Humanização na gestão pública como diferencial estratégico
Humanizar a gestão pública protege a saúde emocional do servidor, fortalece instituições e amplia o valor entregue à sociedade
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Nas engrenagens complexas da Gestão Pública, é comum que a burocracia despersonifique o servidor público. A pressão constante, a escassez de recursos e o estigma da ineficiência cobram um preço alto da saúde emocional de quem trabalha nos bastidores dessa máquina. No entanto, o serviço público não é feito de papéis ou sistemas operacionais; ele é essencialmente humano. Quando o servidor adoece ou se sente invisível, a entrega à sociedade tende a ser afetada.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil lidera o ranking de ansiedade na América Latina, e o setor público reflete de maneira drástica esse panorama. Dados do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS), do Governo Federal, indicam que os transtornos mentais e comportamentais figuram entre as principais causas que geram o maior número de dias de afastamento do trabalho entre servidores públicos federais, padrão que pode guardar similaridade nos estados e municípios.
Estudos do Center for Positive Organizations demonstram que organizações pautadas por compaixão, empatia e liderança positiva apresentam níveis elevados de resiliência, engajamento e capacidade. Quando a liderança pública adota uma postura de escuta ativa e acolhimento, reconhecendo os desafios invisíveis da sua equipe, ela constrói pontes institucionais.
A obra “Criação de Valor Público: Gestão Estratégica no Governo” apresenta a Triangulação Estratégica de Mark Moore como uma das estruturas conceituais mais importantes para a formulação de políticas públicas e gestão governamental. Moore sugere um equilíbrio entre: o valor público (o que fazer?); a legitimidade e sustentabilidade (quem autoriza e apoia?); e a capacidade operacional (como fazer?). O Triângulo de Moore ensina que um bom gestor público deve atuar simultaneamente como gerador de valor focado no cidadão, articulador político gerando consensos e gestor operacional garantindo a execução do serviço.
Promover a humanização na gestão pública deixou de ser um conceito abstrato ou um mero gesto de cordialidade para se tornar uma ferramenta de saúde institucional e um diferencial estratégico para a geração de valor público. Resgatar o orgulho de servir e proporcionar um ambiente onde o servidor se sinta pertencente e valorizado, além de ser uma escolha moderna de gestão, é também um compromisso ético inegociável com a construção de uma sociedade mais justa e serviços públicos mais eficientes.
Trecho do Prefácio do Livro “Grandeza Invisível: Um Manifesto da Humanidade Silenciosa na Engrenagem do Estado”
“Vivemos em tempos de julgamento ligeiro, de rótulos fáceis, de olhar passageiro. A carreira pública, tantas vezes ferida, carrega estigmas, visão distorcida”.
“Dizem que o servidor é acomodado, que recebe sem dar, que vive isolado. Que sua fragilidade o torna incapaz, mas há uma verdade que o mundo não traz”.
“Ser servidor é missão silenciosa, é coragem discreta, é entrega preciosa. É construir cidades com mãos invisíveis, é transformar destinos em gestos sensíveis”.
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