Mães que não são amadas pelos seus filhos
O excesso de proteção pode prejudicar a autonomia dos filhos e gerar relações familiares marcadas pela falta de reciprocidade
Cláudio Miranda
Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.
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Há mães que tomaram para si, equivocadamente, a ideia de que ela ama seu filho incondicionalmente, independentemente de como ele a trata e demonstra seu amor por ela. O amor entre pais e filhos é uma construção ao longo da vida na relação familiar.
Os filhos devem saber desde pequenos, pela própria mãe, o que ela representa para eles.
Há mães que são superprotetoras e dão aos filhos mais do que eles necessitam e não desenvolvem neles a capacidade de amar e de mostrar gratidão. Filhos com esse tipo de comportamento tendem a ser autoritários e exigentes na relação familiar.
Eles percebem que os pais sempre estarão à disposição fazendo o necessário para eles, sem que tenham que fazer nada em troca.
Se um filho não percebe o amor de sua mãe para com ele, ele não é merecedor desse sentimento. Se não valoriza o carinho e cuidado diário que sua mãe tem por ele, ele não é digno desse cuidado. Há filhos que só perceberão o afeto de sua mãe quando ela sai de cena e deixa de fazer por ele o que ela sempre fez. Com a perda da presença dela é que esse filho perceberá o quanto ela era importante na vida dele.
É preciso se perguntar porque esse filho se tornou assim, displicente, indiferente e frio pela presença da mãe na sua vida.
O desprezo é algo marcante nessas relações e eles estão sempre a exigir algo para si se colocando sempre como vítimas e incompreendidos. Ele sempre foi assim ou aprendeu ser assim?
Mães com filhos assim sofrem e se desestruturam emocionalmente por se sentirem afetivamente desconsideradas pelo filho. Muitas se culpam e agravam ainda mais o problema na tentativa de receber alguma migalha de atenção e de consideração. Nos casos mais graves, há filhos que xingam e até agridem fisicamente sua mãe.
As atitudes exageradas de se doarem em excesso para o filho passa a ter um efeito viciante e a situação vai se agravando a cada dia mais. É exatamente como uma droga. Eles passam a exigir cada vez mais a atenção, carinho e cuidado dos pais.
Fora a arrogância e a frieza com que se mostram, esses filhos tendem a ser pessoas muito inseguras e dependentes. Se tornam adultos frágeis e com dificuldades de tomadas de decisões importantes na sua vida diária.
Faça cada vez menos pelos filhos, diminua regalias para que eles percebam as perdas quando a mãe se ausenta da vida dele.
A diminuição drástica dos suportes e cuidados que recebia poderá ter um efeito curativo e equilibrante para eles.
Eles terão que começar a se mover e trabalhar para conseguir suas coisas. O esforço que passam a desenvolver os farão valorizar o carinho e proteção maternos e começarão a demonstrar mais amor e reciprocidade.
O grande desafio para essas mães é deixar de fazer tudo pelos filhos. Muitas pensam que com isso estarão amando menos os filhos e se enchem de culpa.
As que não conseguem desempenhar esse papel, seguirão com suas famílias desestruturadas e com filhos fragilizados e dependentes ante as necessidades que passarão em suas vidas.
Mães nessas situações necessitarão fazer terapia para sair da relação de toxicidade afetiva que mantém com seu filho.
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