Novo porto em Aracruz começa a funcionar em 2027 e vai abrir 300 empregos
Imetame deve receber em março 1º navio, e vai contratar profissionais operacionais, de tecnologia e para áreas administrativas
Um novo corredor para cargas, empregos e negócios começa a ganhar forma em Aracruz, no Norte do Estado.
O Porto da Imetame entra em uma nova etapa e deve iniciar a movimentação de cargas gerais em 2027. A previsão é que o primeiro navio atraque no terminal até março, inaugurando a operação de carga geral.
A nova fase também vai movimentar o mercado de trabalho. Cerca de 300 vagas diretas estão previstas ao longo de 2027, acompanhando o avanço das atividades.
As oportunidades devem contemplar áreas operacionais, administrativas e de tecnologia da informação. O empreendimento já vem criando empregos durante a fase de obras, e a expectativa é de que a necessidade de profissionais aumente conforme o terminal avance.
Além das contratações diretas, a operação deverá movimentar fornecedores e prestadores de serviços ligados à atividade portuária.
A primeira operação será realizada com navios que possuem equipamentos próprios para movimentação das cargas e também com os MHCs (guindastes móveis portuários) que chegam em março de 2027.
As operações de contêineres em plena capacidade inicia em meados de 2028. Isso ocorre porque os grandes portêineres, utilizados nos terminais de contêineres para carregar e descarregar os navios, ainda estão em fabricação. O prazo estimado para a entrega desses equipamentos é de 20 a 24 meses.
Mesmo antes da conclusão da etapa específica para contêineres, o terminal poderá realizar algumas operações com esse tipo de carga.
Antes da chegada do primeiro navio, ainda são necessárias a conclusão das estruturas previstas e a obtenção de Licenças de Operação.
Com o início das atividades, a expectativa é de crescimento gradual da movimentação e da demanda por mão de obra.
O projeto também faz parte de um cenário de expansão da infraestrutura logística do Espírito Santo, com investimentos em rodovias, ferrovias e portos.
A combinação dessas estruturas é considerada estratégica para ampliar a capacidade logística do Estado e criar novas oportunidades para empresas e profissionais.
Operações
Iniciadas em junho de 2021, as obras do Porto da Imetame, em Aracruz, avançam com previsão de estrutura apta a iniciar as operações em 2027. A operação completa de contêineres está prevista para 2028.
Profundidade
O porto terá profundidade inicial de 17 metros, com futura expansão para 25 metros. A estrutura foi projetada para receber embarcações de grande porte que operam em linhas de longo curso.
Poderá receber navios de até 366 metros de comprimento para o transporte de contêineres, além dos navios do tipo Capesize, utilizados no transporte de granéis sólidos.
Primeiro navio
A expectativa é que o 1º navio atraque no terminal até março de 2027, marcando o início da operação.
A primeira etapa será voltada principalmente à movimentação de carga geral, com embarcações equipadas com seus próprios sistemas de carregamento e descarregamento.
Empregos
Cerca de 300 empregos diretos devem ser abertos ao longo de 2027. As oportunidades devem contemplar áreas operacionais, administrativas e de tecnologia da informação. O detalhamento das vagas será divulgado posteriormente.
Aposta no comércio exterior com terminal de contêineres
A segunda etapa do projeto da Imetame em Aracruz mira um mercado de maior escala: a movimentação de contêineres.
Desenvolvido com a Hanseatic Global Terminals (HGT), braço da Hapag-Lloyd voltado à operação de terminais, o empreendimento terá 750 metros de cais, profundidade de 17 metros e capacidade estimada de aproximadamente 1,2 milhão de TEUs por ano.
A operação completa está prevista para 2028 e deverá ampliar as conexões do Espírito Santo com mercados nacional e internacional.
A estrutura foi planejada para receber, no futuro, navios de grande porte, com capacidade de até 24 mil TEUs. A chegada regular dessas grandes embarcações, porém, dependerá do crescimento da quantidade de cargas disponível.
Uma das estratégias é atrair volumes de outros estados e ampliar as conexões logísticas, criando escala suficiente para tornar essas operações viáveis.
Para o setor de rochas ornamentais, a nova estrutura poderá reduzir custos e tempo de transporte, além de diminuir a necessidade de deslocamento de cargas para terminais localizados fora do Estado.
A expectativa é de que a operação aumente a competitividade das empresas capixabas e estimule novos negócios ligados ao comércio exterior. O projeto também ganha relevância diante dos investimentos previstos em infraestrutura logística no Espírito Santo.
A ampliação da capacidade portuária, associada aos avanços em rodovias e ferrovias, pode fortalecer a posição do estado capixaba como uma alternativa para empresas que buscam conexão com outros mercados.
A parceria com a HGT é considerada um dos principais avanços do empreendimento e reforça a perspectiva de que o terminal de contêineres se torne uma nova fronteira para o comércio exterior brasileiro a partir de 2028.
Estado reposicionado com projeto
A materialização do Imetame Logística Porto reposiciona o Espírito Santo no mapa logístico do Brasil e do mundo e conversa diretamente com o projeto de futuro que estamos construindo com a cadeia logística no Espírito Santo.
A avaliação é do subsecretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Celso Guerra.
“O porto não é uma obra de escala estadual — é infraestrutura de vocação continental instalada em solo capixaba. O Estado, que já consolidou liderança em celulose, minério, petróleo e rochas ornamentais, passa a dispor da estrutura física necessária para disputar, em condições extremamente competitivas, o comércio de longo curso”.
Ele ressalta que hoje, a carga geral e conteinerizada no Espírito Santo — da indústria de transformação, do agronegócio, do café, das rochas — depende majoritariamente de transbordo em hubs de outros estados antes de alcançar os mercados finais.
“Cada transbordo é tempo, custo, risco e perda de competitividade em corredores nos quais a margem se decide em poucos dólares por tonelada. Um terminal capaz de receber navios de longo curso diretamente em Aracruz converte o Espírito Santo de ponta de linha em porta de entrada e saída, abrindo conexão direta entre o produtor capixaba e mineiro e consumidores nos cinco continentes. É a diferença entre integrar uma rota e depender dela”.
Por isso, no seu entendimento, este projeto tem recebido atenção e apoio permanentes do governo do Estado. “Cabe reconhecer que capacidade portuária não gera carga por si só: o adensamento dependerá de acessos rodoviários e ferroviários adequados, de estrutura aduaneira, de previsibilidade regulatória e de escala captada em Minas, Goiás, Bahia e aqui”.
É exatamente nesse elo, segundo ele, que a atuação do Estado se concentra — articulando os eixos logísticos, a agenda ferroviária e a atração de investimentos que transformarão a estrutura de ponta em contratos, frequência de navios e empregos. “O Imetame Logística Porto será transformador. O desafio para que ele nasça conectado é a tarefa que assumimos”.
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