Ex-miss conta drama que enfrentou na UTI após parto
Stephany Pim precisou ficar internada após uma inflamação nos seios evoluir para um quadro grave dias após o nascimento do seu segundo filho, Vittorio
Um mês após dar à luz o segundo filho, a empresária e Miss Espírito Santo 2017, Stephany Pim, 32 anos, viveu dias de medo. Ela precisou ficar internada na UTI após uma mastite bacteriana (inflamação nos seios) evoluir para um quadro grave.
Stephany conta que os sintomas começaram leves, dias após o nascimento de Vittorio. O primeiro tratamento foi o uso de antibiótico oral, mas com o passar dos dias, ela sentia os sintomas piorarem.
“Eu não conseguia levantar da cama e estava com 40 graus de febre. Ao mesmo tempo, precisava cuidar do meu filho mais velho e de um recém-nascido”.
Mesmo depois da primeira internação, o quadro não melhorava. Até que, após uma série de exames, os médicos identificaram que a infecção se complicou e a bactéria havia se alojado na cápsula da prótese de silicone.
“Nesse caso, se formou um biofilme na região, que não permitia que o antibiótico controlasse a infecção, sendo necessário realizar uma intervenção cirúrgica”, explica a mastologista Karolline Coutinho Abreu Vilela, da Rede Meridional.
Segundo a médica, essa infecção costuma acontecer na amamentação, seja pelo acúmulo de leite ou por machucados no mamilo, que facilitam a entrada de bactérias.
“Chamamos de mastite lactacional ou puerperal, que aparece entre quatro e seis semanas após o parto e costuma estar acompanhada de uma infecção bacteriana”.
A mastologista Janine Martins Machado, da Unimed Vitória, adiciona que o tratamento depende da gravidade do quadro. Em casos mais simples, o antibiótico oral costuma funcionar.
“Conforme a gravidade avança, podemos combinar o antibiótico intravenoso. Nos casos mais sérios, pode ser necessário uma drenagem cirúrgica, principalmente se houver um abscesso”.
A mastologista Karolline Coutinho Abreu Vilela reforça que a orientação de amamentação durante o pré-natal é a principal forma de prevenção. “É importante para saber identificar se a pega do bebê está correta e reconhecer os sinais de mastite logo no início”.
Além disso, Janine Machado recomenda a adoção de estilo de vida equilibrado. “Em casos agudos um corpo saudável tem melhores desfechos e se recupera mais rápido”.
“Acabei negligenciando minha dor”, desabafa ex-miss
A Tribuna: Como foi viver o puerpério dessa forma?
Stephany Pim: Com certeza não foi o que eu imaginei. Eu tinha me preparado para viver aqueles primeiros dias curtindo com meu bebê, mas estava muito doente. Mesmo em casa, eu não conseguia ficar em pé e sentia muita dor.
Isso foi me consumindo cada vez mais porque eu me sentia culpada por falar que estava com dor, por estar reclamando. Eu não queria ser chata ou ingrata e acabei negligenciando a minha dor.
A Tribuna: Você foi internada duas vezes. O que foi mais difícil ?
Stephany Pim: Ficar longe do meu bebê. Na segunda internação, não pude ficar com ele. Recebi a notícia de que precisaria interromper a amamentação. Eu pensava se ele sentiria minha falta, como seria quando eu voltasse e se cuidariam dele do jeito que eu tinha planejado.
A Tribuna: Depois que tudo passou, você deu seu relato na internet. Por que tomou essa decisão?
Stephany Pim: Eu queria dar um testemunho de fé e mostrar o quanto Deus me sustentou. Depois, porque percebi que a minha experiência poderia servir para conscientizar outras mulheres, principalmente no pós-parto. Muitas vezes, a mulher se coloca só no lugar de cuidar e esquece que precisa ser cuidada.
E eu queria deixar esse alerta: se estiver doendo, reclame, procure ajuda, não negligencie o que o seu corpo está dizendo.
Mastite
É um processo inflamatório que compromete o tecido mamário e pode ou não estar associado a uma infecção por bactérias. Esse processo pode ser agudo ou crônico e também pode ter causas diferentes.
Tipos
Mastite Puerperal
Também chamada de lactacional, ocorre durante o puerpério e está relacionada a uma infecção bacteriana.
Entre as causas está a pega inadequada do bebê durante a amamentação, que pode provocar fissuras no mamilo e criar uma porta de entrada para bactérias. O desequilíbrio entre a quantidade de leite produzida e o quanto o bebê consegue retirar também pode aumentar o risco de inflamação.
Mastite não puerperal
Ocorre fora do período de amamentação e pode estar relacionada a desequilíbrios hormonais, traumas na mama, tabagismo, doenças autoimunes e infecções.
Sintomas
Dor, vermelhidão, calor na mama, inchaço, febre alta que não passa com antitérmicos, fraqueza e falta de apetite.
Tratamento
Mastites leves podem ser tratadas com medicamentos. Se o quadro avançar, pode ser necessário associar antibióticos por via oral.
Nos casos mais graves, o tratamento pode exigir antibióticos intravenosos e internação. Se houver formação de abscesso, pode ser necessária drenagem.
Prevenção
A orientação sobre a amamentação durante o pré-natal é uma das principais formas de prevenir e reconhecer seus sinais.
Acessórios como rosquinhas de amamentação ajudam, pois evitam o atrito do mamilo com a roupa. Também é preciso evitar o uso excessivo de bombinhas elétricas.
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