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PAINEL

Bandeira branca

| 29/04/2020, 10:17 h | Atualizado em 29/04/2020, 10:21
Painel

Folha de São Paulo

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Nomeado por vontade de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem acenou para alvos do Presidente em sua primeira reunião como diretor-geral. O delegado fez nominalmente elogios aos superintendentes do Rio e de Pernambuco. Sergio Moro disse em sua saída que o Presidente queria substitui-los sem motivo. Ramagem também quis se posicionar em relação ao ex-ministro, fazendo menção positiva a dois delegados sabidamente ligados ao ex-juiz. O diretor pediu tranquilidade.

Seguro
Ramagem disse ainda que a PF possui controles suficientes, o que levou à interpretação de que ele quis dizer que o órgão está protegido de interferências.

Paz
Além dos 27 superintendentes convidados, participaram da reunião os atuais diretores e o ex-diretor-geral Maurício Valeixo. Os dois trocaram homenagens. A forma de transmissão do cargo foi elogiada por delegados, considerada civilizada.

Em troca
Ramagem deu indicações de que vai manter no cargo a superintendente de Pernambuco, Carla Patrícia. Ele disse no encontro virtual que vai mexer na diretoria, mas sem pressa. Como contou o Painel, alguns dos atuais integrantes da cúpula vão para fora do País.

Apoio
Em seu perfil no Twitter, Rebeca Ramagem, mulher do novo diretor-geral, tem promovido algumas das pautas mais controversas do governo e tem atacado políticos com os quais o Presidente tem vivido relação tensa.

Oposição
Rebeca tem pedido com frequência o impeachment do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e diz que ele é pior que o ex-presidente Lula (PT). Ela também critica o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e defende votação popular para o cargo em postagens contra o deputado.

Corrente
Rebeca também postou críticas à imprensa. As hashtags mais usadas: em abril pediu #jejumpeloBrasil; em março, #oBrasilnãopodeparar, #Jairnãocainemapau e #Dia15EuVouPeloJair, sobre atos em apoio ao presidente que foram condenados por organizações de Saúde para evitar aglomerações.

Sigo de volta
O Painel tentou falar com Rebeca Ramagem, mas não conseguiu. O perfil com o nome dela era um dos 18 seguidos pela conta oficial de Ramagem até a noite de ontem.

Vai tarde
“Jair Bolsonaro não deu mais informações a seus ministros sobre as acusações feitas por Sergio Moro na última sexta-feira. Para auxiliares, o Presidente deu sinais, em reunião ontem, de que estava aliviado e se limitou a dizer que se sentia tranquilo. Disse agora é “bola pra frente”.

Com carinho
O Presidente reiterou, em privado, o afago público feito a Paulo Guedes - repetiu aos ministros que ele é o responsável pela economia. O plano pilotado por Braga Netto (Casa Civil) que gerou a crise com o superministro, no entanto, segue em construção. Nova reunião técnica ocorreu ontem

Merchan
Coube a Roberto Campos Neto (Banco Central) apresentar aos colegas indicadores financeiros, pontuando que o risco de deterioração fiscal da última semana mexeu com os investidores. Ele aproveitou para tentar limpar a barra do setor bancário, acusado de travar o dinheiro e não repassar a pequenas empresas.

Embaixador
André Mendonça, indicado para a Justiça, fez um discurso aos colegas que foi elogiado. Não fez menção a Moro e disse que pretende seguir na linha do diálogo com as cortes superiores.

Moro saiu
Ministros apontaram diferença entre os tchaus de Luiz Henrique Mandetta e de Sergio Moro do governo. O primeiro se despediu dos colegas no grupo de WhatsApp e recebeu elogios na partida. Moro apenas saiu do grupo.

Partilha
Em carta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a associação de secretários de finanças das capitais pede que o critério para a divisão da verba que o governo federal repassará a estados e municípios seja o de recomposição de perdas de arrecadação. Isso daria às grandes cidades vantagem sobre as menores - que, por sua vez, têm menos casos de Covid-19.

Tiroteio
“O idiota debochando das mortes. A marca de um Presidente sem empatia, doente: 'e eu com isso?'”. De Elena Landau, ex-diretora do BNDES, sobre Jair Bolsonaro ter dito “e daí” sobre recorde de mortos por coronavírus no Brasil.

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