Homocisteína não é lixo
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Ao contrário da ureia, do gás carbônico, da creatinina e do ácido lático, que são resíduos metabólicos do organismo, a homocisteína não é lixo. Trata-se de um aminoácido importante, sendo convertida em cisteína e reconvertida em metionina pelas vitaminas B12, B6 e B9.
O organismo usa essas vitaminas para transformar a homocisteína em outras substâncias úteis. Sendo um aminoácido intermediário, a homocisteína não é prejudicial. Apenas quando aumentada, ela torna-se nociva ao organismo.
Em 1962, surgiu uma teoria de que níveis elevados de homocisteína estariam na origem da doença aterosclerótica. Tal hipótese foi baseada na observação de aterosclerose avançada na necropsia de duas crianças com homocistinúria, doença genética que cursa com níveis muito elevados de homocisteína, bem como em diversas experiências com animais.
Visto, inicialmente, com desconfiança pela comunidade científica, esse pressuposto vem ganhando aceitação, produzindo diversos estudos destinados a comprová-lo.
A ligação entre excesso de homocisteína na circulação sanguínea e distúrbios cardíacos não é novidade. Este aminoácido, que se forma no corpo devido à ingestão de proteínas, continua sendo tema de muitos artigos e controvérsias nos meios científicos.
O organismo, quando em equilíbrio, converte a homocisteína em compostos menos nocivos, como cisteína e glutationa, com o auxílio de vitaminas B6, B12 e ácido fólico.
Entretanto, quando o corpo apresenta dificuldade para metabolizar a homocisteína, ela pode se acumular no sangue. Essa condição ocasiona uma série de complicações, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral.
Diversas razões costumam contribuir para o aumento dos níveis de homocisteína, e a maioria está relacionada a deficiências nutricionais ou fatores genéticos.
Doenças renais, deficiência de vitaminas B6, B9 e B12, mutação genética, dieta inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool podem provocar injúrias causadas pelo aumento da homocisteína.
Níveis elevados de homocisteína são considerados fator de risco para a saúde cardiovascular. Esse aumento pode danificar as paredes das artérias, favorecendo a formação de placas de ateroma, que obstruem o fluxo sanguíneo e aumentam a chance de doenças arteriais coronarianas. Além disso, níveis elevados desse marcador estão associados a um risco maior de trombose, derrame cerebral e demência.
O aumento da homocisteína significa que o organismo está tendo dificuldade em metabolizar esse aminoácido adequadamente, o que pode ser um sinal de deficiência de vitaminas do complexo B ou de problemas renais.
O tratamento para homocisteína alta geralmente envolve a suplementação de vitaminas B6, B12, ácido fólico e ajustes na alimentação. Em casos graves, são prescritos medicamentos específicos para regular os níveis de homocisteína.
Saúde é o equilíbrio entre dois polos.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.