Todos contra mim
Folha de São Paulo
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Jair Bolsonaro tem dito a parlamentares que recebeu um dossiê com informações de inteligência de que Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador João Doria (PSDB-SP) e um setor do STF estão tramando um plano para dar um golpe e tirá-lo do governo.
Sob esse argumento, deu início a conversas com líderes de partidos. Ele não apresentou a nenhum deputado ou senador qualquer prova do suposto plano arquitetado. Ontem, Bolsonaro partiu para o ataque contra Maia.
Ele não
Diante do cenário, o Presidente tem tentado se aproximar de Davi Alcolumbre (DEM-AP), de quem não desconfia, por enquanto. Apesar de posturas diferentes e divergências, os presidentes do Senado e da Câmara têm se posicionado de maneira conjunta em diversos momentos.
Garganta
Não é a primeira vez que Bolsonaro fala sobre supostos planos para lhe atingir. Em março, falou que a eleição de 2018 foi fraudada e que tinha provas, mas nunca as mostrou. No mesmo mês, deixou no ar alguma informação privilegiada sobre o coronavírus, dizendo que a população logo saberia que estava sendo enganada por governadores e prefeitos.
Tempo
Levou 11 dias até Bolsonaro usar a tinta de sua caneta e demitir Luiz Henrique Mandetta (Saúde), como prometera em 5 de abril. Já o Ministério da Cidadania não conseguiu, no mesmo período, concluir o pagamento dos informais inscritos no auxílio emergencial.
Agilidade
A Caixa informou que começaria a pagar os primeiros 3,5 milhões na noite de ontem. O presidente critica o isolamento sob o argumento de que os mais pobres são os mais atingidos.
Agulha I
Em uma de suas últimas entrevistas no cargo, Mandetta não poupou Onyx Lorenzoni pela demora, em uma alfinetada. “O ministro Onyx, com toda essa proteção social, com os recursos chegando na mão das pessoas [...], isso ajuda muito não só as famílias, mas a economia”.
Agulha II
Mandetta sugeriu ainda que o colega aproveitasse a rede assistencial que já existe e que, misteriosamente, o governo decidiu não usar. Referia-se aos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), um braço da seguridade social federal nos municípios. “Tem muita coisa acontecendo na ponta e muita experiência exitosa no Brasil afora”, disse.
Retorno
Mesmo registrando 20 mortes do coronavírus, o governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) diz que está seguro para retomar as atividades em 4 de maio. Ele afirma que só tem 18 leitos de UTI ocupados na rede pública e, nos hospitais privados, a ociosidade chega a 50%.
Regras
Para colocar em prática seu plano de reabertura, Ibaneis disse ao Painel que pretende antes baixar um decreto obrigando o uso de máscaras no DF. Segundo ele, shoppings terão que medir a temperatura de clientes e o comércio terá que testar funcionários e fornecer máscaras aos clientes.
Nova vida
Os engarrafamentos voltaram à capital nos últimos dias. Ibaneis não credita o movimento à quebra do isolamento, mas à mudança de hábitos. “As pessoas estão deixando de usar o transporte público e usando o carro”.
Mapa
O plano elaborado pelo governo do Maranhão de comprar respiradores da China e trazê-los pela Etiópia, escapando dos radares de EUA e Europa, revelado pelo Painel, ficou cobiçado por chefes de outros estados, que procuraram a gestão Flávio Dino (foto, PCdoB).
Busca
Os governos de Ceará, Piauí, Amapá e Amazonas ligaram ontem para saber como encontrar respiradores disponíveis na China e trazê-los por rotas pouco visadas pelos principais centros. O Pará aguarda a chegada de 400 respiradores até o final da próxima da semana, também com parada na África.
Clô
Em suas declarações ontem, Bolsonaro lançou mão de apelido para se referir à cloroquina: “cloro”. Segundo ele, o remédio não tem efeitos colaterais tão fortes como têm dito pesquisadores e a hidroxicloroquina teria menos ainda. No entanto, a seu pedido, o Exército já produziu mais de 2,2 milhões de comprimidos de “cloro”, e não de “hidroxi”.
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Painel,por Folha de São Paulo