Crianças também podem sofrer derrame cerebral
Redação jornal A Tribuna
O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame, acontece mais frequentemente em adultos e idosos, entretanto crianças também podem ser afetadas, embora seja mais raro.
No Brasil, o AVC é a segunda principal causa de morte na população em geral, segundo o Ministério da Saúde. Alguns estudos apontam para uma taxa de incidência de oito casos novos a cada 100 mil crianças por ano.
As causas das lesões nos vasos cerebrais que prejudicam a circulação sanguínea e a nutrição do cérebro são diferentes em crianças e adultos.
Para entender mais sobre como a doença afeta os pequenos, o AT em Família entrevistou o neurologista Rodrigo Braga Ferreira.
AT em Família – As causas de AVC nas crianças são as mesmas que em adultos?
Rodrigo Braga Ferreira – Enquanto nos adultos as causas mais comuns giram em torno de complicações do diabetes, hipertensão arterial e tabagismo, nas crianças os AVCs ocorrem por doenças cardíacas congênitas e adquiridas, doenças que afetam as artérias e alterações no sangue, como doenças da coagulação do sangue e anemia falciforme.
Quais fatores estão associados ao AVC na infância?
De forma geral, podemos dividir as causas de AVC em crianças da seguinte forma:
• Doenças do coração, que podem ser adquiridas ou malformações congênitas;
• Doenças que envolvem as artérias, desde alterações genéticas a adquiridas, como por exemplo as lesões traumáticas que rompem as artérias;
• Doenças sanguíneas, como a Anemia Falciforme, que é a principal causa de AVC em crianças;
• Doenças infecciosas, como endocardite e doença de Chagas.
Há como prevenir?
Diferente dos adultos, o AVC em crianças está relacionado a doenças preexistentes, como doenças genéticas e malformações cardíacas, não podendo ser prevenido.
Qual a faixa etária mais afetada entre as crianças?
A ocorrência de AVC aumenta exponencialmente com a idade, não tendo uma idade específica para o surgimento. Sabe-se que na adolescência o número de casos de AVC aumenta, isso muito se justifica pela maior incidência de uso de drogas ilícitas nessa faixa etária.
Como identificar que a criança está tendo um AVC, especialmente naquelas que ainda não sabem se comunicar?
A grande característica do AVC são sintomas súbitos. Os mais comuns e facilmente reconhecíveis são perda de força de um lado do corpo, alteração de fala (dicção embolada) e boca torta.
Como os pais devem agir nesses casos?
Os pais devem procurar um hospital para investigação do quadro clínico do paciente o mais rápido possível.
O ideal é identificar o AVC dentro de qual prazo?
Diferente do adulto, não temos tratamento agudo (inicial) liberado para a faixa etária pediátrica. Em adultos, usamos uma medicação que dissolve o coágulo que está impedindo o fluxo de sangue. Porém, ele não é recomendado para crianças.
Como é o tratamento nas crianças?
Com suporte direcionado à causa do AVC. O tratamento medicamentoso com Alteplase não foi aprovado para menores de 18 anos e os estudos de trombectomia não incluíram a faixa etária pediátrica
Quais os riscos do diagnóstico tardio?
Todo AVC apresenta risco de piora nos primeiros 2 a 5 dias, portanto o reconhecimento rápido e o atendimento em serviço qualificado são importantes para dar suporte ao paciente.
Ficam sequelas? Podem ser reversíveis?
Dependendo dos sintomas apresentados, há chance de sequelas, sendo proporcional à gravidade do AVC. Nas crianças há uma chance maior de recuperação devido à plasticidade cerebral, ou seja, uma maior capacidade de recuperação dos neurônios.
Perguntas do leitor
Resposta: Tudo dependerá da causa desse AVC na infância. Para as causas corrigidas e tratadas esse risco é pequeno. Já nos casos de doenças genéticas ou malformações, em que o tratamento adequando não é possível, o risco desse paciente será maior com o passar dos anos.
Marcela Costa, 43 anos, embaladora: Crianças que já tiveram AVC precisam de acompanhamento contínuo?
Resposta: O seguimento com neuropediatra dependerá muito da causa do acidente vascular cerebral na criança.
Em pacientes que apresentam Anemia Falciforme, por exemplo, o mais importante é o tratamento adequado com o hematologista.
Saiba mais
Sintomas súbitos
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Sintomas que surgem de repente são um alerta para um possível Acidente Vascular Cerebral.
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Os mais comuns e fáceis de serem identificados são alteração na fala, perda de força em um lado corpo e boca torta.
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É necessário atendimento imediato, já que há risco de piora nos primeiros cinco dias, podendo deixar sequelas.
Fique por dentro
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O Acidente vascular cerebral (AVC) é uma lesão de algum vaso sanguíneo que nutre o cérebro. Pode ocorrer por rompimento de artérias, levando a sangramentos (casos hemorrágicos), ou por isquemia, que é a diminuição do aporte de sangue para uma parte do cérebro.
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InfográficoAs causas nas crianças costumam ocorrer por doenças cardíacas congênitas ou adquiridas que afetam as artérias ou que provocam alterações no sangue. Enquanto nos adultos geralmente estão associadas a complicações do diabetes, hipertensão arterial e tabagismo.
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O tratamento para crianças é por meio de suporte direcionado à causa do AVC. Terapia medicamentosa com Alteplase não foi aprovado para menores de 18 anos e os estudos de trombectomia não incluíram a faixa etária pediátrica.
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Isquemia - Falta de fornecimento de sangue em um tecido orgânico por obstrução.
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Sequela - Alteração anatômica ou funcional causada por doença ou acidente.
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AT em Família,por Redação jornal A Tribuna