“Mas eu como saudável!” Então por que não consigo emagrecer?
Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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Você trocou o refrigerante por suco natural, o biscoito por castanhas, colocou granola no iogurte, comprou pasta de amendoim e agora só usa azeite na salada. Sua alimentação está muito mais saudável. Só tem um detalhe: o peso não diminui. E aí vem a frustração: “Mas eu como tão bem, por que não emagreço?”
Porque comer saudável e comer de uma forma que favoreça o emagrecimento não são exatamente a mesma coisa.
Esse é um dos pontos que mais confundem quem tenta perder peso. Abacate, castanhas, azeite, granola, pasta de amendoim, queijos e chocolate amargo podem fazer parte de uma ótima alimentação. Mas “saudável” não significa “pode comer à vontade”.
E aqui está o ponto-chave: seu corpo não deixa de contabilizar a energia de um alimento só porque ele é nutritivo. Um punhado de castanhas que vira três, o azeite colocado “no olho”, a granola sem medida e aquela colher generosa de pasta de amendoim podem acrescentar bastante energia ao dia sem trazer a sensação de que você comeu muito.
Isso não significa que esses alimentos devam ser retirados. Significa que qualidade e quantidade precisam caminhar juntas.
Existe ainda outro personagem quase invisível: o que comemos sem considerar uma refeição. O café adoçado, as mordidas enquanto preparamos o jantar, o restinho do prato da criança, a bebida alcoólica do fim de semana e o belisco no trabalho. Separadamente parecem detalhes. Repetidos todos os dias, deixam de ser.
Mas reduzir tudo a “coma menos” também seria um erro.
Proteína insuficiente, poucas fibras, sono ruim, sedentarismo, perda de massa muscular, estresse, alterações hormonais e alguns medicamentos podem tornar o processo mais difícil. Além disso, passar o dia tentando economizar calorias para chegar à noite morrendo de fome costuma terminar em exagero.
Por isso, antes de cortar arroz, feijão ou fruta, observe o conjunto. Suas refeições realmente sustentam sua fome? Há proteína, vegetais e fibras em quantidades adequadas? Você está fazendo treino de força? Dorme bem? Como estão as bebidas e os finais de semana?
Emagrecer não exige viver de salada nem transformar alimentos em inimigos. Exige criar uma rotina em que aquilo que você consome esteja alinhado às necessidades do seu corpo e ao seu objetivo.
Nesta semana, faça um exercício simples: pare de perguntar apenas “isso é saudável?” e comece a perguntar também “quanto disso faz sentido para mim?”
Comer saudável é fundamental. Mas, para emagrecer, não basta escolher bons alimentos: é preciso fazer boas escolhas também nas quantidades, na frequência e na rotina. Encontro vocês na próxima semana!
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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.