Como serão feitos os testes de coronavírus nas farmácias
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Para ampliar a oferta de testes da Covid-19 e reduzir a alta demanda em serviços públicos de saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu que, a partir de hoje, farmácias de todo o País passem a fazer testes rápidos da população.
Os testes deverão ser registrados no Brasil e poderão ser feitos somente em farmácias e drogarias regularizadas pela Anvisa. Não é necessária prescrição médica e qualquer pessoa poderá realizar a testagem com um farmacêutico treinado. A medida não será obrigatória para todos os estabelecimentos.
O produto não é recomendado para o diagnóstico da Covid-19, mas serve como ferramenta de auxílio e para verificar se pessoas já tiveram contato com a doença.
O teste rápido, de 10 a 30 minutos, detecta anticorpos do coronavírus. Por isso deve ser aplicado após o sétimo dia de sintomas, que é o período mínimo que o corpo leva para reagir ao novo coronavírus.
Segundo o Ministério da Saúde, se aplicado no tempo errado, a chance de erro do teste rápido é de 75%. “Sete dias ou mais é o tempo que o corpo leva para produzir anticorpos. E só depois desse tempo o teste pode determinar se a pessoa já teve ou não contato com o vírus. Por isso é comum o falso negativo”, explicou Luiz Carlos Cavalcanti, presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Estado.
Ele afirmou que a faixa de preço nas farmácias e drogarias deve variar entre R$ 200 e R$ 300. “E o teste deve ser feito na farmácia. A pessoa não vai poder comprar para levar para casa”, ressaltou.
O exame é realizado pela coleta de sangue, através de um furo no dedo. “O farmacêutico vai entrevistar o paciente para saber há quanto tempo ele tem os sintomas. Os profissionais vão passar por uma capacitação, mas não é nada muito diferente do que já estão acostumados a fazer”, destacou o presidente do CRF.
Os resultados deverão ser fornecidos para o paciente e enviados às autoridades de saúde. O relator da proposta foi o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, que informou que a vigência das novas normas valerá enquanto for mantida a emergência de saúde pública, decretada em fevereiro.
Medida pode confundir pacientes
A liberação da realização dos testes rápidos em farmácias recebeu críticas de médicos no Estado. Eles alegam que a pouca confiabilidade do produto pode causar confusão no paciente.
“O perigo do teste é que causa confusão nas pessoas, com resultados imprecisos, fazendo aumentar o fluxo no pronto-socorro”, afirmou o presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), Leonardo Lessa.
Ele destacou que é preciso que a pessoa avalie se é realmente necessário a realização do teste na farmácia. “Ela pode gastar dinheiro sem necessidade. O melhor é ter orientação médica para isso, mesmo se for para fazer na farmácia”.
O presidente do Sindicato dos Médicos e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Otto Baptista, afirmou ter preocupação. “É banalizar a realização de testes, fazer com que a coisa vire um oba-oba. Lugar de coleta de material biológico é em laboratório”, destacou Otto.
Já o presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Estado, Luiz Carlos Cavalcanti, destacou que vê a medida com cautela. “Afirmamos a necessidade das farmácias se adequarem ao que as notas técnicas pedem. E vamos fazer a fiscalização quando começar”.
Ele destacou que o valor do teste deve frear a procura. “Podemos ter dificuldade de encontrar no início mas isso se resolverá por aumento na oferta. Como o valor do teste é elevado para maior parte da população, acredito que esse fator também vai frear a procura”.
SAIBA MAIS
Testes rápidos
- A partir de hoje, farmácias estão autorizadas a realizar testes rápidos para detectar se a pessoa está infectada pelo novo coronavírus.
- Os testes são indicados para exames a partir de sete dias após o início dos sintomas. Os resultados ficam pronto entre 10 e 30 minutos.
- A realização dos exames não servirá para a contagem de casos de Covid-19 no País, uma vez que há a possibilidade do teste apontar o chamado “falso negativo”. Um dos objetivos é reduzir a alta demanda em serviços públicos de saúde durante a pandemia.
- As farmácias não serão obrigadas a oferecer o teste rápido, que varia entre R$ 200 e R$ 300.
- A aquisição dos testes deverá ser feitas em distribuidores autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Hoje, 21 testes rápidos são aprovados no País.
- Não será necessária prescrição médica para a realização do teste e qualquer pessoa poderá fazer.
Regras
- O teste deve ser realizado por um farmacêutico treinado.
- A farmácia deve delimitar uma área privativa no estabelecimento para fazer a testagem. A Anvisa também estabeleceu uma área isolada para o pagamento do material.
- O estabelecimento deverá disponibilizar para o paciente suspeito uma máscara cirúrgica e álcool em gel 70% para higiene das mãos.
- Deverá ser disponibilizado o procedimento escrito para o atendimento. O farmacêutico deverá ainda fazer perguntas pertinentes para o paciente, como sintomas.
- O farmacêutico deverá realizar a coleta fazendo uso e avental, óculos de proteção, touca, luvas descartáveis e máscara cirúrgica.
- O profissional deverá fornecer para o cliente uma Declaração de Serviço Farmacêutico, em meio físico ou digital, assinado, com o resultado do teste.
- Se o resultado for positivo, o farmacêutico deve orientar a pessoa a procurar uma unidade de saúde.
- Os resultados negativos e positivos devem ser informados às autoridades de saúde competentes.
- A pessoa poderá repetir o teste. Mas o ideal é esperar sete dias ou mais.
Fonte: Nota técnica 97/2020 da Anvisa.
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