Adestradores ensinam técnicas para seu cão latir menos
Redação jornal A Tribuna
O latido é a forma natural dos cães se comunicarem, porém pode se tornar incômodo quando ocorre em excesso. Esse comportamento é indicativo de que algo está errado e de que o tutor precisa aprender a lidar com o animal ou atender a alguma necessidade dele de modo adequado.
O processo para educar e ajustar o comportamento do pet demanda tempo e dedicação, mas é possível contornar o problema.
A pedido do AT em Família, especialistas em comportamento caninos dão dicas sobre o que pode ser feito para reduzir os latidos. O primeiro passo é entender a causa da vocalização canina.
Consultora comportamental e adestradora da Cão Cidadão, Rita Vasconselos cita entre as razões mais comuns dos latidos o estresse, a ansiedade, o medo, a necessidade de chamar a atenção e de demarcar território, os problemas de saúde e a ociosidade.
Ao lidar com esse problema, muitos tutores cometem erros e acabam até piorando a situação.
“Quando tentam acabar com os latidos punindo ou gritando com o cachorro, podem induzir o animal a latir mais”, menciona. “Ou se o cachorro late porque quer algo e o tutor cede à vontade do dog, para que ele pare de latir, na verdade ele está ensinando ao cachorro que para ganhar o que quer ele precisa latir.”
A vocalização excessiva costuma ser vista pelos tutores como problema. Para o educador canino Arthur de Almeida Jesus, é apenas o sintoma de que o cão não tem habilidade para passar pela situação em que ele está no momento em que late de forma tranquila.
“Dependendo da situação, é fácil resolver trabalhando as necessidades básicas do pet que são atividade física, atividade mental, sociabilidade e alimentação. Se consigo oferecer a ele uma rotina que desenvolve esses quatro pontos, vou deixá-lo em condição para sempre aprender algo novo.”
Assim, quando o animal precisar “pedir” algo, ele conseguirá expressar de um modo que não é latindo.
Os especialistas observam que tutores apenas buscam ajuda profissional quando a situação se agrava e entendem que não conseguem identificar sozinhos a causa da vocalização excessiva.
Após o treino, os ajustes à rotina devem ser mantidos para evitar a regressão.
"Aprendeu a confiar nas pessoas"
Hoje com 10 meses, Mango foi recebido em um lar amoroso quando tinha apenas dois, mas ainda carregava traumas e medo. A arquiteta Letícia Gobetti Marquetti, 26, conta que ele era muito assustado e latia para todas as pessoas.
Há dois meses, o peludo iniciou um treinamento e se transformou.
“Fazíamos exercícios para ele interagir com várias pessoas e entender que elas podem ser boas. Ele ganhou confiança e percebeu que não faríamos mal a ele”, recorda.
Fique por dentro
Entenda a causa
Há vários motivos para o latido excessivo. Os mais comuns são estresse, ansiedade, medo, necessidade de chamar a atenção, latidos territoriais, problemas de saúde e ociosidade.
Não reforce esse hábito
Se você atende ao desejo do cão toda vez que ele late, ele vai entender que essa é uma forma de conseguir o que quer. Se ele late para chamar sua atenção e você briga com ele, pronto! Ele conseguiu sua atenção como queria e vai continuar latindo para te atrair.
Não ignore
Ignorar também não é uma boa estratégia, pois poderá criar outros traumas no pet.
Cuidado para não piorar
Repreender o animal por latir quando está com medo pode até evoluir para um caso de agressividade.
Prepare-se para a chegada do pet
Melhor do que saber lidar com os latidos excessivos é evitar que eles ocorram. Isso deve começar logo que o cão chega ao novo lar. Como estará em um ambiente desconhecido, o latido é uma forma de pedir ajuda.
Prepare-se para receber o animal em casa com tempo para apresentar o lar e a família para ele. Assim, quando tiver de ficar sozinho para dormir, já estará um pouco familiarizado com o ambiente.
Assuma a responsabilidade
Não o exponha a situações estressantes, como permitir que algum outro animal que o está incomodando se aproxime. Ele tem de ser sociável, mas pode acontecer de se incomodar, especialmente se o outro já estiver agitado ou agressivo. A forma que ele vai encontrar para lidar é latindo.
Mesmo em outras situações, o tutor deve entender que ele é responsável pelo animal e que o comportamento dele é consequência dos estímulos que recebe. Se ele passa o dia inteiro sem gastar energia, ele vai externar isso em latidos ou destruição, e a responsabilidade é do humano que não oferece condições apropriadas para ele.
Atividades físicas
O animal tem de se exercitar, seja com passeios ou jogos, como de ir buscar a bolinha. Ele precisa ter um bom gasto de energia duas vezes ao dia.
Atividades mentais
O pet precisa trabalhar a mente dele através de desafios. Pode ser aprendendo comandos como “senta” e “pega” ou truques que o tornem apto a resolver seus próprios problemas.
Sociabilidade
O pet deve ter contato com outras pessoas e também com outros animais. A interação é positiva para eles. Quanto mais, melhor.
Alimentação
Uma alimentação saudável para atender às necessidades nutricionais dele. O momento da refeição também pode ser utilizado para estímulos, como criando desafios para encontrar petiscos.
Saiba quando pedir ajuda
Há casos em que é necessário pedir ajuda profissional. Depois de descartar quaisquer problemas de saúde, com um médico veterinário, o adestrador/consultor comportamental irá avaliar o motivo dos latidos excessivos e criará um plano de treino para a resolução do problema.
Fonte: Especialistas entrevistados.
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AT em Família,por Redação jornal A Tribuna