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Folha de São Paulo
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Escolhida ontem para o cargo de presidente do Iphan (Instituto de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Larissa Rodrigues Peixoto Dutra tem laço de amizade com a família de Jair Bolsonaro.
Ela se casou em 2013 com Gerson Dutra Júnior, mais conhecido como Patropa, agente da Polícia Federal que trabalhou na segurança de Bolsonaro em 2018. Desde então, Dutra é próximo de Leonardo de Jesus, o Leo Índio, primo dos filhos do Presidente.
Amigos
Nas redes sociais, Leo Índio e Dutra trocam elogios e lembranças. Em janeiro de 2019, Dutra disse a Leo que trabalhar na segurança de Bolsonaro havia sido uma missão “emblemática” e “nobre”.
Turma
Quem também trabalhou na segurança de Bolsonaro em 2018 foi Alexandre Ramagem, o escolhido pelo Presidente para ocupar o cargo de diretor-geral da Polícia Federal que foi barrado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Histórico
Ao Painel, a assessoria de imprensa do Ministério do Turismo diz que a escolha de Larissa foi baseada em critérios técnicos e se fundamenta em sua carreira de 11 anos como servidora da pasta. O ministério não comentou a relação de Larissa com o segurança de Bolsonaro. Por telefone, ela pediu que o tema fosse tratado com a assessoria.
Controle
Ex-ministro da Cultura, área à qual o Iphan era vinculado até 2019, o deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ) diz que o órgão tem papel de fiscalização e pode ajudar a coibir crimes de corrupção. “É inacreditável que um governo que tenha sido eleito prometendo preencher os cargos de confiança com pessoal técnico se preste a esse papel”.
Ovo
Em dezembro, Bolsonaro fez críticas ao órgão, acusando-o de “embargar obras em qualquer lugar do Brasil”. Funcionários do Iphan acreditam que o rancor foi incentivado por Luciano Hang, da Havan, que gravou um vídeo acusando o órgão de parar uma obra no Rio Grande do Sul. O Iphan nega.
Agenda
O Tribunal de Contas da União (TCU) deu cinco dias para o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) se manifestar sobre as datas do Enem. O ministro Augusto Nardes diz que a pandemia tem reflexos na educação e indica ser necessário alterar o calendário. Entre 19 países com exames similares, só cinco mantiveram as datas.
Orelha quente
Alvo da pressão de bolsonaristas e de opositores na crise que já matou mais de 11 mil pessoas no Brasil, o ministro Nelson Teich (Saúde) aproveitou a ida ao Rio de Janeiro a trabalho para visitar a mãe no último domingo. No condomínio, na Barra da Tijuca, não teve folga e levou sermão.
Regras
Ao entrar no elevador, ouviu de uma criança de 6 anos que não sabia com quem falava: “Você não podia entrar aqui. Tem que sair”. O condomínio tem regra contra o coronavírus que permite a entrada de apenas uma família por vez no espaço.
Cuidado
Por sua idade, a mãe de Teich, Nelaby, de 87 anos, faz parte do grupo de risco, que, segundo recomendações do próprio Ministério da Saúde, deve ficar em isolamento social. O ministro havia visitado o Hospital Federal de Bonsucesso, referência no tratamento de Covid-19, um dia antes.
Obrigado
O ministro afirma que o encontro observou as recomendações de distanciamento, etiqueta respiratória e uso de máscara. Diz que realizou teste para coronavírus antes do encontro e que o resultado foi negativo. Sobre a bronca no elevador, diz ter agradecido a orientação.
Sabiam
O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo confirmou em depoimento que a operação contra o ex-capitão Adriano da Nóbrega, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), teve conhecimento prévio do Ministério da Justiça e tentou envolver a PF. O episódio foi revelado pelo Painel em fevereiro.
Extraoficial
Valeixo disse que o pedido de apoio foi feito por canal não apropriado.
Novidades
O governo nomeou ontem três novos diretores da PF, o de Logística, o de Gestão de Pessoal e o Técnico-Científico. A nomeação de Carlos Henrique Oliveira, atual chefe da PF do Rio, promovido a diretor-executivo, ainda não foi publicada.
Tiroteio
“A sinalização de que pode indicar Augusto Aras mostra que Bolsonaro vê o STF como uma casa de câmbio, de onde pode tirar proveito.”
Do deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), sobre Bolsonaro avaliar indicação no momento em que o PGR decidirá investigação contra o Presidente.
Publicação simultânea com a Folha de São Paulo
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Painel,por Folha de São Paulo