Maioria dos casos de sepse começa fora do hospital
Redação jornal A Tribuna
A menor resistência do organismo contra infecções em idosos e recém-nascidos faz com que as pessoas nos extremos de idade sejam mais vulneráveis a uma condição com alta taxa de mortalidade no Brasil: a sepse.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, a sepse foi reconhecida como um problema de saúde mundial com 31 milhões de casos por ano e mais de 6 milhões de mortes.
O Brasil apresenta uma das maiores taxas de mortalidade por sepse no mundo. São cerca de 670 mil casos por ano, sendo que 50% acabam em morte.
Dados do Instituto Latino-americano de Sepse (Ilas) indicam que de 60% a 70% dos casos se desenvolveram a partir de bactérias, vírus e fungos contraídos fora do ambiente hospitalar.
O cirurgião vascular e geral, e presidente da Associação Médica do Espírito Santo, Leonardo Lessa, explicou em entrevista ao AT em Família o que causa a sepse e a sua gravidade.
AT em Família – Por que a sepse acontece?
Leonardo Lessa – A sepse é a resposta exacerbada do corpo a uma infecção, causando danos secundários e desequilíbrio ao organismo. Na maioria das vezes, o corpo humano é capaz de debelar as infecções sem maiores transtornos.
Mas quando o estado de sepse se estabelece, fica caracterizada a gravidade do quadro que pode evoluir rapidamente para um estado mais grave chamado “choque séptico”. Nesse caso, os serviços de urgência devem ser procurados.
Ela pode ocorrer em muitas situações, como a gravidade e a agressividade do organismo causador ou pela resposta “exagerada” do organismo.
Como a sepse pode resultar em morte?
Ela causa um desequilíbrio entre a oferta de oxigênio e nutrientes pelo sangue e a demanda das células, causando lesões em um ou mais órgãos do nosso corpo.
A dilatação dos vasos sanguíneos leva à queda da pressão arterial, agravando ainda mais esse quadro.
A doença é causada por um vírus ou uma bactéria específica?
Na verdade, a doença pode ser causada por vários tipos de vírus ou de bactérias.
É contagiosa?
Não se trata de doença contagiosa. No entanto, por se tratar de doença causada por vírus e bactérias, esses podem ser transmitidos, mas podem ou não causar sepse no novo hospedeiro.
Qualquer infecção pode levar à sepse? Quais as mais comuns?
Pneumonias, infecções urinárias, infecções do aparelho gastrointestinal e da pele, sendo que as pulmonares são as mais frequentes.
Algumas pessoas relacionam a ocorrência da sepse à estadia no hospital. Há de fato alguma relação? É mais comum ocorrer durante a estadia hospitalar?
Os micro-organismos hospitalares são mais agressivos, favorecendo o surgimento da doença. Mas a sepse também pode ocorrer em infecções comunitárias.
Qual é a diferença entre sepse e choque séptico?
O choque séptico é a sepse agravada com falência do sistema cardiovascular, com queda da pressão arterial e é um estado que representa gravidade com risco de morte.
Dá para prevenir a sepse?
Medidas básicas de prevenção são fundamentais, tais como ter boa higiene, lavas as mãos, seguir regularmente o calendário de vacinação e evitar automedicação, especialmente o uso indiscriminado de antibióticos.
SAIBA MAIS
Tratamento da sepse
- Deve ser rápido e preciso. Feito no hospital com equipe especializada.
- Trata o foco infeccioso com uso de antibióticos, com acompanhamento rigoroso dos exames laboratoriais e identificando o causador.
- Medidas específicas recuperam a pressão arterial e mantêm a respiração adequada. São tratadas as complicações, como renais, hepáticas e neurológicas.
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AT em Família,por Redação jornal A Tribuna