Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor nos próximos meses
Previsão de especialistas aponta para um Super El Niño, que pode entrar para os mais intensos já registrados
O Brasil deve passar por ao menos seis ondas de calor nos próximos meses, segundo análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O fenômeno, que já foi mais concentrado em algumas regiões, hoje atinge o País inteiro ao mesmo tempo. E mais: o número de ondas pode ser ainda maior, já que no último El Niño foram nove.
A onda de calor acontece quando, por um período de pelo menos três dias seguidos, as temperaturas máximas e as mínimas ficam excepcionalmente acima do normal. Ou seja, não há trégua de calor.
A previsão aponta para um Super El Niño, que pode entrar para os mais intensos já registrados. Ele deve trazer calor e seca, ao mesmo tempo em que provoca chuvas intensas com cenários diferentes pelas regiões do País. Mas há um consenso de Norte a Sul: o calor.
A estimativa parte de uma pesquisa que analisou o histórico de 47 anos de registros de temperaturas observando o fenômeno em anos de El Niño.
De acordo com a pesquisadora responsável pelo levantamento, Mabel Calim Costa, que pesquisa ondas de calor no Cemaden, a frequência pode ser ainda maior com a intensificação do El Niño.
“Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o País viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes. Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso”.
A análise mostra uma mudança de comportamento nas últimas duas décadas. Nos anos 1980 e 1990, os episódios de calor extremo eram raros e mais concentrados em regiões específicas, como o Nordeste.
A partir de 2010, e de forma mais acentuada depois de 2020, o cenário muda: as ondas de calor não apenas ficam mais frequentes, como passam a cobrir uma área maior do território, atingindo o País inteiro ao mesmo tempo em vez de se concentrar em um ponto do mapa.
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