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PAPO DE FAMÍLIA

Solidão a dois

Há casais que vivem em brigas, discussões e enfrentamentos constantes gerando no ambiente da casa um grande peso emocional e desarmonia familiar

Cláudio Miranda | | Atualizado em
Papo de Família, por Cláudio Miranda

Cláudio Miranda

Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP


          Imagem ilustrativa da imagem Solidão a dois
Cláudio Miranda é da Diretoria da ATEFES (Associação de Terapia Familiar do ES), Terapeuta de Família, Psicopedagogo Clínico, Pós-graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP. |  Foto: Reprodução/Jornal A Tribuna

Depois que se casam, marido e esposa passam por inúmeras situações que são um aprendizado constante a cada dia. Superar a rotina e a constância de cada dia é um super desafio, caso contrário isso pode abalar o relacionamento.

Há casais que vivem em brigas, discussões e enfrentamentos constantes gerando no ambiente da casa um grande peso emocional e desarmonia familiar.

Existem também aqueles que perdem a graça do convívio conjugal e se acostumam com o marasmo afetivo cronificando uma relação de descuido e desinteresse mútuo. Esse tipo de vínculo é silencioso e quase imperceptível, mas é extremamente danoso.

Nesse tipo de relação, tem casais que continuam juntos, mas já desistiram um do outro há muito tempo. Não aconteceram brigas, nem traição.

Simplesmente foi o silêncio de cada dia que foi se “amontoando” e de repente ocupou todo o espaço emocional do casamento. Ninguém percebe o momento exato em que isso acontece, mas ele está lá, silencioso como um mofo.

Um dia você percebe que não existe mais interesse e nem encontro, só convivência, sem trocas, sem cuidado sem olho no olho.

É verdade que a vida a dois passa por mudanças e transformações ao longo do tempo, mas o carinho, o cuidado e o diálogo devem permanecer.

Mesmo assim os dois estão ali juntos, mas infelizes; juntos, mas sozinhos. Se acostumaram a viver uma vida sem sal e sem tempero.

A solidão dentro do casamento é muito ruim porque, supostamente, você tem uma companhia. Essa solidão a dois torna marido e esposa estranhos um ao outro embora respeitosos e compartilhando a mesma casa.

Nada de cumplicidade, apenas convivência educada. É um ciclo muito difícil de quebrar por que não há os motivos clássicos para um rompimento.

Não houve uma conversa que determinasse o fim da relação, mas existe, é um processo silencioso, lento e quase invisível. Eles aprenderam nas convenções sociais que o mais importante é manter a família unida e o casamento. Quando nascem os filhos, eles passam a ser o centro da atenção e o casal se perde no meio dessas ocupações.

Não há mais diálogo e interesse pelos sentimentos do outro. A intimidade vai sendo substituída por obrigações domésticas e um dia você se dá conta que não há mais cuidado mutuo na vida a dois e nem convivência.

Então, você passa ter a sensação de estar vivendo com alguém que você conhece, mas que perdeu a importância. Com o tempo, o que fica são duas pessoas que ficaram anos sem se olhar de verdade. Moram juntos apenas.

As pessoas passam então a viver uma solidão normatizada onde se diz que um casamento de longa data é assim mesmo.

Essas situações são muito comuns e sair disso é trabalhoso, mas é possível. Muitos já desistiram e nem acreditam mais que ainda podem ser felizes.

Não é que o seu casamento tenha que acabar de vez e se separar, mas também não é que você tenha que continuar nessa vida triste com o único objetivo de permanecer numa relação que não existe mais.

De tempos em tempos o casal deve, por conta própria, renovar seus votos de união e fazer ritos de um novo casamento, traçando novos planos para uma vida a dois.

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