Café "pra lá de exótico" produzido no ES custa mais de R$ 1.500 o quilo
“Pra lá de exótico”, produto nasce de grãos expelidos por ave, é coletado e recebe limpeza rigorosa até chegar à xícara
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Um café, que para muitos pode parecer “pra lá de exótico”, pode custar cerca de R$ 1.530 o quilo e é produzido na região Serrana do Estado.
Cultivado na Fazenda Camocim, em Domingos Martins, o Jacu Coffee segue um método peculiar. Os grãos são retirados das fezes do jacu, ave nativa da Mata Atlântica conhecida por selecionar apenas os frutos maduros. Tal comportamento também contribui para a regeneração ambiental.
De baixo teor de cafeína e enquadrado na categoria de cafés especiais, o produto conquistou reconhecimento internacional e figura entre os mais caros do País. A produção é limitada e depende do comportamento da ave, o que reforça seu caráter exclusivo.
Responsável pela produção, o cafeicultor Henrique Sloper atribui o alto valor ao processo artesanal. A cadeia produtiva envolve coleta manual, higienização rigorosa e beneficiamento cuidadoso dos grãos, etapas que exigem tempo e mão de obra especializada.
“A alta do preço provavelmente afetou o consumo do café normal, desses que compramos no supermercado. Não coloco esse café em competição. É exótico, como tantos outros no mundo. Se calculasse o custo, provavelmente deixaria de produzir. Mantenho no portfólio porque ele me permite mostrar o que acontece numa propriedade que adota a agricultura regenerativa, que acredito ser o futuro do café”, afirma.
A ideia surgiu após o produtor conhecer o Kopi Luwak, café indonésio obtido a partir de fezes de civetas. No caso brasileiro, o jacu desempenha múltiplas funções na lavoura. “Ele atua como indicador de colheita, pois só aparece quando o fruto está maduro; seleciona os melhores grãos e ainda contribui para o plantio de outras espécies ao espalhar sementes”.
Além do valor comercial, o jacu passou a ser visto como aliado da produção. Antes considerado uma ameaça à lavoura, hoje é tratado como parceiro. Desde 2018, quando bandos foram observados consumindo os frutos maduros, a presença da ave passou a integrar a rotina da fazenda.
“O Jacu Coffee já é um produto de nicho e não concorre com o café convencional. Trata-se de um processo manual, demorado e de alto custo, que começa na coleta e segue até o beneficiamento final.”
Curiosidades
Valor e produção exótica
Café pode chegar a cerca de R$ 1.530 o quilo e está entre os mais caros do Brasil.
Grãos são retirados das fezes do jacu, ave nativa da Mata Atlântica.
O pássaro seleciona apenas frutos maduros, o que influencia na qualidade final do produto.
Produção é limitada e depende da presença da ave na lavoura.
Inspiração veio do Kopi Luwak, café produzido na Indonésia.
Jacu também contribui para o meio ambiente ao dispersar sementes por onde passa.
A Ave, antes vista como praga, hoje é tratada como aliada da produção.
Processo
Envolve coleta manual, higienização e beneficiamento criterioso.
Características
Bebida tem baixo teor de cafeína e perfil considerado suave.
Fonte: Pesquisa AT.
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