Âncora da Band critica deputada de SP Eduarda Campopiano por fala sobre feminicídio
Deputada eleita disse que feminicídio 'não existe' e jornalista destacou casos de violência no país
A jornalista Adriana Araújo, apresentadora do Jornal da Band e da BandNews FM, afirmou que declarações da deputada estadual eleita Eduarda Campopiano, do Partido Liberal (PL), sobre feminicídio e feminismo reforçam discurso de ódio contra mulheres.
O comentário foi feito nesta segunda-feira (05), durante o programa "Entre Nós". Na ocasião, a jornalista afirmou que as posições defendidas pela parlamentar ignoram a violência sofrida por mulheres no Brasil.
Eduarda Campopiano, de 23 anos, foi eleita no domingo (04) com 1.956.238 votos, tendo a maior votação para deputada estadual em São Paulo. A parlamentar se declara publicamente como antifeminista e já disse em um debate que não acredita na existência do feminicídio.
O que disse a deputada eleita
Em uma de suas declarações, Eduarda Campopiano afirmou: "Eu não acho que feminicídio seja algo que exista". Segundo ela, casos desse tipo podem ser enquadrados como crimes passionais. Ela defende agravantes quando um homem usar a superioridade física para agredir uma mulher, mas afirma que a regra deveria valer para outras situações semelhantes.
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Ao comentar as declarações da parlamentar, Adriana lembrou que movimentos de mulheres tiveram participação na conquista de direitos políticos que hoje permitem a própria eleição de Campopiano.
"Por décadas, mulheres lutaram para que ela tivesse o direito de, em 2026, se tornar uma deputada estadual em São Paulo".
A apresentadora considerou "gravíssima" a declaração de Eduarda Campopiano de que o feminicídio não existe. Ela também criticou a defesa, atribuída à deputada eleita, da agressividade como uma característica masculina.
"A Eduarda tem 23 anos e ela fala esses disparates sem sentir nenhuma dor. Mas eu gostaria que ela pudesse ter tempo de aprender, de preferência sem sentir dor, que as palavras que ela fala, que ela repete, são palavras que provocam profunda dor em muitas mulheres".
Emocionada, Adriana contrapôs as declarações da deputada eleita aos casos de violência contra mulheres registrados no Brasil.
"Enquanto ela repete esses bordões que viralizam nas redes sociais e nos grupos de ódio às mulheres, mulheres reais estão sentindo dor na pele. Mulheres são esfaqueadas, estupradas, asfixiadas todos os dias no nosso País. Mulheres são mortas todos os dias no nosso País".
A jornalista afirmou que se considera feminista e definiu o termo como a defesa de igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. Ela chamou a atenção dos eleitores sobre a responsabilidade na escolha de seus candidatos.
"A gente deseja a bondade e elege o ódio. Se você puder parar, respirar um instante e pensar sobre isso, talvez nas próximas eleições a gente vá além do videozinho do TikTok e do Instagram e não eleja esse tipo de pensamento", finalizou.
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