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AT EM FAMÍLIA

Crianças também podem sofrer derrame cerebral

| 31/08/2020, 19:13 h | Atualizado em 31/08/2020, 19:29
AT em Família

Redação jornal A Tribuna



          Imagem ilustrativa da imagem Crianças também podem sofrer derrame cerebral
Rodrigo Ferreira: “Perda de força e alteração na fala são sintomas” |  Foto: Divulgação

O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame, acontece mais frequentemente em adultos e idosos, entretanto crianças também podem ser afetadas, embora seja mais raro.

No Brasil, o AVC é a segunda principal causa de morte na população em geral, segundo o Ministério da Saúde. Alguns estudos apontam para uma taxa de incidência de oito casos novos a cada 100 mil crianças por ano.

As causas das lesões nos vasos cerebrais que prejudicam a circulação sanguínea e a nutrição do cérebro são diferentes em crianças e adultos.

Para entender mais sobre como a doença afeta os pequenos, o AT em Família entrevistou o neurologista Rodrigo Braga Ferreira.

AT em Família – As causas de AVC nas crianças são as mesmas que em adultos?

Rodrigo Braga FerreiraEnquanto nos adultos as causas mais comuns giram em torno de complicações do diabetes, hipertensão arterial e tabagismo, nas crianças os AVCs ocorrem por doenças cardíacas congênitas e adquiridas, doenças que afetam as artérias e alterações no sangue, como doenças da coagulação do sangue e anemia falciforme.

Quais fatores estão associados ao AVC na infância?

De forma geral, podemos dividir as causas de AVC em crianças da seguinte forma:

• Doenças do coração, que podem ser adquiridas ou malformações congênitas;

• Doenças que envolvem as artérias, desde alterações genéticas a adquiridas, como por exemplo as lesões traumáticas que rompem as artérias;

• Doenças sanguíneas, como a Anemia Falciforme, que é a principal causa de AVC em crianças;

• Doenças infecciosas, como endocardite e doença de Chagas.

Há como prevenir?

Diferente dos adultos, o AVC em crianças está relacionado a doenças preexistentes, como doenças genéticas e malformações cardíacas, não podendo ser prevenido.

Qual a faixa etária mais afetada entre as crianças?

A ocorrência de AVC aumenta exponencialmente com a idade, não tendo uma idade específica para o surgimento. Sabe-se que na adolescência o número de casos de AVC aumenta, isso muito se justifica pela maior incidência de uso de drogas ilícitas nessa faixa etária.

Como identificar que a criança está tendo um AVC, especialmente naquelas que ainda não sabem se comunicar?

A grande característica do AVC são sintomas súbitos. Os mais comuns e facilmente reconhecíveis são perda de força de um lado do corpo, alteração de fala (dicção embolada) e boca torta.

Como os pais devem agir nesses casos?

Os pais devem procurar um hospital para investigação do quadro clínico do paciente o mais rápido possível.

O ideal é identificar o AVC dentro de qual prazo?

Diferente do adulto, não temos tratamento agudo (inicial) liberado para a faixa etária pediátrica. Em adultos, usamos uma medicação que dissolve o coágulo que está impedindo o fluxo de sangue. Porém, ele não é recomendado para crianças.

Como é o tratamento nas crianças?

Com suporte direcionado à causa do AVC. O tratamento medicamentoso com Alteplase não foi aprovado para menores de 18 anos e os estudos de trombectomia não incluíram a faixa etária pediátrica

Quais os riscos do diagnóstico tardio?

Todo AVC apresenta risco de piora nos primeiros 2 a 5 dias, portanto o reconhecimento rápido e o atendimento em serviço qualificado são importantes para dar suporte ao paciente.

Ficam sequelas? Podem ser reversíveis?

Dependendo dos sintomas apresentados, há chance de sequelas, sendo proporcional à gravidade do AVC. Nas crianças há uma chance maior de recuperação devido à plasticidade cerebral, ou seja, uma maior capacidade de recuperação dos neurônios.


Perguntas do leitor



          Imagem ilustrativa da imagem Crianças também podem sofrer derrame cerebral
Beatriz de Oliveira Melo, enfermeira |  Foto: Acervo pessoal
Beatriz de Oliveira Melo, 24 anos, enfermeira: Adultos que sofreram derrame na infância têm risco elevado de ter um novo AVC?

Resposta: Tudo dependerá da causa desse AVC na infância. Para as causas corrigidas e tratadas esse risco é pequeno. Já nos casos de doenças genéticas ou malformações, em que o tratamento adequando não é possível, o risco desse paciente será maior com o passar dos anos.


Marcela Costa, 43 anos, embaladora: Crianças que já tiveram AVC precisam de acompanhamento contínuo?

Resposta: O seguimento com neuropediatra dependerá muito da causa do acidente vascular cerebral na criança.

Em pacientes que apresentam Anemia Falciforme, por exemplo, o mais importante é o tratamento adequado com o hematologista.


Saiba mais


Sintomas súbitos

  • Sintomas que surgem de repente são um alerta para um possível Acidente Vascular Cerebral.

  • Os mais comuns e fáceis de serem identificados são alteração na fala, perda de força em um lado corpo e boca torta.

  • É necessário atendimento imediato, já que há risco de piora nos primeiros cinco dias, podendo deixar sequelas.


Fique por dentro


  • O Acidente vascular cerebral (AVC) é uma lesão de algum vaso sanguíneo que nutre o cérebro. Pode ocorrer por rompimento de artérias, levando a sangramentos (casos hemorrágicos), ou por isquemia, que é a diminuição do aporte de sangue para uma parte do cérebro.

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          Imagem ilustrativa da imagem Crianças também podem sofrer derrame cerebral
    Infográfico |  Foto: Genildo Ronchi

    As causas nas crianças costumam ocorrer por doenças cardíacas congênitas ou adquiridas que afetam as artérias ou que provocam alterações no sangue. Enquanto nos adultos geralmente estão associadas a complicações do diabetes, hipertensão arterial e tabagismo.

  • O tratamento para crianças é por meio de suporte direcionado à causa do AVC. Terapia medicamentosa com Alteplase não foi aprovado para menores de 18 anos e os estudos de trombectomia não incluíram a faixa etária pediátrica.

  • Isquemia - Falta de fornecimento de sangue em um tecido orgânico por obstrução.

  • Sequela - Alteração anatômica ou funcional causada por doença ou acidente.

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