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TRIBUNA LIVRE

A arte de fazer acontecer

Autor reflete sobre como a curadoria vai muito além de organizar eventos, ao conectar pessoas, antecipar tendências e gerar legado no Espírito Santo.

MARCUS MAGALHÃES | | Atualizado em
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem A arte de fazer acontecer
Marcus Magalhães é empresário, articulador institucional e analista do agronegócio |  Foto: Divulgação

Há palavras que, de tanto serem usadas, acabam perdendo parte do seu verdadeiro significado. Curadoria é uma delas. Muitos imaginam que um curador seja apenas aquele que escolhe palestrantes, organiza uma programação ou coordena um evento. Na prática, é muito mais do que isso. É construir uma visão, identificar tendências antes que elas se tornem evidentes, reunir pessoas que talvez nunca tivessem se encontrado, transformar conhecimento em experiência e encontros em oportunidades.

Nos últimos meses, tive o privilégio de viver essa experiência de forma intensa. No ano passado, fui convidado para assumir a curadoria da primeira edição da Feira Internacional do Café Conilon (FICC), em Jaguaré. O desafio era grande. Mais do que realizar um evento, era preciso criar uma identidade capaz de posicionar o café conilon capixaba em um novo patamar.

O resultado superou as expectativas, mas o maior reconhecimento veio depois. O sucesso da FICC abriu caminho para um novo desafio: assumir a curadoria do Vitória Coffee Summit, que aconteceu em agosto, e, logo na sequência, iniciar a construção da segunda edição da FICC, desta vez em São Mateus.

Esses convites reforçaram uma convicção que levo para além dos eventos: curadoria não é sobre palco, não é sobre escolher nomes conhecidos, e sim as pessoas certas, no momento certo, para provocar transformação.

Em um mundo cada vez mais acelerado e inundado por informações, talvez o maior valor de um curador seja justamente fazer conexões inteligentes. Aproximar instituições, produtores, empresários, pesquisadores, investidores, jovens talentos e lideranças que compartilham o desejo de construir algo maior do que seus próprios interesses. Afinal, os melhores eventos não terminam quando as luzes se apagam.

Talvez seja por isso que passei a enxergar a curadoria de outra maneira. Ela não é apenas uma atividade; é uma forma de liderança que, muitas vezes, acontece longe dos holofotes, mas exige sensibilidade para ouvir, visão para antecipar cenários, capacidade de articular diferentes interesses e, sobretudo, compromisso com o legado que se deseja construir.

Em um estado como o Espírito Santo, referência mundial na cafeicultura e ampla sua presença nos grandes debates do agro, a curadoria assume um papel estratégico, aproximando talentos, estimulando a inovação, fortalecendo as instituições e criando ambientes onde o conhecimento se transforma em desenvolvimento econômico e social.

Porque, no fim das contas, curadoria é muito mais do que organizar eventos. É conectar pessoas, despertar ideias, construir oportunidades e deixar sementes para o futuro. Essa é, para mim, a verdadeira arte de fazer acontecer.

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