72% dos alunos de 15 anos no Brasil não sabem fazer contas
Resultados fazem parte do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que foi realizado em 91 países
Os dados revelam o tamanho dos desafios na educação: 72% dos estudantes brasileiros de 15 anos não sabem o básico da Matemática, enquanto só metade consegue interpretar textos.
Os resultados, divulgados ontem, fazem parte do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – principal avaliação internacional de aprendizagem, conduzida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Os números trazem o desempenho de 91 países ou regiões em Ciências, Matemática e Leitura.
O melhor desempenho do Brasil em comparação com os outros países analisados no Pisa foi em Leitura. O Brasil é o 52º no ranking, atrás de vizinhos como Chile (37º) e Uruguai (42º).
Cerca de 49% dos alunos brasileiros alcançaram, no mínimo, o nível 2 de proficiência em Leitura. Na média dos países da OCDE, o percentual é de 69%.
Na prática, isso quer dizer que esses alunos conseguem compreender e interagir com textos simples do cotidiano.
A pior área do Brasil, seguindo uma tendência global, é Matemática (71º). Em 2025, foram 377 pontos no Pisa, dois pontos abaixo da nota de 2022. O Brasil está a uma distância de 86 pontos da média dos países (463).
Dados da avaliação mostram ainda que apenas cerca de três em cada 10 alunos (28%) atingem o nível 2 de proficiência no Pisa. Na OCDE, a média é de quase sete em cada 10 (65%).
Alcançar o nível 2 de proficiência significa interpretar situação simples matematicamente. Por exemplo, ser capaz de comparar a distância entre duas rotas ou converter moedas diferentes.
A neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas salientou que é preciso parar de olhar esses números apenas como estatísticas, pois se trata de um alerta sobre a qualidade da aprendizagem.
“As escolas devem identificar precocemente as dificuldades e intervir antes que elas se transformem em defasagens maiores. As famílias precisam acompanhar não apenas as notas, mas se a criança compreende o que lê e consegue pensar matematicamente no cotidiano. Os números desse baixo desempenho precisam gerar intervenção contínua e responsabilidade compartilhada”.
Pisa
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes é uma prova internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências.
Os resultados permitem comparar o desempenho educacional entre diferentes países e economias.
estruturado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o estudo é realizado a cada três anos e avalia se os estudantes conseguem aplicar conhecimentos e habilidades para resolver problemas e lidar com situações do mundo real.
O Brasil participa desde a primeira avaliação, em 2000.
Pela primeira vez, o exame avaliou a competência de aprendizagem no mundo digital, que mede a capacidade dos estudantes de resolver problemas com o uso de ferramentas computacionais.
O Pisa 2025 é a maior aplicação da história do programa, com 91 países e economias participantes. O estudo envolveu 760 mil estudantes.
O Brasil participou da pesquisa com 30.140 alunos.
O que o Pisa avalia?
O Pisa avalia um conjunto de habilidades e competências que a OCDE define como sendo as esperadas para estudantes ao fim do ensino fundamental, aos 15 anos.
Em matemática, por exemplo, a prova não busca avaliar se o aluno aprendeu o uso de fórmulas ou conceitos, mas a capacidade de usar e interpretar a Matemática para seu cotidiano.
Já em leitura, a prova avalia se os alunos adquiriram, por exemplo, a habilidade de compreender a informação principal de um texto ou fazer a análise crítica do que estão lendo.
Alguns resultados
Desempenho do Brasil no Pisa 2025
Ranking mundial das notas de matemática do Pisa
Ranking mundial das notas do Pisa em Leitura
Em Ciências
- 409 pontos tiveram os estudantes brasileiros.
- 67º lugar ficou o Brasil no ranking.
O que eles dizem
Estabilidade
“O resultado do Pisa de 2025 mostra uma preocupação mundial no declínio principalmente em leitura. Quando a gente olha para o resultado do Brasil, ele permaneceu estável com relação à última edição de 2022, na contramão de uma queda observada no panorama geral.
Isso, no entanto, não é motivo de comemoração, porque o cenário ainda é crítico. Temos no País, hoje, níveis muito baixos de aprendizagem”, diz Manoela Miranda, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação.
Complexo
“Os resultados revelam um conjunto complexo de fatores socioeconômicos e pedagógicos. Temos no País falhas na formação dos professores como questão crucial. Outra questão é a descontinuidade das políticas públicas, já precisamos de projetos de longo prazo.
Somado a isso temos problemas com a cultura digital, que reflete na falta de foco dos estudantes, além falta de infraestrutura escolar e a desigualdade socioeconômica”, afirma Penha Peterli, psicopedagoga, neuropsicopedagoga, terapeuta de família e escritora.
Paradoxo
“O Pisa 2025 sugere um paradoxo do nosso tempo. Nunca tivemos tanta tecnologia disponível e nunca foi tão importante saber ler profundamente, interpretar evidências, resolver problemas e formar julgamentos próprios. Só que essas competências estão se deteriorando em muitos países. O Brasil enfrenta esse mesmo desafio, mas de forma desigual.
A questão que o Pisa coloca não é simplesmente como disputar posições em um ranking, mas sermos capazes de preparar todos os jovens – e não apenas alguns – para o mundo”, pontua Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco.
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