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TRIBUNA LIVRE

Inteligência ampliada: a nova fronteira da tomada de decisão

Inteligência ampliada redefine o papel dos gestores, ao combinar análise de dados, tecnologia e visão humana na tomada de decisão

Erthelvio Nunes | | Atualizado em
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem Inteligência ampliada: a nova fronteira da tomada de decisão
Erthelvio Nunes é vice-presidente do Conselho Regional de Administração do ES (CRA-ES) |  Foto: Divulgação

Durante décadas, a tomada de decisão nas organizações esteve apoiada na experiência dos gestores, na análise de indicadores e na capacidade de interpretar cenários complexos. Nos últimos anos, porém, a inteligência artificial passou a integrar esse processo e inaugurou uma nova fronteira para a gestão: a inteligência ampliada.

O conceito propõe uma mudança na forma de enxergar a inteligência artificial. Em vez de substituir profissionais, a tecnologia pode potencializar capacidades humanas, ampliar a habilidade de analisar informações, identificar padrões, simular cenários e apoiar decisões mais rápidas e qualificadas.

A transformação ocorre em um momento em que empresas produzem e recebem um volume de dados sem precedentes. Informações sobre clientes, mercados, operações e comportamento do consumidor são geradas continuamente. O desafio deixou de ser apenas acessar informações. O diferencial está em transformar dados em decisões capazes de gerar valor. É justamente nesse ponto que a Administração ganha ainda mais relevância.

Administrar não significa apenas executar processos ou controlar recursos. A essência da profissão está na capacidade de decidir: estabelecer prioridades, equilibrar riscos, alocar recursos, liderar pessoas e formular estratégias diante de cenários incertos.

A IA pode analisar muitas variáveis em segundos. Mas não compreende, por si só, cultura organizacional, relações humanas, valores institucionais, responsabilidade social e dilemas éticos.

Uma analogia ajuda a entender essa relação. Um sistema de navegação pode indicar a rota mais rápida, considerando trânsito e distância. Ainda assim, é o motorista quem decide se seguirá aquele caminho. A tecnologia oferece informações; a decisão continua sendo humana.

Nas organizações, a lógica é semelhante. Sistemas inteligentes podem antecipar riscos e apoiar análises, mas definir prioridades, assumir responsabilidades e avaliar os impactos de cada escolha continuam sendo atribuições das lideranças.

Essa realidade também transforma o perfil dos gestores. Se antes a vantagem estava no acesso à informação, hoje depende da capacidade de interpretar evidências e decidir com estratégia. Pensamento crítico, comunicação, adaptabilidade, inteligência emocional e ética ganham ainda mais espaço na liderança.

Mais que um avanço tecnológico, a inteligência ampliada representa evolução na forma como organizações pensam, planejam e decidem. Ela não reduz o papel das pessoas. Ao contrário: exige profissionais preparados para utilizar a tecnologia com responsabilidade, senso crítico e propósito.

Essa transformação pauta o debate do II Fórum Capixaba de Administração, a ser realizado dia 17 de setembro, em Vitória. Com o tema “Administração na era da inteligência ampliada: pessoas, dados e decisão”, o evento convida organizações e lideranças a entenderem como poderão integrar inteligência humana e artificial para construir decisões estratégicas e adaptadas à transformação do mundo.

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