Polícia investiga namorada torturada em transmissão pela internet no ES
Mais de 300 pessoas teriam assistido às agressões à vítima, de 14 anos, em tempo real. Ela chegou a ser violentada sexualmente
Uma adolescente de 14 anos foi agredida, torturada e violentada sexualmente pelo namorado, de 15 anos, durante uma transmissão ao vivo pela internet, em Vila Velha.
Segundo o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), mais de 300 pessoas teriam assistido às agressões em tempo real, conforme relato do próprio investigado. A transmissão ocorreu em uma plataforma chamada Root.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), que cumpriu um mandado de busca e apreensão e uma medida de internação do adolescente no dia 8 de outubro, durante a Operação Nova Rota.
A investigação começou após o recebimento de informações sobre a transmissão, e contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A menina teria conhecido o adolescente em uma comunidade digital, onde iniciaram o namoro.
De acordo com Andrade, as agressões ocorreram na residência da vítima, quando não havia outras pessoas no local. “Segundo o adolescente, a situação aconteceu porque a jovem estaria traindo-o com outros integrantes do grupo do qual ambos faziam parte, chamado de 'panela', ou seja, chats fechados, nos quais eles conversam de forma totalmente estruturada”.
Após a transmissão, o adolescente teria voltado a ameaçá-la de morte por meio do Instagram. Segundo o delegado, ao ser conduzido à delegacia, o jovem afirmou que chegou a pensar em retornar à casa da adolescente para matá-la.
A polícia apura a possível participação de outros usuários que acompanharam ou interagiram com a transmissão. Sete a nove integrantes ocupariam posições de comando ou moderação no grupo digital, que têm como assunto principal a violência, segundo informações apresentadas pelo delegado. Eles ainda não foram identificados.
“Há também medidas judiciais em desfavor dos adolescentes que se envolvem nesse tipo de ação. O adolescente identificado está internado e pode pegar até três anos de internação. Ou seja, não é uma prática que o fato de ser menor de 18 anos isenta essa pessoa de responsabilização”, destaca o delegado-geral da PCES, Jordano Bruno.
O caso
Um adolescente de 15 anos é investigado por agredir, torturar e cometer violência sexual contra a namorada, de 14 anos, durante uma transmissão ao vivo pela internet.
O caso aconteceu em Vila Velha e levou a Polícia Civil a cumprir mandado de busca e apreensão e medida de internação contra o jovem, no dia 8 de outubro, durante a Operação Nova Rota, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça.
Ameaças após as agressões
De acordo com o delegado Brenno Andrade, responsável pela investigação, após a transmissão, o adolescente continuou ameaçando a jovem por meio do Instagram. Ele teria relatado à polícia que chegou a pensar em voltar à casa da vítima para matá-la.
Ainda segundo a investigação, o adolescente teria atribuído as agressões à suspeita de que a namorada o estaria traindo com outros integrantes do grupo digital do qual ambos participavam, conhecido como “panela”.
O que são as “panelas”?
As chamadas “panelas” são grupos fechados na internet, nos quais os participantes interagem de forma organizada e podem assumir diferentes funções dentro da comunidade.
Segundo o delegado Brenno Andrade, esses grupos podem apresentar uma hierarquia, com integrantes responsáveis por coordenar ou moderar as atividades.
Na investigação, a polícia apura a possível participação de pessoas que assistiram à transmissão ou interagiram com o conteúdo. Conforme o delegado, entre sete e nove integrantes teriam funções de comando ou moderação no grupo. Até o momento do relato, essas pessoas ainda não haviam sido identificadas.
Fonte: Chefe da Divisão Patrimonial (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade.
Expectativa de atrair seguidores pode incentivar comportamento
O que leva crianças e adolescentes a filmar ou transmitir uma agressão na internet? Nas redes, a expectativa de conseguir audiência e seguidores pode reforçar essa busca por atenção, aponta a psicóloga infantojuvenil Kamila Vilela.
“Na adolescência, a necessidade de ser aceito e de pertencer costuma ter bastante peso. Então, se naquele grupo a violência gera risadas, incentivo ou admiração, isso pode funcionar como uma recompensa”, explica.
Alguns sinais, segundo Kamila, merecem atenção: o adolescente começar a tratar agressões como diversão, admirar quem pratica violência, compartilhar humilhações com frequência ou falar em machucar alguém.
“Também preocupa quando ele relata desafios ou pressão de um grupo para participar dessas situações. Mas nenhum sinal isolado permite concluir que ele esteja envolvido, e consumir um conteúdo violento não significa, por si só, que vá cometer uma agressão. Os adultos precisam se aproximar, perguntar o que está acontecendo e ouvir, sem começar por acusações”.
Ao mesmo tempo, de acordo com a psicóloga, devem deixar claro que ameaçar, humilhar e incentivar agressões é grave.
“Se isso se repete ou está se intensificando, é importante buscar apoio profissional e envolver a escola quando houver colegas envolvidos. E, diante de uma ameaça concreta ou de planos de agressão, é preciso agir imediatamente para proteger quem está em risco e acionar os serviços de proteção ou emergência”, orienta.
O delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), ressaltou a importância de pais e responsáveis acompanharem a vida digital dos filhos. Segundo ele, o fato de adolescentes estarem em casa, dentro do próprio quarto, não significa que estejam protegidos dos riscos encontrados na internet.
O delegado Rafael Correa, superintendente de Polícia Especializada (SPE), reforça que os pais ou responsáveis legais têm o dever de controlar o que crianças e adolescentes fazem na internet.
“A culpa, em si, não é do aplicativo, mas do que acontece ali e das pessoas que estão por trás”.
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