“Às vezes, desconectamos do milagre que é estarmos vivos”, diz Mateus Solano ao AT2
Em entrevista, o ator alerta para o risco da exaustão, de agir automaticamente e terminar o dia sem sonhos
Há dias em que a vida parece passar no piloto automático: a gente acorda, trabalha, cumpre tarefas, obedece a horários, resolve problemas e, quando percebe, o dia acabou.
Foi justamente nesse lugar entre a rotina e a vontade de assumir o protagonismo da própria história que nasceu “O Figurante”, monólogo de Mateus Solano, que retorna a Vitória de 11 a 13 deste mês, no Teatro Universitário da Ufes, devido ao grande sucesso.
Na comédia dramática, Solano interpreta Augusto, um figurante que começa a questionar seu lugar no mundo e a própria existência. Afinal, em quantos momentos da vida a gente acaba se comportando como figurante?
“Somos figurantes naqueles dias em que vamos dormir um sono sem sonhos, exaustos depois de um dia que não foi vivido, onde apenas obedecemos a ordens e cumprimos funções. Em suma, quando, às vezes, estamos desconectados do grande milagre que é estarmos vivos”, disse o ator em entrevista ao AT2.
E se pudesse deixar de ser figurante em apenas uma situação da vida? Para Solano, seria na defesa do meio ambiente. O ator conta que se sente um “alienígena” ao recusar sacolas, garrafas e outros itens de plástico descartável, enquanto percebe pouco engajamento das pessoas ao seu redor em pequenas atitudes ambientais.
“O Mateus do sofá da sala só quer viver em paz” - Mateus Solano, ator
AT2 - Você já se sentiu “figurante” em alguma situação?
Mateus Solano: Quem nunca? Acho que essa sensação de vivermos em segundo plano da nossa própria existência é comum a todos nós nessa sociedade que não privilegia o que temos de melhor para oferecer a ela. Muitas vezes, nos exigem que cumpramos papéis que estão longe da nossa essência, para encaixar nesse mundo. Acabamos nos perdendo pelo caminho e muito mais cumprindo funções do que vivendo propriamente.
- Se sua vida fosse uma produção audiovisual, qual seria o gênero: comédia, drama, novela das nove ou uma mistura de tudo?
Uma mistura de tudo.
- Depois de tantos anos de carreira, já encontrou o seu “lugar ao sol”?
Sem dúvida, já conquistei o meu espaço, mas agora espero manter o carinho conquistado perante o público nos meus próximos trabalhos.
- Fazer o público rir é mais difícil quando você está sozinho no palco?
Talvez tudo seja mais difícil quando se está sozinho no palco mesmo, tanto que eu esperei muitos anos para me sentir apto, maduro e preparado para enfrentar um monólogo. Tanto para fazer rir quanto para fazer refletir, acho que estar sozinho é um desafio, porque não tem como a gente fugir da gente mesmo.
- Já aconteceu de você esquecer uma fala no palco e precisar improvisar?
Já, principalmente por conta de celular ligado atrapalhando o espetáculo, Mas, nesses momentos, eu sou bem sincero, digo para o público que me perdi e, às vezes, o próprio público me ajuda a retomar o espetáculo.
- O que é mais difícil: fazer uma plateia rir ou fazer uma plateia ficar em silêncio refletindo?
Acho que, hoje em dia, estamos vivendo a sociedade do espetáculo, e as pessoas que vão consumir cultura querem sempre ser entretidas, portanto, o humor acaba sendo ferramenta também para falar de coisa séria. Entre uma risada e outra, lançamos alguma reflexão existencial sobre essa nossa sensação de falta de domínio sobre a própria vida.
- Depois de interpretar tantos personagens, quando você chega em casa ainda é Mateus ou às vezes algum deles fica por lá?
O personagem termina quando o diretor corta a cena, não espero chegar em casa para me despir do personagem: ele é vestido no “ação” e despido no “corta”.
- Qual é a maior diferença entre Mateus Solano no palco e no sofá de casa?
O Mateus do palco é um profissional, um artista que tem uma missão junto à humanidade, de espelhá-la, de fazê-la refletir sobre si através de histórias e o Mateus do sofá da sala é um Mateus que só quer viver em paz.
SERVIÇO
“O Figurante”
O quê: Monólogo com Mateus Solano.
Onde: Teatro Universitário das Ufes. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória.
Quando: Dias 11, 12 e 13 deste mês.
Horários: Sexta às 20h, sábado às 20h e domingo às 17h.
Duração: 80 minutos
Ingressos: A partir de R$ 60 (meia/mezanino).
Vendas: bileto.sympla.com.br/event/115587/ d/362135 ou na bilheteria do teatro de terça a sexta-feira das 14h às 19h, e nos dias de espetáculo a partir das 15h.
Produção local: WB Produções.
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