A cada 3 dias, um jacaré é resgatado na Grande Vitória
Calor, chuvas e período reprodutivo aumentam a aparição dos animais. Na segunda-feira, em poucas horas foram dois resgatados
No mês de janeiro, dez jacarés-de-papo-amarelo foram resgatados na Grande Vitória – o que representa, em média, um resgate a cada três dias. Somente na última segunda-feira (2), dois animais da espécie foram encontrados em um intervalo de menos de dez horas. Os resgates foram realizados por equipes do Projeto Caiman.
A primeira ocorrência foi registrada por volta das 3 horas da manhã, no bairro Jardim Camburi, em Vitória. O jacaré estava debilitado e foi encaminhado para reabilitação. Já o segundo resgate aconteceu no fim da manhã, no bairro Morada de Laranjeiras, na Serra, e o animal apresentava boas condições de saúde.
De acordo com o médico veterinário e pesquisador do Projeto Caiman, Lucas Yu, os resgates costumam aumentar no verão.
“Isso acontece porque é a época reprodutiva da espécie, além de ser um período de muito calor e muita chuva, o que aumenta o volume de água nos ambientes”.
Após o resgate, os jacarés passam por uma avaliação completa de saúde e ganham um microchip, que funciona como a identidade do animal.
“Esse chip que colocamos no jacaré tem todas as informações do animal, como tamanho, peso e idade. Assim, se ele for resgatado novamente, conseguimos saber como ele estava anteriormente e onde foi solto da última vez”.
Se o animal estiver bem, ele é solto na natureza em uma região próxima à que foi encontrado. No caso de estar debilitado, o animal é encaminhado para a reabilitação. Atualmente, quatro jacarés estão se recuperando sob os cuidados do programa.
“Se o animal está muito magro ou muito gordo, ativo demais ou muito apático, significa que algo não está certo e ele precisa se recuperar para sobreviver na natureza”, explicou.
Apesar do susto, a médica veterinária e coordenadora da saúde e ecologia do programa, Daniela Neris, explica que os animais não oferecem riscos aos humanos se não forem incomodados.
“No geral, os jacarés-de-papo-amarelo têm mais o perfil de fuga do que de ataque. Mas é claro que, se um humano tenta manusear o animal sem o cuidado necessário, ele pode atacar para se defender”.
Caso o animal seja encontrado, a orientação é não se aproximar, nem tentar capturá-lo. A recomendação é acionar a equipe do Projeto Caiman pelo número (27) 99763-9757, para que o resgate seja realizado com segurança.
“É importante manter distância e, se possível, deixar o animal em um local fechado até a equipe chegar para realizar o resgate”, orienta Daniela.
Projeto desenvolve ações para preservar espécie
Além dos resgates, o Projeto Caiman também desenvolve ações de educação ambiental e pesquisas científicas voltadas à preservação do jacaré-de-papo-amarelo no Espírito Santo.
Atualmente, o grupo desenvolve um projeto de reforço populacional em Itaúnas, distrito de Conceição da Barra, no Norte do Estado.
A médica veterinária do projeto, Daniela Neris, explica que a iniciativa é fundamental, já que o jacaré-de-papo-amarelo corre risco de extinção no Estado.
“Nós vamos coletar os ovos da espécie e cuidar dos animais até que eles atinjam um ano de idade”, explica.
Segundo a veterinária, sem esse suporte, os jacarés têm apenas 15% de chance de sobreviver na natureza. Com as ações do projeto, essa probabilidade sobe para 70%.
“Com isso, é possível que o animal cresça, atinja a maturidade e consiga se reproduzir no futuro. Assim, temos mais chances de aumento das populações da espécie no Estado”.
O Projeto Caiman é do Instituto Marcos Daniel em parceria com a ArcelorMittal Tubarão. A iniciativa atua há 10 anos no Espírito Santo e já produziu diversos dados técnico-científicos sobre o jacaré-de-papo-amarelo, contribuindo para estratégias de conservação da espécie.
Saiba mais
Resgates
Janeiro de 2026: Dez jacarés resgatados.
Em 2025: Foram 28 resgates ao longo do ano.
Aumento no verão
Entre dezembro e março, os resgates se tornam mais comuns, devido ao calor e ao período de reprodução da espécie.
Esses fatores fazem com que os animais se movimentem mais, aumentando o número de resgates.
Riscos
No geral, os jacarés-de-papo-amarelo não atacam humanos se não se sentem ameaçados.
Porém, tentar tocar ou manusear o animal sem a técnica necessária traz riscos de mordidas, por exemplo.
O que fazer
Caso encontre um jacaré-de-papo-amarelo, a orientação é tentar não mexer no animal.
Além disso, é importante ligar para o número (27) 99763-9757 e solicitar o resgate.
A espécie
O jacaré-do-papo amarelo é uma espécie nativa da Mata Atlântica
Mais de 70% de toda a população mundial de jacarés-de-papo-amarelo vive no Brasil
Muito encontrada em áreas litorâneas e manguezais especialmente no Espírito Santo, mas também no Cerrado e no Pantanal.
É essencial para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos como manguezais e lagoas, atuando como predador de topo e controlador de populações.
O animal possui corpo esverdeado, com a região do ventre em cor amarela. Pode chegar a três metros de comprimento.
Projeto Caiman
É um programa do Instituto Marcos Daniel em parceria com a empresa ArcelorMittal Tubarão que já atua há dez anos.
Desenvolve pesquisas científicas e ações de educação ambiental. O projeto também resgata jacarés encontrados em ambientes urbanos.
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