Lei dos Games estimula criação de empresas e empregos com salários de até R$ 32 mil
Empresários avaliam que novas regras vão ampliar o acesso a financiamentos e atrair investimentos para o setor no Espírito Santo
A regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos vai estimular a criação de empresas e de empregos no setor, de acordo com empresários do Espírito Santo. Os salários na área podem chegar a R$ 32 mil, dependendo da função e da experiência do profissional.
O decreto foi publicado no último mês e, segundo o Ministério da Cultura, a medida estabelece diretrizes para ampliar o acesso ao fomento, formar profissionais e promover os jogos brasileiros nos mercados nacional e internacional.
Para Fabiano de Paula, desenvolvedor que atua há mais de 15 anos no mercado, a regulamentação do setor de games vai incrementar as possibilidades do mercado crescer e receber fomento. Ele avalia que, no próximo ano, já será possível ver algumas movimentações, mas o impacto real será sentido em 2 anos.
“Com a área se consolidando e ficando cada vez mais regulamentada e formalizada, teremos um aumento de empregos e investimentos, e melhoria nos salários”, diz.
Fabiano estima salários iniciais a partir de R$ 2.500 para quem trabalha no Estado. Já profissionais que moram no Espírito Santo e trabalham para empresas do exterior podem receber até US$ 6 mil (R$ 32.206,80), desde que tenham boa formação em inglês.
Marcelo Herzog, presidente da Associação de Empresas de Desenvolvimento de Games do Estado (Gamedev-ES) e um dos fundadores da Mito Games, empresa que atua há 10 anos no desenvolvimento de jogos, também acredita que a regulamentação vai abrir novas oportunidades de negócios. Ele ressalta, porém, que os efeitos devem levar tempo.
“Para se ter ideia, a lei do Marco Legal foi aprovada em 2024. A regulamentação só veio 2 anos depois”.
Um dos principais pontos, afirma, é a ampliação das possibilidades de financiamento. Com as novas diretrizes, empresas do setor poderão buscar acesso a novos mecanismos de fomento e iniciativas de incentivo à indústria. Herzog cita ainda a possibilidade de o poder público contratar o desenvolvimento e a aplicação de games em serviços públicos.
“Isso tudo vai abrindo o mercado e gerando novas oportunidades de receita. Consequentemente, gera novas oportunidades de criação de empresas, de geração de empregos, renda, impostos e desenvolvimento econômico”.
Herzog estima que os salários no setor variam de R$ 4 mil a R$ 10 mil. Ele ressalta, porém, que estúdios em fase inicial costumam demorar para gerar receita, já que o desenvolvimento de um jogo pode levar anos.
Desenvolver o mercado de jogos eletrônicos
Desenvolver o mercado de jogos eletrônicos no Noroeste do Espírito Santo é ambição da Shed of Ideas, uma empresa de jogos em São Mateus.
“A ideia é que a gente siga para células independentes e que possam ter projetos independentes com autonomia e sustentáveis, para ajudar a desenvolver a região Noroeste do Espírito Santo, criando um ecossistema de desenvolvimento de jogos”, afirma Will XX, fundador da empresa.
Outro passo é um programa de capacitação para desenvolver o setor na região, aprovado pela Lei Rouanet. O projeto, no entanto, ainda busca patrocinadores para sair do papel. Para Will, a regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos pode ampliar as oportunidades.
A Shield of ideas também lança a versão 1.0 do jogo Goldilock One: As Brumas de Jakaira, no próximo dia 3 de novembro, na Steam. A jornada de desenvolvimento começou em 2019 e trata-de de um RPG de sobrevivência.
O decreto
Ele regulamenta o Marco Legal da Indústria de Jogos Eletrônicos (Lei nº 14.852/2024). A medida estabelece diretrizes para ampliar o acesso ao fomento, formar profissionais e promover os jogos brasileiros nos mercados nacional e internacional.
Produto cultural
Os jogos eletrônicos passam a ser oficialmente tratados como produtos culturais e obras audiovisuais interativas, permitindo o acesso a mecanismos de fomento à cultura.
Novo código de atividade econômica
Segundo o presidente da Gamedev-ES, a regulamentação reconhece a atividade de desenvolvimento de jogos de forma específica na classificação econômica, o que interfere até nos impostos pagos. Antes, empresas precisavam recorrer ao código de desenvolvimento de software para emitir notas fiscais.
Acesso ao crédito
O governo também anunciou medidas para facilitar o acesso das empresas brasileiras de jogos eletrônicos ao crédito. Será proposta pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) ao Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) a redução do valor mínimo dos empréstimos de R$ 500 mil para a faixa de R$ 150 mil.
A proposta também prevê reduzir os juros de Taxa Referencial (TR) mais 2% para TR mais 0,5% ao ano. Para 2026, o Fundo prevê R$ 460 milhões em crédito para a indústria audiovisual, incluindo jogos eletrônicos.
Game Brasil
O decreto institui ainda o Game Brasil, plataforma pública e gratuita para catalogar, divulgar e promover jogos brasileiros, indicando onde estão disponíveis.
Mercado capixaba
25 empresas no Estado
No início do próximo ano, a Gamedev-ES pretende realizar um novo Censo do Mercado Capixaba de Jogos. O último foi divulgado em 2024, com dados de 2023.
Na época, o Estado tinha 105 jogos publicados e faturamento, nos últimos 12 meses, de R$ 2.313.860. Havia 25 empresas e desenvolvedores independentes.
Mercado brasileiro
US$ 2,7 bilhões foram movimentados no brasil no mercado de games em 2025, ocupando a 9ª posição mundial em receita, segundo a Newzoo.
Na produção nacional, o número de desenvolvedores saltou de 133, em 2014, para 1.042, em 2023.
Entre 2020 e 2022, o País lançou 2.624 jogos, e 92% das empresas pesquisadas desenvolviam propriedades intelectuais próprias.
Consumidor
75,3% dos brasileiros têm o hábito de consumir jogos digitais, segundo a Pesquisa Game Brasil, realizada em 2025, com 7.115 participantes.
O IBGE estima em 214,2 milhões a população brasileira em 2026, isso representa mais de 160 milhões com esse hábito.
Desafios
Desenvolver um jogo de entretenimento competitivo pode exigir de um ano e meio a dois anos de trabalho, com uma equipe mantida antes de o produto começar a gerar receita.
O investimento inicial é um dos desafios dos estúdios, que muitas vezes precisam recorrer a recursos próprios para financiar os projetos.
Outro obstáculo é a gestão dos negócios.
Salários e vagas
O marco legal deve criar novas vagas e empresas no Estado. Atualmente é possível encontrar salários entre R$ 4 mil e R$ 10 mil no mercado interno. Mas o mercado de jogos também tem vagas.
Entretanto, muitos estúdios começam como startups, com os próprios sócios investindo parte de seus salários para bancar o desenvolvimento dos jogos. Segundo Marcelo Herzog, presidente da associação, os recursos obtidos por meio de editais podem ajudar a financiar os projetos e permitir que os empreendedores avancem sem depender exclusivamente do dinheiro do próprio bolso.
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