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PAPO DE FAMÍLIA

O vício em jogos de azar no ambiente familiar

Vício em apostas pode comprometer as finanças, o convívio familiar e a saúde emocional

Cláudio Miranda | | Atualizado em
Papo de Família, por Cláudio Miranda

Cláudio Miranda

Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.


          Imagem ilustrativa da imagem O vício em jogos de azar no ambiente familiar
Cláudio Miranda é da Diretoria da ATEFES (Associação de Terapia Familiar do ES), Terapeuta de Família, Psicopedagogo Clínico, Pós-graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP. |  Foto: Reprodução/Jornal A Tribuna

Na vida em família, é comum vivermos dramas e desafios que precisam ser tratados e resolvidos para não abalar a paz e o convívio da casa. Dentre os problemas diários, existe na atualidade o vício em jogos e apostas em plataformas digitais.

Se não for tratado, esse vício pode comprometer a renda familiar, quando o dinheiro da alimentação e despesas da casa será gasto em jogos de azar.

É comum se dizer que as pessoas têm o direito de gastarem o seu dinheiro como quiserem, e se distrair jogando.

Outra fala comumente usada é que a pessoa que gasta demasiadamente em jogos é descontrolada e deveria saber a hora de parar.

No entanto, esse comportamento é ditado por uma doença, pouco conhecida: a ludopatia, na qual a pessoa não tem controle sobre seus desejos e ações.

A ludopatia é um vício incontrolável em jogos de azar e apostas reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como um transtorno mental.

Ela gera sérios problemas para a economia familiar e para a saúde emocional da casa.

No cérebro, a ludopatia funciona da mesma forma que a dependência do álcool e das drogas, quando o ganho libera a dopamina gerando prazer e a vontade de ganhar de novo.

Assim, o ciclo se repete infinitamente, levando a pessoa a sérios problemas financeiros por dívidas criadas no jogo.

O apostador gasta valores cada vez maiores para tentar sentir a mesma emoção e recuperar o dinheiro perdido. Consequentemente, acaba perdendo mais e mesmo assim a fará novas tentativas, e é nesse momento que o problema fica fora do controle.

Nos casos mais graves, a família perde o seu potencial de sobrevivência na compra de alimentos e de cuidados básicos como educação, saúde, moradia. Há muitos casos em que pessoas tentam tirar a própria vida pelo endividamento imenso que foi gerado.

Principais sintomas de quem sofre de ludopatia:

- A pessoa pensa em apostas o tempo todo.

- Ela mente sobre o tempo ou o dinheiro que foi gasto no jogo.

- Pede dinheiro emprestado ou vende um bem para apostar.

- Ela sente raiva ou ansiedade ao tentar parar as apostas.

- Há prejuízos no emprego.

- Algumas vezes ocorre o isolamento familiar.

A ludopatia não é falta de vergonha na cara ou malandragem da pessoa, é uma doença que precisa de tratamento. Um dos tratamentos indicados é a terapia para ajudar a mudar comportamento e buscar nova forma de se relacionar com as pessoas, com a vida e consigo mesmo.

Outro tratamento importante é o acompanhamento psiquiátrico, que poderá incluir medicamentos para controlar a ansiedade e o desejo pelo jogo.

A pessoa que tem esse vício poderá participar de grupos de apoio, que são reuniões com jogadores anônimos que ajudam na recuperação diária ao elaborar os próprios sentimentos na força gerada pelo grupo. O apoio familiar também é essencial para o acolhimento e o controle financeiro desse paciente.

A ludopatia, que é o vício em apostas e jogos de azar, não tem uma cura definitiva, mas é uma doença crônica que tem tratamento e controles muito eficazes, que permitem ao paciente entrar em estado de equilíbrio para recuperar a sua qualidade de vida e evitar recaídas pela vulnerabilidade do sistema de recompensa do cérebro ao buscar a estimulação pelo jogo.

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Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.

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Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.

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