Falta de mão de obra é maior desafio para a fruticultura no ES
Mesmo em expansão, fruticultura capixaba lida com aumento dos custos, escassez de trabalhadores e dificuldades no campo
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Mesmo em expansão, a fruticultura capixaba enfrenta obstáculos que vão do bolso do consumidor ao aumento do custo de produção. Um dos mais citados é a falta de mão de obra.
Marlon Dutra, que responde pela Coordenação Técnica de Produção Vegetal do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), aponta que se há baixa oferta de mão de obra, a tendência é que o custo de produção aumente.
Outro fator que pressiona os custos é o valor de insumos importados, como o adubo, que são afetados por eventos mundiais, como guerras.
Apesar disso, ele ressalta que a alta dos custos não costuma inviabilizar o cultivo das frutas, já que grande parte das culturas é permanente, o que permite diluir o investimento inicial ao longo dos anos.
“Tem cultura em que a mão de obra representa 50% do custo. Em outras, 20% ou 30%. Mesmo com aumento, o produtor não vai parar de produzir determinada fruta porque a maioria delas é permanente”.
Mesmo diante dos desafios, Marlon avalia que a fruticultura é um ótimo negócio. “Porque é possível ter alto rendimento em pequenas áreas”, diz.
Também são apontados desafios ligados às políticas públicas. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faes), Júlio Rocha, afirma que culturas como cacau e morango enfrentam problemas pela falta de medidas federais voltadas à proteção dos produtores.
No caso do morango cita a falta de taxas para limitar importação e linhas de crédito que ajudem na produtividade. No cacau, cita que a falta de políticas de proteção adequadas fizeram o preço despencar de R$ 4 mil para R$ 800 a saca.
Duila Rosa, de 62 anos, e sua filha Maihanny, de 38 anos, produzem cacau há mais de 10 anos no Sitio Santa Maria, em Rio Bananal, e já enfrentaram vários desafios, como a queda no valor do preço e dificuldade com a mão de obra.
Apesar disso, Maihanny conta que o maior desafio foi o início, pela falta de conhecimento para fazer o manejo adequado.
“Hoje, com a ajuda do Senar [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural], conseguimos aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade”, conta. “Estamos felizes com a nossa produção”, acrescenta Duila.
Conselhos aos produtores
Invista em tecnologia
A dificuldade de encontrar mão de obra já afeta boa parte do agronegócio e também chegou à fruticultura. Especialistas recomendam que produtores invistam em tecnologia, mecanização e novos sistemas de cultivo para aumentar a produtividade e reduzir custos.
Busque conhecimento
Participar de encontros do setor, cursos e capacitações pode ajudar o produtor a enfrentar desafios da lavoura e melhorar a qualidade da produção. A troca de experiências com agricultores mais experientes também é apontada como uma ferramenta importante para lidar com problemas como pragas, manejo e produtividade.
Diversifique a renda
Para o subsecretário Michel Teler, a fruticultura pode ser uma alternativa viável e rentável para diversificar a produção rural. O cultivo de frutas permite ampliar fontes de renda e reduzir a dependência de uma única cultura.
Aposte na sustentabilidade
O uso de práticas sustentáveis é visto como caminho para garantir qualidade, competitividade e acesso a mercados cada vez mais exigentes. Técnicas de manejo sustentável também ajudam a preservar recursos naturais e aumentar a eficiência da produção.
“Mais difícil é ter coragem”
Com simplicidade e a experiência acumulada em quase dez anos lidando com os melindros da uva, o produtor Hercílio Krohling, 65 anos, resume o principal obstáculo da atividade no campo: coragem.
“O mais difícil é ter coragem e vontade de encarar. Tendo isso, você consegue. Mas, se não cuidar, pode ter certeza de que é prejuízo lá na frente”, afirma.
Ao lado da mulher, Maria Terezinha, 68, Hercílio mantém uma propriedade em Alfredo Chaves com diferentes cultivos. A diversificação, segundo ele, é justamente o que garante estabilidade ao produtor ao longo do ano.
“Se você tem uma coisa só, acabou aquela safra, você fica sem opção. Eu não. Comecei colhendo pêssego em novembro, entrei na uva, fui para a pitaya e agora já estou terminando a goiaba. Aí começo a preparar a uva para a poda novamente”, conta.
Com foco principal na uva, o casal consegue colher cerca de 700 quilos por safra. O recorde da propriedade foi 950 quilos, conta, com orgulho claro na voz. Diz também que a produção da fruta começou como alternativa após anos trabalhando com café. “Com a idade, não dava mais”, relembra.
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