Casas Bahia já fechou três lojas no Espírito Santo
Grupo ainda mantém 12 lojas abertas no Estado e terá de preservar empregos após decisão judicial suspender demissões coletivas
A Casas Bahia já fechou três lojas no Espírito Santo. A última unidade a ter o encerramento divulgado foi a do Shopping Mestre Álvaro, na Serra. As outras duas funcionavam no Shopping Praia da Costa, em Vila Velha, e no Shopping Vitória — nesse caso, as lojas são da marca Pontofrio, que também pertence ao grupo.
Embora tenham encerrado as atividades, a empresa terá de manter os funcionários contratados. O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), em Brasília, suspendeu provisoriamente as demissões coletivas e restringiu novos cortes sem intermediação de entidades sindicais.
Na prática, os funcionários permanecem recebendo salários, mas sem atuar nas lojas. A decisão não estabelece a reabertura dos pontos fechados nem o retorno presencial dos trabalhadores.
Fechamentos no país e reestruturação do grupo
Foram, ao todo, 298 lojas fechadas no Brasil, como medida inicial da fase de reestruturação da empresa, de acordo com o Grupo Casas Bahia. Segundo o grupo, os pontos foram identificados como de “baixo desempenho”, o que justificaria a “redução estrutural de custos e despesas”.
Nesta semana, a empresa informou que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça. A varejista comunicou dívidas de R$ 17,3 bilhões a bancos, fundos de investimentos, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
O grupo afirma, no entanto, que o pedido de recuperação judicial não interrompe a operação do Grupo Casas Bahia. A companhia segue atuando nos canais físicos e digitais, atendendo clientes, trabalhando com fornecedores e executando as medidas previstas no plano de reestruturação.
No Espírito Santo, 12 lojas seguem ativas, mantendo a presença física da marca no Estado mesmo em meio ao enxugamento das operações.
Impactos e oportunidades para o varejo capixaba
O especialista em varejo Floriano Schneider avalia que há uma remodelação em curso no setor moveleiro no Estado, com necessidade de adaptação das empresas concorrentes para aproveitar a lacuna criada pela atual fase do grupo.
Para ele, a eficiência operacional do empresário capixaba pode transformar esse cenário em oportunidades de negócio, principalmente para redes regionais de móveis e eletrodomésticos com forte atuação local.
"O setor moveleiro, que é muito forte no Norte do Estado, precisa ficar alerta e redirecionar rapidamente sua demanda. O varejo capixaba de móveis e eletrodomésticos tem uma dinâmica própria, ancorada em redes regionais tradicionais e muito eficientes na gestão de proximidade"
Plano de enxugamento e foco em operações rentáveis
O Grupo Casas Bahia prevê uma “companhia menor e mais seletiva”, com revisão dos canais digitais, adequação de estoques e capital de giro, além de menores investimentos e busca por redução do custo financeiro, conforme nota divulgada pela empresa.
Segundo o grupo, as operações estarão concentradas principalmente nas atividades capazes de gerar retorno e caixa.
“Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado”, afirma Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, em comunicado.
Dessa forma, embora não admita expressamente, o grupo não descarta o fechamento de mais lojas como parte do processo de reestruturação.
Varejo capixaba mantém desempenho acima da média
O cenário, porém, é considerado controlado para o setor no Espírito Santo quando se observa o desempenho das empresas em geral. Segundo André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, os dados mais recentes mostram crescimento nas vendas.
"Em junho, tivemos um volume de vendas 2,6% maior que maio, e quase 5% maior quando comparamos com junho do ano passado. Desempenho superior até ao do Brasil e ao do Sudeste"
Para o setor varejista capixaba, o movimento de retração do Grupo Casas Bahia convive com um ambiente de vendas em alta, abrindo espaço para que redes regionais ampliem participação no mercado de móveis e eletrodomésticos.
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