Lixo da construção civil vira adubo para a produção de maracujás
Resíduos de obras e da agroindústria reaproveitados reduzem custos e impactos ambientais no cultivo de frutas
O reaproveitamento de resíduos da construção civil e da agroindústria indica um novo caminho para a produção de maracujá no Sul do Estado.
Em Cachoeiro de Itapemirim, produtores passaram a utilizar materiais antes descartados, como o pó de gesso, na formulação de substratos sustentáveis. A iniciativa contribui para a redução de custos e para a diminuição dos impactos ambientais no cultivo da fruta.
O estudo, desenvolvido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), avaliou a aplicação desses resíduos na produção de mudas de maracujá-azedo.
A pesquisa analisou diferentes combinações de palha de café, torta de filtro, subproduto da indústria sucroalcooleira, e pó de gesso proveniente do descarte de placas usadas na construção civil.
As formulações passaram por análises de características físicas e químicas, como porosidade, capacidade de retenção de água, nutrição das plantas e sustentação das mudas. Os resultados indicam potencial para o aproveitamento desses materiais como alternativa viável e sustentável na produção agrícola.
Para o produtor rural Leandro Marinatto, a adoção do substrato representa um avanço na rotina do campo. “Além de reduzir os custos com insumos, conseguimos dar um destino correto a materiais que antes seriam descartados. É uma solução que beneficia o produtor e o meio ambiente”.
De acordo com Marlon Dutra, pesquisador do Incaper, algumas misturas, especialmente as que equilibram palha de café e torta de filtro, apresentaram desempenho semelhante ao de substratos comerciais à base de casca de pinus e vermiculita, utilizados como referência na pesquisa.
O pó de gesso foi empregado como fonte de cálcio e enxofre, nutrientes essenciais para o desenvolvimento inicial das plantas. De acordo com o pesquisador, a tecnologia beneficia tanto viveiristas quanto produtores rurais.
“As mudas alcançaram altura adequada para o transplantio e apresentaram raízes vigorosas, o que favorece o pegamento no campo e reduz o tempo e os custos de produção. A principal vantagem está no baixo custo, já que utilizamos materiais abundantes na região Sul do Estado e que, muitas vezes, não têm destinação adequada”.
Saiba mais
Composição de baixo impacto ambiental
O fertilizante é produzido a partir da palha de café, da torta de filtro da indústria sucroalcooleira e do pó de gesso da construção civil. O uso desses resíduos reduz o descarte inadequado e transforma subprodutos em insumos agrícolas.
Melhoria das características do substrato
A mistura garante boa porosidade, retenção de água e sustentação das mudas, criando condições adequadas para o desenvolvimento das raízes e o crescimento inicial das plantas.
Fornecimento de nutrientes essenciais
O pó de gesso atua como fonte de cálcio e enxofre, enquanto a torta de filtro contribui com matéria orgânica e minerais, favorecendo mudas mais vigorosas e uniformes.
Redução de custos e ganhos produtivos
O uso de materiais abundantes na região diminui a dependência de substratos comerciais, reduz o custo de produção e melhora o pegamento das plantas no campo.
Fonte: Incaper.
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