Gustavo Mioto: Sertanejo sem medo de arriscar
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A inquietude artística fez com que o sertanejo Gustavo Mioto, 23, saísse da sua zona de conforto durante a pandemia.
Após período “sem querer produzir nada”, seu lado destemido falou mais alto e ele decidiu unir seu som aos mais diversos ritmos com o projeto “Mistura”.
“Ele vem para mostrar que a música não é restritiva, que a gente pode abranger outros gêneros também e ser feliz fazendo isso, porque eu me diverti muito! Acho bacana fazer algo que, talvez, não é o que a galera espera ouvir de você”, revelou, durante coletiva.
E complementa: “Uma boa galera do sertanejo poderia estar num andar muito mais alto, mas, talvez, por medo do que falariam, de comentarem 'mas isso aí não é sertanejo', esses artistas ficam meio presos. E eu nunca tive isso”, afirmou.
O 1º volume de “Mistura” é dedicado ao forró e conta com participações de artistas consagrados do ritmo: Dorgival Dantas, Calcinha Preta e Raí Saia Rodada. Juntos, cantam hits de Mioto e também dos convidados.
“Na minha cabeça pareceu o gênero certo a começar”, disse, deixando claro que a escolha não tem a ver com o sucesso do piseiro.
Apesar de querer mostrar sua versatilidade como artista, Mioto deixa claro que não pretende se desligar da imagem de sertanejo. “É um projeto paralelo aos meus trabalhos. Nasci, cresci e vou morrer sendo um cantor sertanejo. Mas nunca é ruim alçar voos diferentes”, contou o jovem, que, em novembro, lançou o clipe do single “Despedida de Casal”.
“A essência do meu trabalho é sertaneja porque gosto de sofrer, de fazer canções românticas, porém, hoje, pessoas fazem música”, completou ele, que está solteiro.
ENTREVISTA | Gustavo Mioto, cantor “É essencial que você seja inquieto”
Como foi a escolha do repertório e participações do “Mistura (Vol. 1)”?
Gustavo Mioto Sempre fui muito fã do Dorgival Dantas, e fiz uma live no São João em que comecei a buscar algumas coisas que escutava da cultura musical nordestina e aí não podiam faltar ele e o Calcinha Preta. Já o Raí, a gente já estava combinando de gravar algo junto há dois anos, então, quando surgiu o “Mistura”, me pareceu uma boa oportunidade de unir os três. Peguei as três músicas que mais gostava de cada um e elegi uma para gravar.
Tem vontade de gravar com mais artistas do forró?
A cultura musical nordestina é muito grande, então tem muitos artistas que não entraram, mas ainda temos outros “Misturas” pra fazer. Quem sabe a gente não faz outro? O volume 1 é só o começo!
Como a pandemia te afetou?
Passei muito tempo sem conseguir escrever e querer produzir. As lives, eu fazia, mas meio que não estava completo ali, sabe? Então, demorou muito até que voltasse a ter algo dentro de mim que acendesse a chama de novo. Aí surgiu esse projeto, que me lembraria de como é encontrar outros artistas e gravar músicas que gosto desde guri.
Quais outros estilos você tem vontade de gravar?
Quero fazer o “Mistura” pagode, funk, axé, reggaeton e rock. Sou muito fã de Jota Quest, Capital e Skank. Sempre tive vontade de fazer algo com eles.
O volume 1 foi uma homenagem consciente ao Nordeste?
Sim. A ideia do “Mistura” é homenagear outros estilos, para mostrar que, dentro do sertanejo, a gente não tem essa vaidade de não querer gravar com outros gêneros. Eu sempre gostei muito dessa mistura e acho que ela só enriquece.
É um artista inquieto?
É essencial que você seja inquieto com seu trabalho, sempre querendo criar uma coisa nova.
E ansioso?
Muito! Para desestressar, eu jogo! Sempre gostei de tecnologia, tenho vários amigos que jogam profissionalmente, então acaba que a gente joga junto e acabou que isso virou uma terapia pra mim. Também voltei a estudar guitarra.
Os artistas estão preocupados com o hit do verão. Mas, você, ao abraçar o forró, saltou para junho! Acha que as coisas voltam ao normal só em junho?
Acho que a gente deve voltar ao normal em abril ou maio, e olhe lá! Porque, pelo cronograma de vacinação que vi, vou tomar essa vacina em 2023 (Risos). Então, acredito que as coisas podem voltar ao normal no São João e é o que eu espero, é minha época preferida.
Aprendeu algo com essa mistura de estilos?
Muito! A gente precisou estudar como toca, grava, como a galera faz com o forró, porque é diferente. E, no dia de gravar, você aprende muito com os convidados. Achava que o Dorgival era uma entidade, que ele nem pisava no chão. E ele chegou sendo a lenda que ele é e na maior humildade.
É crítico com seu trabalho?
Muito! Ouço pouco Gustavo Mito porque sei que toda vez que escutar, vou pensar “poderia ter feito melhor nessa parte aqui”.
É um momento de destruição das fronteiras culturais?
Torci muito para esse tempo chegar. Muitos gêneros do Brasil acabaram caindo em resultado dessas brigas desnecessárias de estilos. Têm muitos gêneros que você não escuta falar exatamente por essa falta de união. E é por isso que o sertanejo hoje é o gênero número 1 do Brasil: você vê um sertanejo gravando parceria toda hora.
Não tem medo de convidar artistas para parcerias?
Os artistas brasileiros todos eu já tenho contato. Com os internacionais, mando direct direto! Nunca respondem, mas vai que respondem um dia? Para o John Mayer, mando quase todo dia. Apago a mensagem, copio e mando a mesma mensagem de novo!
Uma vez fui ao show do Keith Urban nos Estados Unidos e mandei direct pra ele a semana inteira pra ver se ele respondia. Nunca respondeu, porém, tamo aí! (Risos).
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