Vitória é quinta capital com maior alta em aluguel de imóveis
Preço subiu 14,22% em 12 meses, mais de três vezes a inflação. Metro quadrado já custa R$ 57,06, acima da média nacional
O preço do aluguel em Vitória é o quinto que mais cresceu nos últimos 12 meses. É o que aponta o levantamento FipeZap de setembro, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A capital capixaba registrou alta de 14,22% entre setembro de 2025 e setembro deste ano. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 4,58%.
Somente entre janeiro e setembro, a alta acumulada em Vitória chegou a 9,91%. Vitória tem o sétimo maior preço médio de locação entre as 22 capitais monitoradas, sendo R$ 57,06 por metro quadrado. O valor fica acima da média nacional, de R$ 54,77/m2.
Isso significa que, considerando o valor médio por metro quadrado, um apartamento de 40 metros quadrados custaria R$ 2.282,40. Já um de 70 m² ficaria por R$ 3.994,20.
O diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Charles Bittencourt, destaca que Vitória é uma região composta por bairros nobres e conta com uma alta concentração de imóveis de melhor padrão.
“Em Vitória, o mercado é extremamente concentrado e valorizado em bairros como Bento Ferreira, Praia do Canto, Enseada do Suá, Jardim da Penha, Jardim Camburi e Barro Vermelho. Essa concentração geográfica eleva os indicadores do panorama geral da capital”, comenta.
A valorização, segundo Bittencourt, é um fenômeno de toda a Grande Vitória. Vitória, por possuir a particularidade de ser uma ilha, com restrição territorial e baixa capacidade de novas construções, sofre os efeitos de forma mais acentuada.
No levantamento do próprio mercado, tomando como exemplo Jardim Camburi — que hoje apresenta valorização superior à de Jardim da Penha —, o aluguel médio de um apartamento de dois quartos varia entre R$ 2.500 e R$ 3.500 mensais, diz o diretor.
“Imóveis no formato estúdio ou de um quarto, quando montados e mobiliados, variam entre R$ 2.800 e R$ 3 mil”, aponta.
Bittencourt diz que é possível encontrar opções mais acessíveis em edifícios mais antigos, sem infraestrutura de lazer ou elevador. Por outro lado, há imóveis de quatro quartos no Barro Vermelho, com 330 m2, cuja pedida chega a R$ 25 mil mensais.
Cidades vizinhas devem crescer mais com a alta
A alta do preço do aluguel em Vitória deve acelerar o crescimento imobiliário nos municípios vizinhos da Grande Vitória e outras regiões do Espírito Santo.
O movimento é impulsionado pela baixa oferta de imóveis para locação na capital, apontada pela pesquisa FlipZap como a quinta do País onde o valor mais subiu, e pelo custo elevado em bairros como Praia do Canto e Jardim Camburi.
Segundo a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), a escassez de terrenos e a limitação territorial de Vitória fazem com que a população busque alternativas no Centro e migre para cidades como Vila Velha e Serra.
A expansão de polos logísticos e industriais nessas regiões, somada a novos investimentos em Aracruz e Linhares, atrai profissionais de fora do estado e consolida o avanço do mercado fora da capital.
“De modo geral, a valorização observada em Vitória, na Grande Vitória e em municípios como Aracruz e Linhares é impulsionada pela falta de imóveis disponíveis para locação. Temos novas empresas e negócios se instalando nessas regiões e a baixa oferta de unidades para alugar pressiona os preços para cima”, diz o diretor da Ademi-ES, Charles Bittencourt.
Como o ciclo de novos lançamentos leva de quatro a cinco anos, a baixa oferta em Vitória manterá a tendência de expansão das cidades vizinhas no mercado de locação, segundo o diretor.
Dados do mercado mostram que boa parte das unidades em obras na Grande Vitória está concentrada fora da capital, especialmente em Vila Velha, segundo o economista Vaner Corrêa.
Para o economista, a elevação do preço do aluguel em Vitória está diretamente relacionada ao desenvolvimento do mercado nos municípios do entorno. “Em 2027, a intensidade dessa alta dependerá principalmente dos juros, da renda, da entrega de novas unidades e da capacidade de Vila Velha, Serra e Cariacica absorverem parte da procura”.
Futuro do mercado
A alta dos aluguéis em Vitória deve continuar em 2027, porém em ritmo inferior ao avanço de 14,22% registrado nos 12 meses encerrados em setembro. A tendência de valorização é sustentada pelo crescimento da procura por moradia em velocidade superior à expansão da oferta disponível.
Fatores como juros, nível de renda, novos lançamentos e a migração da demanda para Vila Velha, Serra e Cariacica podem moderar os reajustes no próximo ano.
A projeção para o próximo ano indica continuidade na alta nominal dos contratos, impulsionada por reajustes contratuais, inflação acumulada e escassez em bairros nobres.
Uma eventual desaceleração dependerá do corte na taxa de juros, aumento na entrega de unidades habitacionais e perda do poder de compra das famílias.
Demanda e oferta
A limitação geográfica pelo mar, pelo Maciço Central e a escassez de terrenos tornam a oferta habitacional na capital pouco elástica e retardam novos empreendimentos. A maior parte das novas obras imobiliárias da Grande Vitória está concentrada em Vila Velha.
Os juros elevados no financiamento imobiliário adiam a compra da casa própria, mantendo a demanda aquecida no mercado de locação.
A solidez das contas públicas do Estado (Nota A) e o saldo migratório positivo do Censo de 2022, que registrou 11.920 imigrantes em Vitória, reforçam a atratividade regional.
O índice FipeZap
O levantamento utiliza uma metodologia que acompanha os preços de apartamentos prontos anunciados, ressaltando que os valores efetivamente negociados podem ser inferiores. A base são os anúncios de imóveis prontos (residenciais e comerciais) veiculados nos portais do Grupo OLX.
Para cada cidade monitorada, são criadas células de ponderação que agrupam imóveis com características semelhantes (como localização/bairro, tamanho e número de dormitórios).
Fonte: Vaner Corrêa (economista) e FipeZap.
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