Imóveis têm valorização de até 111% em 6 anos na Grande Vitória
Imóveis prontos mais que dobraram de preço na capital, enquanto lançamentos tiveram alta ainda maior na região metropolitana
Além da alta no valor dos lançamentos das construtoras, o preço dos imóveis na Grande Vitória subiu consistentemente nos últimos anos, de acordo com dados de mercado. Exemplo é a capital, onde a valorização de imóveis prontos foi de até 111% em 6 anos, segundo pesquisa da Resos Inteligência de Mercado.
Dados do Censo Imobiliário do Sindicato das Empresas da Construção Civil (Sinduscon-ES) apontam alta de preços ainda maior. Mas, neste caso, os valores medidos são dos novos produtos oferecidos no mercado. O Índice FipeZap também indica valorização superior.
O dado da Resos tem como base o histórico real de escrituras e Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) de cinco empreendimentos de alto padrão da capital.
“Um imóvel que valia R$ 1 milhão no início de cada período passou a valer entre R$ 1,67 milhão e R$ 2,11 milhões, e a maior parte dessa alta é ganho verdadeiro de poder de compra, não só dinheiro valendo menos”, explicou Giuliano Martins, fundador da Resos.
Já os dados do Censo do Sinduscon de 2020 e 2025, levantados pela reportagem, apontam que, em Vitória, Vila Velha e Serra, o preço dos lançamentos subiu, em média, 125,8% — sem descontar a inflação. Na média, o metro quadrado nos três municípios saltou de R$ 7.001 em 2020 para R$ 15.809 em 2025.
Vila Velha foi onde teve o maior aumento no preço nesse período, segundo os dados do Sinduscon-ES: a valorização foi de 155,7%, com o valor do metro quadrado saltando de R$ 6.565 para R$ 16.787.
Segundo o diretor da Associação Empresas Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Alessandro Torezani, a trajetória de alta nos preços resulta da combinação de vários fatores.
“Em Vitória, os valores de venda estavam historicamente defasados em relação a outras capitais, o que abriu espaço para uma correção acelerada de preços”, comenta.
Do lado da oferta, o aumento dos custos da construção civil, combinado à escassez de terrenos para novos empreendimentos, também tem papel relevante na formação dos preços, analisa o diretor.
Já Vila Velha se tornou “o principal canteiro de obras da Grande Vitória” por uma combinação de espaço disponível e atrativos marcantes, diz Torezani: “A vida noturna ganhou fôlego recente e a chegada de grandes empresas vem consolidando Vila Velha como uma das cidades de maior valorização imobiliária do País”.
Para o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES) Vaner Corrêa, Vitória e determinadas regiões de Vila Velha podem progressivamente concentrar imóveis de maior valor, enquanto parte da demanda residencial se desloca para Serra, Cariacica e outros vetores de expansão urbana.
Bairros que mais se valorizaram
Bairro - R$/m em 2020 - R$/m em 2026 - Valorização
- Jardim Camburi - R$ 5.212 - R$ 13.980 - +168,2%
- Praia do Canto - R$ 7.378 - R$ 18.603 - +152,1%
- Jardim da Penha - R$ 5.629 - R$ 13.840 - +145,9%
- Praia do Suá - R$ 5.822 - R$ 13.910 - +138,9%
- Enseada do Suá - R$ 7.710 - R$ 18.382 - +138,4%
- Mata da Praia - R$ 7.836 - R$ 18.250 - +132,9%
- Barro Vermelho - R$ 7.881 - R$ 17.520 - +122,3%
- Santa Luíza - R$ 8.512 - R$ 17.100 - +100,9%
Limite da alta é a capacidade de compra, dizem especialistas
Os preços dos imóveis podem continuar subindo enquanto houver compradores com renda ou patrimônio suficientes para pagá-los. É o que apontam especialistas.
Segundo o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES) Vaner Corrêa, uma economia crescendo acima da média nacional tende a produzir emprego, renda, expectativas favoráveis e formação de patrimônio, variáveis que alimentam a demanda imobiliária.
Há, porém, um risco relacionado aos investidores no mercado de aluguéis, que diz respeito à evolução da renda da população.
Para o economista e conselheiro do Tesouro Estadual, Eduardo Araújo, se os aluguéis e a renda dos possíveis compradores não crescerem no mesmo ritmo, ficará mais difícil encontrar alguém disposto a pagar ainda mais pelo imóvel no futuro.
“Assim, o componente especulativo não está necessariamente na valorização que já ocorreu, mas na aposta de que ela continuará se repetindo”, analisa.
Ele ainda aponta para o comportamento de comparação de preços no mercado. “Se a valorização excepcional de alguns empreendimentos de alto padrão for utilizada como referência para precificar novos lançamentos, os preços podem crescer muito mais do que a renda da classe média”, diz.
Saiba Mais
Valorização
O mercado imobiliário capixaba, sobretudo na Grande Vitória, vem registrando valorização expressiva em comparação ao restante do País, figurando com frequência entre os cinco maiores índices de valorização do Brasil.
Segundo levantamento feito pela reportagem, com base nos dados do Censo Imobiliário do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon-ES), a valorização dos imóveis na Grande Vitória foi de 125,8% no período de 2020 a 2025.
Após descontar toda a inflação do período, os imóveis registraram uma valorização real de aproximadamente 68,8%, ou seja, o preço médio do metro quadrado cresceu quase 69% acima da inflação.
Foram considerados os municípios de Vitória, Vila Velha e Serra, os presentes no censo divulgado pelo sindicato.
Vitória
Na capital, a pesquisa da Resos Inteligência de Mercado aponta valorização de 67% a 111% em janelas de 3,5 a 6,3 anos, em cinco empreendimentos de alto padrão em Vitória, com base no o histórico de escrituras e ITBI.
- Vila Alpina: o residencial multiplicou seu preço por cerca de 6,5 vezes em duas décadas, um ganho real de 120% acima da inflação.
- Ilha de Vitória: subiu 365% em cerca de 16 anos, com 88% de ganho real.
Outro recorte
Um segundo recorte da Resos olha para outro perfil de produto: dez edifícios consolidados da cidade, com 17 a 47 anos e unidades entre 83 e 124 metros quadrados, majoritariamente na Praia do Canto.
Nesse grupo, a base de cálculo é o valor venal registrado ao longo dos anos — definido pela prefeitura.
A valorização ficou entre 0,70% e 1,16% ao mês, com mediana de 0,94%. Mantida essa mediana por cinco anos, a alta acumulada corresponderia a cerca de 75%.
Tipologia
Os imóveis de um quarto tiveram a maior valorização, segundo dados do Sinduscon-ES, com alta de 198,2% no preço médio do metro quadrado. Já os imóveis de 3 quartos apresentaram a menor alta, de 93,6%.
Entre os três municípios, Vila Velha apresentou a maior valorização média, de 155,7%, seguida por Vitória (111,6%) e Serra (93,2%).
Aluguéis
A valorização causa efeito no preço da locação. Se os imóveis se valorizam persistentemente, os proprietários tendem a buscar recomposição da rentabilidade através dos aluguéis, afirmam especialistas.
Como o aluguel residencial integra os índices de preços ao consumidor, esse movimento pode pressionar o grupo Habitação da inflação oficial.
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