já estava agendada. Esta foi a primeira viagem que a família fez para a praia.
Segundo apuração da TV Tribuna/Band, a criança caiu em uma piscina que reproduz a correnteza de um rio. Os pais só perceberam a situação após alguns minutos. Segundo relatos, o pai da criança estava com outro filho em um toboágua. A menina, que estava na parte infantil de uma piscina, se perdeu por alguns segundos e, quando foi encontrada, já estava afogada.
Na ocasião, um salva-vidas do parque retirou a menina da água e iniciou os procedimentos para reanimação ainda no local.
A vítima chegou a ser levada a um hospital da região pelos próprios familiares, mas não resistiu.
A Polícia Científica do Estado informou que o transporte do corpo para o Hospital Estadual Roberto Silvares, em São Mateus, foi acionado na tarde de segunda-feira.
Em seguida, o corpo foi encaminhado à Seção Regional de Medicina Legal (SML), em Linhares, onde será realizado o exame de necropsia antes da liberação para a família.
A Polícia Civil informou que o caso será investigado pela Delegacia Especializada de Infrações Penais e Outras (Dipo) de São Mateus.
Alvará
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo informou que o parque aquático estava com o alvará de licença vencido desde 2022. A corporação ressaltou ainda que é responsabilidade do proprietário do estabelecimento solicitar a renovação do alvará antes do vencimento.
No caso específico do parque, o pedido de vistoria foi registrado no dia 2 de fevereiro, por volta das 16h, e a inspeção foi realizada na tarde de ontem.
A corporação esclareceu também que a fiscalização sobre a presença de guarda-vidas em piscinas de recreação não é de sua competência.
Até o fechamento da edição, o parque não se manifestou oficialmente sobre o caso. Nas redes sociais, o Guriri Beach Acqua Park comunicou que permanecerá fechado durante o resto da semana.
Saiba mais
Afogamentos no Estado
2026: 20 (até terça-feira (03))
2025: 141
2024: 155
2023: 165
Idade das vítimas
0 a 14 anos: 21,3%
15 a 24 anos: 16,5%
33 a 44 anos: 13,1%
45 a 54 anos: 13%
65 ou mais: 10,6%
Por dia da semana
Domingo: 22,8%
Segunda: 14,4%
Terça: 11,3%
Quarta: 11,1%
Quinta: 8,2%
Sexta: 12,5%
Sábado: 19,7%
Por tipo de local
Lago/lagoa/represa: 30,5%
Curso d'água: 29,8%
Mar: 21,4%
O que fazer para prevenir
Manter a supervisão na criança durante todo o tempo.
Preferir usar colete ao invés de boias infláveis.
Escolher locais que, de preferência, tenham uma equipe de guarda-vidas.
Observar a sinalização de risco, com indicações sobre profundidade, piscinas de ondas, rios lentos e áreas com correnteza ou ralos.
Em casa, não deixar brinquedos em piscinas, pois podem atrair as crianças para a água.
Restringir o acesso à piscina com grades.
O que fazer em afogamentos
Acionar um salva-vidas ou ligar 193.
Ao esperar ajuda, ofereça objetos flutuantes para a vítima e evite se aproximar
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