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Folha de São Paulo
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) deve se posicionar nos próximos dias sobre o uso da cloroquina para o coronavírus. A entidade já avisou o Ministério da Saúde que não encontrou na literatura nenhum estudo que prove que o remédio funcione para o tratamento.
A tendência, portanto, é de não recomendar o uso maciço, apesar dos apelos de Jair Bolsonaro. A médica Nise Yamaguchi, que virou conselheira do governo, foi ouvida por três horas por integrantes do conselho, mas não os convenceu.
Ponto de vista
“Foi uma belíssima reunião científica, com mais de três horas”, disse Nise ao Painel. De acordo com informações de bastidores, para conselheiros, o encontro serviu para que ela admitisse que não se baseia em nada científico, mas apenas na sua percepção.
Regras
O conselho ainda discute, no entanto, qual modulação vai dar no posicionamento, se vai liberar médicos para prescrever a droga caso julguem necessário.
Apoio
O plano do CFM é lançar um documento ao lado das sociedades de especialidades que têm relação com a doença, como as de Infectologia, Terapia Intensiva e Pneumologia.
Ringue
A previsão é de que o posicionamento das entidades seja o mais novo embate entre o Presidente e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). O ministro vai mandar se basear na orientação do conselho, na contramão do que quer Bolsonaro.
Veredito
“Não há nenhum tratamento eficaz e seguro para o coronavírus. Não há estudo clínico que diga que ajuda ou não ajuda”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns.
De olho
Circula entre membros da Frente Nacional dos Prefeitos trecho de vídeo do ministro Paulo Guedes, gravado no último dia 29, comprometendo-se em cobrir perdas de arrecadação de municípios. Os prefeitos dizem acreditar que a Economia age por conta própria quando resiste em ressarcir as prefeituras.
Verbo
No vídeo, é possível ouvir Guedes dizendo que compensar as perdas de arrecadação é o plano do governo. Ele menciona os fundos de participação de estados e municípios, que beneficiam as cidades menores, mas em seguida acrescenta: “Vamos pegar as capitais, onde tem 80% dos casos, e vamos fazer um aporte extra”.
Tem mais
A Prefeitura de São Paulo diz que aguarda resultados de testes para coronavírus de 670 pessoas que morreram na cidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o que deve elevar a conta de vítimas da pandemia na capital, que era de 412 até a última sexta. No Brasil, mais de mil mortes já foram registradas.
Em casa
“Não dá para dizer que todas foram de Covid-19, já tivemos resultados de influenza antes, mas com certeza parte significativa delas, sim. A situação é pior do que mostram os números, está agravando e, com o afrouxamento do isolamento, pode piorar ainda mais”, diz o secretário de Saúde, Edson Aparecido.
Testes
Até o momento, o governo do estado de São Paulo já fez testes em 1.369 pessoas que morreram com SRAG, e 371 delas estavam com coronavírus, taxa de 27%. Nessa conta não estão os 670 da capital, segundo Aparecido. Os testes de pessoas que morreram são prioridade do governo.
A praça...
Causaram irritação no prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), as imagens de aglomerações de pessoas na Praça Pôr do Sol, em Pinheiros. Ela foi cercada por tapumes pela gestão municipal. Em reunião com secretários, ele sugeriu fechar todas as praças da cidade.
... é nossa
Diante da resposta de que são 5.000, a decisão foi acompanhar o comportamento no fim de semana. Caso as taxas de isolamento continuem em queda, a prefeitura estuda fechar praças com aglomerações. O martelo deve ser batido amanhã.
Varejo
O Ministério da Justiça começou a entregar equipamentos de proteção a policiais nas fronteiras. A pasta teve dificuldades em encontrar fornecedores, problema generalizado no País. Luvas vieram da Malásia e os óculos e álcool em gel, de fabricantes brasileiros. Máscaras ainda virão da China. O gasto foi de R$ 2,5 milhões.
Tiroteio
“Tempo de guerra aconselha economia de gastos. O Senado pode e deve contribuir reduzindo seu rico Orçamento.”
Do senador Lasier Martins (Podemos-RS), ao defender que o Senado corte mais gastos do que a Câmara dos Deputados para ajudar no combate à doença.
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Painel,por Folha de São Paulo