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NUTRIDICAS

Colágeno funciona ou estamos comprando esperança em pó?

Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia

Gabriela Rebello | | Atualizado em
Nutridicas, por Gabriela Rebello

Gabriela Rebello

Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.


          Imagem ilustrativa da imagem Colágeno funciona ou estamos comprando esperança em pó?
Gabriela Rebello é nutricionista. |  Foto: Divulgação

Você já reparou que, depois dos 35 ou 40 anos, parece que tudo precisa de colágeno? Pele flácida, rugas, unhas fracas, dores nas articulações... A solução aparece em potes, cápsulas e sachês, prometendo devolver aquilo que o tempo levou. Mas será que estamos comprando resultados ou apenas esperança em pó? A resposta pode surpreender.

O colágeno é uma proteína que dá sustentação à pele e participa da estrutura dos ossos, tendões e articulações. Com o envelhecimento, sua produção diminui e, nas mulheres, a queda do estrogênio na menopausa também contribui para a perda de firmeza da pele.

Até aqui, tudo certo. O problema começa quando acreditamos que basta tomar colágeno para repor exatamente aquilo que estamos perdendo.

E aqui está a primeira surpresa: o colágeno que você toma não vai diretamente para a pele! Durante a digestão, ele é quebrado em partes menores, que o organismo pode aproveitar de diferentes maneiras. Portanto, não existe garantia de que aquele pó misturado no café se transforme em menos rugas ou mais firmeza.

Mas existe outra questão que quase ninguém comenta: colágeno conta como proteína do dia?

Sim! Se o produto fornece 10 gramas de proteína, essa quantidade entra na soma diária. Mas existe um detalhe importante: o colágeno não é uma proteína completa. Ele não oferece todos os aminoácidos essenciais nas quantidades necessárias e possui baixo teor de alguns deles, importantes para a manutenção e construção dos músculos.

Ou seja, 10 gramas de proteína do colágeno não têm o mesmo valor nutricional que 10 gramas de proteína do ovo, leite, carne ou whey protein.

E isso faz diferença, principalmente depois dos 40 anos, quando preservar massa muscular se torna ainda mais importante para a força, o metabolismo e a qualidade de vida.

Por isso, se o seu objetivo é bater a meta diária de proteína, o colágeno pode entrar na conta, mas não deveria ser a principal estratégia. Priorize proteínas de boa qualidade ao longo do dia, como ovos, iogurte, peixes, carnes, leite e combinações de alimentos vegetais.

E para a pele, vale a pena tomar?

Algumas pessoas podem perceber melhora na hidratação e na elasticidade, mas os resultados não são garantidos. Também existem possíveis benefícios para o desconforto articular em situações específicas. O que não podemos esperar é que um suplemento elimine rugas, reverta a flacidez ou reconstrua articulações.

Outro detalhe pouco lembrado: seu corpo precisa de vitamina C para produzir o próprio colágeno. Frutas como acerola, laranja, kiwi e goiaba, junto de uma alimentação com proteínas adequadas, ajudam a fornecer nutrientes importantes para esse processo.

E não adianta investir em suplementos caros enquanto a pele recebe sol em excesso sem proteção, o sono é ruim, a hidratação é deficiente e a alimentação deixa a desejar.

Então, antes de comprar o próximo pote, faça duas perguntas: qual é meu objetivo e será que estou cuidando do básico?

O colágeno pode ser um complemento, mas não substitui uma alimentação equilibrada nem resolve sozinho os efeitos do envelhecimento.

Porque não é a quantidade de colágeno que você compra que determina como seu corpo envelhece, mas a qualidade dos cuidados que você oferece a ele todos os dias.

Fontes: Myung e Park (2025), PMID: 40324552; Simental-Mendía et al. (2025), PMID: 39212129.

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Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.

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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.