A todo vapor
Folha de São Paulo
Siga o Tribuna Online no Google
O laboratório do Exército já produziu 2,2 milhões de comprimidos de cloroquina para uso no tratamento de coronavírus no Brasil e vai aumentar a fabricação para 1 milhão por semana. Cada pílula custa R$ 0,20.
A produção foi uma determinação do presidente Jair Bolsonaro, defensor da droga. Em entrevista ontem, a equipe técnica do Ministério da Saúde voltou a dizer que não há nenhum estudo científico que comprove o funcionamento do remédio para casos da Covid-19.
Para quem
A destinação dos comprimidos caberá ao Ministério da Defesa, afirmou a assessoria da pasta. Até agora, o Ministério da Saúde liberou cloroquina para uso em casos graves e internados, quando o médico julgar necessário.
Nada certo
A equipe técnica do ministro Luiz Henrique Mandetta apresentou uma cartilha com análise de 33 teses sobre o remédio e concluiu que até o momento nenhuma é válida do ponto de vista científico.
Médico
Presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o coronel Homero Cerqueira afirmou que está tomando hidroxicloroquina para se tratar do coronavírus. Nas redes sociais, ele publicou mensagem em que diz que está se recuperando “graças ao nosso presidente da República que indicou o hidroxocloroquina [sic]”.
Autoria
Após a publicação do Painel, Cerqueira apagou a mensagem original e escreveu uma nova: “volto a trabalhar graças ao remédio do Bolsonaro” .
Sozinhos
Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Damares Alves (Direitos Humanos) foram pegos de surpresa quando viram que fariam sozinhos a entrevista diária das 17h no Palácio do Planalto sobre coronavírus. Mandetta, general Braga Netto (Casa Civil) e o AGU, André Luiz Mendonça, estavam na programação enviada no começo da tarde.
Lenha
A entrevista tinha potencial para aumentar as polêmicas entre o Presidente e o ministro da Saúde. No sábado, o AGU criticou medidas de isolamento e ameaçou entrar na Justiça pela flexibilização. Mandetta, no domingo, criticou no Fantástico a dubiedade do governo sobre quarentena.
Fala muito
O STF decidiu que cabe aos governadores as medidas de restrições dos estados.
É pau
Paulo Guedes tem feito a leitura, nos bastidores, de que o impasse em torno do auxílio a estados e municípios é resultado da guerra política entre Jair Bolsonaro, de um lado, e João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ) do outro. Rodrigo Maia (DEM-RJ) age pelos governadores e também com interesses eleitorais.
É pedra
O principal argumento da Economia é o de que não se pode garantir a arrecadação porque não se sabe exatamente o tamanho do buraco. A depender da guerra política, ele pode ser enorme. Governadores podem conceder descontos de impostos com a garantia de que nada perderão.
A conta
Mas tem outro ponto. Enquanto Bolsonaro advoga pelo fim do isolamento, os governadores esticam o prazo das medidas de restrição. Para o Presidente e seus auxiliares, como Guedes, os governadores devem pagar o preço de sua decisão e não repassar a fatura ao governo federal.
Captei...
Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, deixou claro que estava prestando contas ao vereador Carlos Bolsonaro ao publicar mensagem nas redes sociais para dizer que havia apagado os vídeos sobre a ferramenta desenvolvida por empresas de telefonia que permite monitorar deslocamentos humanos via sinais de celular.
...vossa mensagem
Ao fim da mensagem que revela o pedido do Presidente por mais cautela, Pontes marcou o perfil de Carlos, que tem atacado o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), por projeto similar. “Por que não rastrear os telefones dos presídios de SP (...) ao invés de fazer isso com a população do Brasil?”, escreveu Carlos na sexta-feira.
Defesa
Outro alvo de Carlos no fim de semana, o governador Hélder Barbalho (MDB-PA) rebateu os ataques. “Só tenho um adversário, o coronavírus, não tenho tempo a perder com fake news”.
Tiroteio
“A hora é de mais trabalho e menos entrevista, pois enquanto o médico dá entrevista, o paciente morre sem respirador.” De Arthur Lira, deputado federal e líder do PP na Câmara, em crítica à entrevista do ministro Luiz Mandetta (Saúde) ao Fantástico.
SUGERIMOS PARA VOCÊ:
Painel,por Folha de São Paulo