Adolescentes buscam tratamentos contra o vício em redes sociais
Especialistas contam que aumentou a busca por tratamento para adolescentes. TikTok e Instagram são as redes mais utilizadas
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Quase 60% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos utilizam as redes sociais Instagram e TikTok várias vezes ao dia, conforme apontou a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025.
Esse uso frequente tem levado a uma dependência tecnológica, fazendo com que adolescentes precisem de terapia e, em alguns casos, medicamentos contra o vício em redes sociais.
Um desses casos envolveu uma menina de 16 anos. Quando seus pais procuraram ajuda, ela tinha 12 anos. A falta de socialização com a família e um temperamento agressivo acenderam o alerta nos pais, que procuraram uma psicóloga.
Segundo especialistas, esse não é um caso isolado. A psiquiatra Letícia Mameri-Trés destaca que a procura de ajuda por parte dos pais para esses casos cresceu drasticamente.
“O que antes era visto pelos pais apenas como 'falta de disciplina', passou a ser encarado como uma questão de saúde mental e a família identifica os prejuízos que isso tem acarretado”, aponta.
Letícia alerta que o uso compulsivo impacta de forma “terrível” o sistema de recompensa do cérebro adolescente, que ainda está em desenvolvimento, podendo acarretar alterações cognitivas, entre elas déficit de atenção, dificuldade de memorização profunda e no rendimento escolar.
Os pais devem ficar atentos a situações em que os filhos deixam de executar rotinas e tarefas para ficarem na tela, ressalta a psicóloga infantil Luiza Colonna.
“Por exemplo: deixam de dormir, de comer, de estudar. Também é um sinal quando as emoções mudam abruptamente, ficando geralmente mais agressivos, principalmente quando a tela é removida. E quando os filhos deixam de participar de situações sociais para se isolarem”, alerta.
Segundo Elizeu Batista Borloti, professor do departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento da Ufes, algumas crianças são mais vulneráveis a certos transtornos, como por condição da própria família e da idade.
“Temos observado que determinados fatores de vulnerabilidade predispõem a internet como um fator de risco maior. Nas famílias protetivas, o risco existe, mas diminui o impacto. É mais fácil tornar a família protetiva do que controlar totalmente as redes sociais”, destacou.
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