Empresários do café querem atrair consumidores de energéticos
Ideia é ampliar consumo do produto ao longo do dia, apostando em saúde, performance e versões premium contra outras bebidas
Tornar o café uma bebida presente em diferentes momentos do cotidiano é um dos focos para ampliar o alcance do produto não apenas no Brasil como no mundo inteiro.
A “briga”, como classificou o diretor comercial da Realcafé Solúvel do Brasil, Bruno Giesta, coloca o grão de frente na concorrência com mercados como de energéticos, chás e refrigerantes.
O tema foi um dos assuntos discutidos na abertura do Vitória Coffee Summit, evento que reúne empresários, comerciantes e lideranças do setor no Espírito Santo e no Brasil, além de representantes internacionais do Vietnã, da Colômbia e dos Estados Unidos.
A principal maré a ser “nadada” é a da vida saúdável, um dos pontos reforçado por Giesta. Para o diretor institucional da XP Investimentos, Rafael Furlanetti, a bebida já é associada ao estilo de vida por jovens mundo afora.
“Cada vez mais as pessoas estão querendo viver melhor, ter uma saúde melhor. Hoje você vê grandes eventos de pessoas jovens em cafeterias, não só no Brasil como no mundo. O café é ligado a uma bebida de performance mental”, comenta.
A força dessa associação ganha peso na proposta de elevar o consumo dos chamados cafés “premium”, que possuem processos cuidadosos de cultivo e seleção.
A diretora de Vendas da JDE Peet's, Tina Cação, destacou esse segmento como o principal para a companhia — responsável por marcas como Pilão, Caboclo e L'Or.
Para concretizar o objetivo, um trabalho de comunicação sobre a origem do café brasileiro para o mundo é pensado pelas lideranças do café, afirma o CEO da MM Cafés e presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES), Marcus Magalhães.
“A gente precisa colocar mais roteirizado o filme do café no Espírito Santo. Existem vários atores soltos e unir eles dará mais tração a esse negócio”, comenta.
Esse “filme” faz referência às associações simbólicas construídas pelas indústrias produtoras — a exemplo da Colômbia, que conseguiu unir o produto à imagem personificada do produtor rural do interior, transformando a bebida em uma experiência para mercados externos.
Comitiva vai à China em outubro
Uma comitiva de 14 empresários e representantes de indústrias — a maior parte de capixabas — se prepara para viajar a Macau, na China, em outubro. O objetivo é apresentar produtos para o mercado asiático e fechar negócios, afirma o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Carlos Eiras.
Eles participam da Feira Internacional de Macau (MIF), que terá uma programação voltada especificamente para países de língua portuguesa. Eiras destaca que o café e a pimenta-do-reino são os produtos foco dessa viagem de negócios.
Entre os presentes no grupo estarão oito empresários de Jaguaré, um de Sooretama, dois de Vila Velha, além de um de Saquarema (RJ) e outro de Belém (PA). Um deles é Francisco Pertin, da Pertin Café e Pimenta, empresa que faz o intermédio entre comerciantes e o mercado exportador.
Além da China, o Vietnã e a Indonésia são mercados potenciais. Eiras se reúne com o embaixador da Indonésia na próxima semana.
O Vitória Coffee Summit prossegue hoje, no Cais das Artes, com debates sobre o mercado internacional. Representantes da Colômbia, Vietnã e Estados Unidos discutem, entre outros temas, a disputa global pelo café.
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