Resistência à insulina engorda? Entenda o que acontece no corpo
Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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“Minha insulina está alta. Então preciso cortar pão, arroz, fruta e tudo que tem carboidrato?” Essa é uma das primeiras reações quando alguém recebe o diagnóstico de resistência à insulina. De repente, a banana vira vilã, o arroz parece perigoso e o carboidrato passa a ser tratado como se fosse o grande responsável pelo problema. Mas não é tão simples assim.
A insulina é um hormônio essencial. Depois que comemos, ela ajuda a glicose presente no sangue a entrar nas células para ser utilizada como energia. Na resistência à insulina, essas células passam a responder pior ao seu sinal e o organismo precisa produzir mais insulina para realizar o mesmo trabalho.
E aqui está o ponto-chave: você pode ter resistência à insulina durante anos e ainda apresentar glicemia normal. Isso acontece porque, por algum tempo, o pâncreas consegue compensar aumentando a produção de insulina. Por isso, olhar apenas para a glicose nem sempre conta toda a história.
Mas onde entra a alimentação?
O problema não é simplesmente “comer carboidrato”. Frutas, feijão, aveia, arroz, batata e outros alimentos fontes de carboidratos podem fazer parte da alimentação de quem apresenta resistência à insulina. O que importa é o conjunto: quantidade, qualidade, frequência, composição das refeições e rotina.
Uma estratégia simples é evitar que o carboidrato apareça sempre sozinho. Em vez de comer apenas pão no café da manhã, por exemplo, acrescente ovos ou queijo e uma fruta. No almoço, não é necessário declarar guerra ao arroz: combine uma porção adequada com feijão, proteína, verduras e legumes. Fibras e proteínas ajudam na saciedade e tornam a refeição mais equilibrada.
Também existe algo que muitas pessoas procuram no armário da cozinha, quando parte da solução pode estar no tênis: atividade física melhora a capacidade do músculo de utilizar glicose. E quanto mais preservamos nossa massa muscular, mais importante ela se torna para a saúde metabólica.
Sono ruim, sedentarismo, excesso de gordura abdominal, consumo frequente de ultraprocessados e bebidas açucaradas também merecem atenção. Ou seja, dificilmente será a banana do lanche a única responsável pela alteração dos seus exames.
Resistência à insulina merece cuidado porque pode aumentar o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e outros problemas metabólicos, mas o diagnóstico e a conduta precisam ser individualizados.
Se seus exames apresentaram alterações, procure avaliação médica e acompanhamento nutricional. E, enquanto isso, não comece eliminando grupos inteiros de alimentos por medo.
Seu corpo não precisa viver sem carboidrato. Precisa aprender, com a sua rotina, a lidar melhor com ele.
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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.