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Após vacina, Covid entre indígenas de Aracruz cai 77%
Plenário
Fabiana Tostes

Fabiana Tostes


Após vacina, Covid entre indígenas de Aracruz cai 77%

Prefeitura de Aracruz dá início à vacinação dos indígenas (Foto: Humberto De Marchi/PMA)Prefeitura de Aracruz dá início à vacinação dos indígenas (Foto: Humberto De Marchi/PMA)

O número de casos confirmados de Covid-19 entre indígenas de Aracruz caiu consideravelmente após a imunização. O município concentra 12 aldeias, com 4.604 indígenas, dos povos Tupiniquim e Guarani, que começaram a ser vacinados em janeiro – os povos originários têm prioridade na vacinação, de acordo com o Plano Nacional de Imunização.

Segundo dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) – órgão ligado ao Ministério da Saúde –, em janeiro foram registrados 67 casos de Covid entre indígenas aldeados. Em fevereiro, 66. A 2ª dose da vacina começou a ser aplicada no dia 19 de fevereiro e, o mês seguinte, já apresentou resultados. Em março foram registrados 15 casos de Covid, 77,2% a menos que em fevereiro.

De 1º a 16 de abril (última sexta-feira), a Sesai notificou 10 positivados – sendo que destes, quatro são menores de 18 anos, que ainda não são contemplados com a vacina. A cobertura vacinal da 1ª dose está em 95,8% nas aldeias indígenas. E a da segunda dose está em 89%.

“Eu acredito muito na vacina e nós somos a prova que a vacinação em massa funciona. Temos vivenciado essa experiencia de 95% de cobertura vacinal e temos tido um êxito muito grande, com a redução no número de casos. Alguns indígenas tiveram Covid após a imunização, mas foram casos leves, não evoluíram a óbito, e a maioria não precisou de internação. A experiência com o povo indígena é um exemplo para o Brasil de que a vacina funciona e tem salvado vidas”, disse a enfermeira Rosiane Scarpatt, coordenadora das equipes de saúde indígena (Sesai) de Aracruz.

Mortes

Desde o início da pandemia, foram registrados 377 casos de Covid entre os indígenas aldeados – maioria dos casos concentrados nas aldeias de Caieiras Velha, Irajá e Pau Brasil. Em todo o ano de 2020 foi registrada a morte de um indígena na aldeia Caieiras Velha. Mas, nesse ano, o número triplicou. Três mulheres morreram nas aldeias.

Uma das vítimas era da aldeia Areal, e a morte ocorreu em janeiro. Em março, mãe e filha da aldeia Irajá também não resistiram à Covid e morreram. As duas chegaram a tomar a 1ª dose da vacina, mas contraíram o vírus no intervalo, segundo a enfermeira Rosiane.

“No início do ano os casos aumentaram bastante nas aldeias, acredito que foi um reflexo do cenário geral que ocorreu no Barsil, com afrouxamento das medidas de prevenção e festas de final de ano”, disse Rosiane.

No Painel Coronavírus do governo do Estado, até a noite de domingo (18), havia o registro de 691 casos confirmados de Covid entre indígenas em todo o Espírito Santo. Desses, 10 casos evoluíram a óbitos, desde o início da pandemia, registrando uma letalidade de 1,4% na população indígena.

Os dados do Estado também registram uma redução de casos positivos de Covid entre os povos originários. Em janeiro foram 77 casos; em fevereiro, 86. Já em março foram registrados 68 casos (redução de 20,9% com relação a fevereiro) e abril, até o momento, 17.

Fake news

Educadora indígena Janaina Pereira: "Conquista muito grande" (Foto: Janaína Pereira)Educadora indígena Janaina Pereira: "Conquista muito grande" (Foto: Janaína Pereira)

A enfermeira Rosiane disse que o início da vacinação necessitou de uma campanha massiva de conscientização, por parte dos profissionais de saúde e de caciques, devido à baixa adesão dos indígenas. Um dos motivos, segundo ela, foi a disseminação de fake news.

“A maior dificuldade foi lidar com as fake news, era conversa de que quem tomasse iria virar jacaré, que a vacina iria implantar chip, ou que a vacina era água e ainda que iria matar os idosos. Mas, nossas equipes de saúde foram muito persistentes em orientar e desmistificar. Eles também foram vendo que um da família ia sendo vacinado e não acontecia nada de mal, que ficava tudo bem, então foram aderindo. Também tivemos a participação das lideranças, os caciques ajudaram na conscientização da comunidade”.

A educadora indígena Janaína Pereira, 35, da aldeia Pau Brasil, disse que a desinformação sobre a vacina também chegou à sua aldeia. “Dentro da comunidade muitas coisas foram faladas, sobre o que iria acontecer se tomasse a vacina. Muitas pessoas ficaram abaladas com as fake news, por não terem as informações certas. Mas praticamente toda minha comunidade foi vacinada. E isso foi uma conquista muito grande. Muitos foram contaminados, mas nenhum foi a óbito em nossa aldeia”, disse Janaina.

Questionada se chegou a ter medo de tomar a vacina, ela disse que não. “Não tive medo. Fiquei muito feliz. Eu tenho fé em Tupã que aquilo que vem de bem para nós, para nossa saúde, temos que tomar. E que Tupã venha nos sarar dessa doença”.


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