Médicos usam WhatsApp para ajudar pacientes
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Uma pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM), com médicos de todo o País, revela que 65% dos médicos se comunicam com pacientes e seus familiares via aplicativos de mensagens, como WhatsApp, após o horário de atendimento clínico.
Outros 35% não o fazem, principalmente pelo medo de punição. A explicação é do diretor de Tecnologia da Informação da APM, Antonio Carlos Endrigo. Segundo ele, as regras em relação à telemedicina ainda são rigorosas.
A regra vigente, de 2002, não permite, por exemplo, a realização de consultas virtuais, ponto que ainda causa bastante confusão entre os médicos.
A discussão acerca da normatização é constante e, mesmo sem uma regulação apropriada da telemedicina, o resultado da pesquisa feita pela APM demonstra que o médico brasileiro utiliza a tecnologia disponível para realizar algum tipo de atendimento ao paciente por meio de mensagens.
“É algo que dinamiza o acesso à saúde. Os serviços públicos têm longas filas, e mesmo os serviços de saúde privada funcionam, principalmente, sob agendamento. Se o paciente tem uma dúvida, não está se sentindo bem, ele precisa de alguém que dê um esclarecimento rápido”, frisou Endrigo.
Ele defende a criação de uma nova regulamentação, que facilite o atendimento aos pacientes.
Para o presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), Leonardo Lessa Arantes, o uso de aplicativos para comunicação entre médico e paciente é algo positivo.
“De forma alguma, substitui o contato presencial, mas, nesses casos, o médico já conhece o paciente, o atendimento já foi feito. Para orientação, é algo extremamente válido, inclusive porque, em alguns casos, ter uma informação rapidamente pode evitar uma série de problemas”, destacou.
Já para o presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), Otto Baptista, a única orientação possível é a de procurar uma clínica ou hospital.
“Não vejo problema no contato entre as partes. Ouça o paciente. Mas, qualquer tratamento, eu não concordo. Não faça recomendações sem tocar o paciente”.
Procurado pela reportagem, via e-mail, o Conselho Federal de Medicina (CFM) não retornou até o fechamento desta reportagem.
Pesquisa ouviu 2.200 especialistas
Estudo
Um estudo da Associação Paulista de Medicina (APM) revela que 65% dos médicos se comunicam com pacientes e seus familiares via aplicativos de mensagens, fora do atendimento na clínica ou do hospital.
A análise colocou aplicativos como WhatsApp à frente de ligação por voz (17%) e e-mail (5,5%) e daqueles que não usam nada (11%).
Dos médicos que usam os aplicativos na profissão, 58,5% trocam mensagens diariamente com seus pacientes; 25%, algumas vezes na semana; e 9,5%, raramente. Outros 7,5% nunca usam.
Metodologia
Por meio de questionário on-line, o estudo entrevistou 2.200 médicos brasileiros de 55 especialidades, entre 3 e 17 de fevereiro deste ano.
Regras
A resolução nº 1.643/2002, do Conselho Federal de Medicina (CFM) define a Telemedicina como o exercício da medicina através da utilização de metodologias interativas de comunicação audiovisual e de dados, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde.
A norma proíbe, por exemplo, a consulta virtual, sem contato presencial entre médico e paciente.
a atualização da regra havia sido implementada pelo CFM em 2018, mas foi revogada pouco depois. O tema ainda está em discussão.
Fonte: APM, CFM e pesquisa AT.
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