O que a educação fez por mim: Fabiano Contarato e Anderson França
Senador e bacharel em Direito, corretor de imóveis fazem relatos
“A educação pode transformar vidas”
“Tenho dois momentos muito marcantes na minha vida relacionados à educação: a felicidade de ingressar numa escola técnica, quando jovem, pela emoção da minha mãe ao receber a notícia, e quando me tornei professor, décadas depois.
Meu pai era motorista de ônibus e minha mãe, dona de casa, com seis filhos. A escola pública era a única opção e, apesar das dificuldades, fui feliz por frequentá-la. Lá, aprendemos sobre as ambiguidades e desafios do nosso País. Por experiência própria, sei o quanto a educação pode transformar vidas.
Formado em Direito, em 1992, passei em 1º lugar no concurso para delegado de polícia. Mas, sendo homossexual, muitos me tratavam como se não merecesse estar ali. Numa organização machista e heteronormativa, batalhei para merecer cada conquista em minha carreira. Fui delegado de Delitos de Trânsito por mais de 10 anos, administrando na ponta as mazelas da Justiça.
Minha maior realização, porém, foi como professor: me enxergava como um operário dedicado numa fábrica de transformar sonhos em realidade. Essa trajetória me trouxe ao Senado, muito consciente de que as pompas dessa posição passageira não me seduziram, pois sempre estive motivado pela construção de uma sociedade melhor.
Aos meus filhos, Gabriel e Mariana, crianças negras e filhas de pais gays, reforço sempre a importância da educação. Nossa cidadania dificilmente é reconhecida automaticamente e a educação é uma das formas que temos para lutar por ela”.
Fabiano Contarato, 57 anos, delegado, professor, senador e assinante do jornal A Tribuna.
"Importância do convívio com a família"
“Minha família, apesar de ter poucas condições financeiras, conseguiu pagar boas escolas particulares até a universidade. Comecei a infância estudando em escola particular no meu bairro, depois fiz o fundamental em São Camilo e terminei o ensino médio no colégio UP. A minha família na época só tinha uma opção: trabalhava ou trabalhava. Ainda assim, fizeram de tudo para eu ser quem eu sou hoje, não só no aspecto de estudo, mas para a vida.
Eu queria fazer Medicina desde criança, cheguei até fazer pré-vestibular para ver se entrava na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas pelo percurso me apaixonei pelo Direito e prestei o vestibular na Universidade de Vila Velha (UVV).
Após o curso de bacharel em Direito, fiz umas especializações em Direito Eleitoral e Direito Imobiliário. Estou concluindo duas pós-graduações em Direito Civil e Processo Civil.
Resolvi, ainda, buscar outros caminhos além da minha formação jurídica. Sou corretor de imóveis, profissão que me abriu os horizontes para novas oportunidades. Já ouviu a expressão que o céu é o limite? É assim, se tratando do universo educacional, você pode ser quem você quer ser e onde almeja chegar.
A verdadeira educação começa em casa, com o convívio no seio familiar. Uma boa estrutura familiar propicia muito para o crescimento da criança e do adolescente para o resto da vida”.
Anderson França, 30 anos, bacharel em Direito, corretor de imóveis, especialista em Direito Eleitoral e Direito Imobiliário e pós-graduando em Direito Civil e Processual Civil
Leia mais:
O que a educação fez por mim: Edmar Camata e Domingos Taufner
Comentários